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Crítica | Resident Evil 7 DEMO: Beginning Hour

por Iann Jeliel
171 views (a partir de agosto de 2020)

Originada e precursora no survival horror, a franquia Resident Evil no mundo dos games veio sofrendo transformações consecutivas ao gênero de ação, à medida que seu universo proporcionava narrativas cada vez mais megalomaníacas, que convergiram no tão questionado Resident Evil 6. O jogo de 2012 se posiciona num momento em que o gênero de terror ganharia um novo auge com o fim da geração 360/PS3, com o lançamento de vários indies que vinham ganhando mais espaço conforme a escassez de grandes projetos já direcionados para a próxima geração, sendo Outlast o grande símbolo da nova tendência de jogos que apostariam no exercício de gênero mais frontal ao estilo “found-footage”, que dentro da projeção de gameplay era visto como o modelo ideal para o retorno do survival horror a um novo auge. Mas o verdadeiro motivo para esse grande retorno de Resident Evil nessa DEMO está claramente na dianteira de sua principal concorrente, Silent Hill, ao adaptar o conceito da franquia para essa nova tendência, através de uma genial jogada de marketing com a fabulosa demo intitulada P.T, que com justiça viralizou por tamanha qualidade de gameplay apresentada.

O jogo, infelizmente, veio a ser cancelado por divergências criativas entre a Konami e Hideo Kojima. Espertamente, a Capcom esperou essa poeira baixar, enquanto já começaria a desenvolver uma continuidade de Resident Evil para a nova geração, no novo formato e com uma DEMO que não iria ficar só na promessa, mas pretendia uma grande para viralizar também, como foi o que aconteceu, novamente, com justiça. A grande questão é que Silent Hill fazia parte de uma vertente mais ligada à sobrevivência, enquanto Resident ainda permeava um estilo mais reacionário de gameplay. Não à toa, a demo vem sendo questionada por suas características completamente distantes do que é a essência de Resident Evil. Ora, é justamente por isso que se trata de uma DEMO, ou seja, uma demonstração de uma nova proposta que possivelmente servirá de parâmetro para a Capcom completar seus principais fatores que deram certo no jogo principal. E como também é uma grande jogada de marketing, é uma possibilidade através da viralização de a Capcom ver qual seria o interesse da nova geração do terror com a marca Resident Evil. Sou a favor de mudanças, assim como fui para a transformação completa em ação de Resident Evil 5, também sou a favor do retorno ao terror através desta nova vertente em primeira pessoa, desde que se tenha uma história que se conecte cronologicamente com a franquia principal.

Nessa parte, não vejo motivos para questionar uma DEMO, por mais que fique receoso perante a entrega de um produto que mais se aproxima de um spin-off pelas condições apresentadas. A falta de um personagem recorrente da franquia e a ambientação de referências distantes de um universo com zumbis, infectados e afins são pontos válidos de se levantar. Mas como dito, a ideia de ser uma DEMO é apresentar a qualificação do gameplay, e nesse ponto, algo unânime a se dizer é que a atmosfera é impecavelmente assustadora e claustrofóbica, exatamente a ideia que o primeiro jogo, lá nas origens da saga, queria. Em tradução livre, Resident Evil é “residência do mal”, termo que perfeitamente se encaixa ao local onde ficamos presos e precisamos procurar um meio de sair, exatamente como no primeiro game, em que a casa era um mero refúgio dos membros da S.T.A.R.S e acabaria se revelando algo muito maior do que de fato era.

Pegando a parte do termo Beginning Hour, dá para projetar que esses são os primeiros momentos do game, que dentro da estética remetente a O Massacre da Serra Elétrica, pode ser que acompanhemos a jornada de alguém que indiretamente se envolveu nos esquemas da Neo-Umbrella por acidente. Na DEMO, assistimos e jogamos uma fita de três repórteres que tropeçaram em destino parecido, o que porventura justificaria a aposta no novo personagem. A ideia de trazer a primeira pessoa funciona coerentemente com essa lógica, o desnorteamento do personagem perante a situação é a mesma do jogador perante as novidades. A tensão é vinda do desconhecimento do que está à espreita, e o gameplay da fita só deixa a resposta ainda mais ambígua. Enquanto isso, saboreamos puzzles de sequenciamento, aqueles que nem sabemos ser puzzles ou não, mas são aqueles itens para futuras ocasiões que podem ou não serem resolvidas no pequeno trecho que consta da demo.

Apesar de não se tratar de uma hora de jogo, os 25 minutos são suficientemente satisfatórios nessa junção de quebra-cabeças e atmosfera por iluminações. Mesmo com essa duração curta, a DEMO apresenta diferentes finais que aumentam a expectativa para saber se será replicado no jogo oficial, onde a história pode ser definida pelos seus movimentos enquanto joga. Ainda houve pelo menos mais duas extensões que acrescentam trechos da casa para os receosos que pensaram que era pequena demais, além de pseudo respostas a enigmas implantados para suprir a curiosidade dos jogadores. A verdade é que esses acréscimos não eram necessários, o que foi entregue de primeira mão já havia sido suficiente para vender muito bem o jogo. Como fã de Resident Evil, mal posso esperar pelo que será a versão final deste sétimo título principal.

Resident Evil 7 DEMO: Beginning Hour
Desenvolvedor:
 Capcom
Lançamento: 14 de junho de 2016
Gênero: Survival horror
Disponível para: PS4

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