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Crítica | Resident Evil: O Hóspede Maldito

por Rafael W. Oliveira
172 views (a partir de agosto de 2020)

Há mais do que um apego do diretor Paul W. S. Anderson pelas adaptações cinematográficas de videogames populares. Há um forte quê de fetiche, de fato, isto devido muito ao estilo e identidade firmados pelo diretor em cima dessa estética, que se estende também para seus filmes não-baseados em games, por vezes funcionais (Corrida Mortal), por vezes equivocadas (Pompeia).

Resident Evil: O Hóspede Maldito deu vida à uma das mais longevas franquias que não apenas se baseiam em games, mas que ostentam o orgulho de adotar essa estética em prol de um espetáculo de horror que se mistura ao sci-fi de maneira até inusitada e de claro potencial, algo claramente sob o comando de um Anderson consciente de onde está se metendo. E é por isso lamentável o desperdício do que poderia ter sido um grande exercício de gênero e menos de técnica/estética, especialmente considerando o quão mal envelheceu O Hóspede Maldito.

E pouco adianta se estender em explanações sobre a trama de Resident Evil quando até minha avó centenária já sabe do que se trata a Umbrella Corporation, o vírus mutante e as intermináveis missões da protagonista Alice (Milla Jovovich, inexistente no jogo) ao longo da franquia. E considerando que Anderson perde pouquíssimo tempo estabelecendo seus personagens iniciais, apenas ratifica a ideia de que o que interessa em Resident Evil está para além do desenvolvimento de sua história, personagens e blá blá blá.

E há uma clara noção, para o próprio espectador, de que Resident Evil começa, antes de tudo, como um filme-homenagem para suas fontes de ideias, estilo e ambientação. Os 30 minutos iniciais, bem explanados e eficazes em estabelecer a rápida compreensão da situação, inegavelmente remetem ao horror dos filmes de George Romero alimentados por toques contemporâneos e tecnológicos que casam organicamente com a proposta de Anderson. E se logo de cara não há interpretações ou rostos carismáticos o suficiente para se interessar (alguns irão se provar involuntariamente cômicos lá pelas tantas), é no clima sugestivo sobre o que há por detrás das portas da Umbrella que O Hóspede Maldito nos fisga.

Mas isto não dura muito, e é curioso que, numa obra com temática zumbi, os próprios mortos-vivos tragam os primeiros problemas. Pois à partir do primeiro momento que os monstros aparecem, Anderson se perde num jogo de corre-corre e barulheira desmedida (a trilha de punk-rock de Marilyn Manson e Marco Beltrami mais distrai do que acrescenta) que dilui a diversão e deixa a impressão de que o filme acaba mais rápido do que deveria. O Hóspede Maldito perde sua identidade e cai no famigerado lugar-comum.

E se o plano final deixa a promessa de uma sequência mais aberta a oportunidade de aproveitar o efeito apocalipse zumbi, O Hóspede Maldito acaba se limitando ao entretenimento ligeiro, pouco inventivo, e do qual há pouco para se orgulhar de seu datado exercício de técnica e estilo.

Resident Evil: O Hóspede Maldito (Resident Evil) — Reino Unido/ Alemanha/ França/ EUA, 2002
Direção:
 Paul W.S. Anderson
Roteiro: Paul W.S. Anderson
Elenco: Milla Jovovich, Michelle Rodriguez, Ryan McCluskey, Indra Ové, Heike Makatsch, Jaymes Butler, Stephen Billington
Duração: 100 min.

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