Crítica | Reino do Superman (Reign of the Supermen)

“Seja o seu próprio Super-Homem.”

A Morte de Superman foi consideravelmente querido pelo público – vide algumas reações na minha crítica -, apesar de investir em muitos dos sintomas que as animações mais recentes da Warner Bros apresentaram, voltando-se a esse universo tão interessante aos entusiastas de quadrinhos, mas pensando em gerações mais novas de uma maneira um pouco esquisita. Uma pequena cena de Reign of the Supermen, sequência que já era anunciada para o conto da morte do Homem de Aço, por exemplo, está ambientada em uma outra galáxia ou dimensão que não a principal, contudo, novamente rejeita explorar uma capacidade imaginativa que é quase inerente a um espaço tão exótico quanto esse. As animações dessa nova leva da DC Comics parecem produtos chapados, sem interesse em serem conquistas visuais ou criativas, pois nada exploram. Sem surpresas que as obras acabam remetendo mais a um episódio de televisão estendido de série animada – mas que, mesmo assim, ainda possuíam um conjunto estético até mais autêntico.

O mais curioso é que as animações da DC Comics ora ou outra resolvem investir em um projeto diferente, como o impressionante Batman Ninja. Mas o cânone mesmo, entre as produções que resolveram criar um universo expandido próprio, é escanteado por uma equipe de animação que parece estar tornando um roteiro qualquer genericamente animado. Reign of the Supermen, em contrapartida, é mais sem vergonha em certos aspectos, como na referência a Mulher-Maravilha da série clássica ou na cena icônica do Super-Homem voando ao redor da Terra, justamente enquanto remete ao grande Christopher Reeve – quase como Liga da Justiça, de 2017, buscou redimir o seu Homem do Amanhã no último segundo. Essa espirituosidade, portanto, é transportada para a própria narrativa, muito menos estafante que a do outro longa-metragem. A animação em questão parte da premissa de novos Super-Homens querendo substituir o original, um conceito muito quadrinhos despirocados, mas que, visualmente, permanece muito indiferente.

Já o conceito reapresentado, acerca do símbolo do super-herói, caminha em um escopo parecido que o do Homem-Aranha no Aranhaverso, mesmo que em proporções completamente distintas, sem conseguir funcionar da mesma forma, muito pelo contrário, contrapondo-se enormemente. Todos podem ser Super-Homens, apesar de só existir um Super-Homem. A Liga da Justiça é completamente inútil sem o seu grande líder, como aponta a Mulher-Maravilha (Rosario Dawson) e, posteriormente, o roteiro propriamente dito, então impedindo o super-grupo de auxiliar em alguma coisa na problemática apresentada – zombando-o, no entanto, enquanto coloca os personagens para serem guardas da presidente. Os problemas só se resolvem, ironicamente, com o esperadíssimo retorno do Super-Homem. Um melodrama óbvio demais para colocar meros mortais fingindo serem necessários para o desfecho conclusivo, como se existisse realmente alguma revolução com potencial de tornar-se verdadeira. Ser um Homem-Aranha era algo mais concreto.

Qualquer intenção de discurso engrandecedor barato – e que continuaria barato e genérico, porque o Super-Homem sempre foi o personagem e também símbolo, único e utópico -, Reign of the Supermen a apresenta meramente para desmontar quase que completamente as proposições, mas por meio da contradição, não da consciência da necessidade pelo mito. O filme quer homenagear o legado do Super-Homem, no entanto, engrandece apenas o que o envolve, como Lois Lane (Rebecca Romjin), a verdadeira protagonista desse longa-metragem. A narrativa em si é mais competente, coerentemente avançando com os mistérios, mas nunca os desbravando completamente, apenas quando o Super-Homem original retorna. Já os personagens são cuidadosamente abordados: os quatro Super-Homens e ainda Lex Luthor (Rainn Wilson), antagonista aqui mais coeso dentro do enredo. Eis uma obra que poderia ser uma celebração do “S” que continuará no peito de um único ser, mas que apenas consegue pontualmente nos entreter.

Reign of the Superman – EUA, 2019
Direção: Sam Liu
Roteiro: Tim Sheridan, James Krieg
Elenco: Jerry O’Connell, Rebecca Romijn, Rainn Wilson, Khary Payton, Cameron Monaghan, Charles Halford, Patrick Fabian, Rosario Dawson, Jason O’Mara, Shemar Moore, Nathan Fillion, Christopher Gorham, Nyambi Nyambi, Tony Todd, Jennifer Hale, Brenda Strong, Toks Olagundoye, Erica Luttrell, Rocky Carroll, Max Mittelman, Paul Eiding, Trevor Devall
Duração: 87 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.