Home TVTemporadas Crítica | Retorno ao Planeta dos Macacos – A Série Animada Completa (1975)

Crítica | Retorno ao Planeta dos Macacos – A Série Animada Completa (1975)

por Ritter Fan
333 views (a partir de agosto de 2020)

Com cinco filmes de razoável sucesso que oscilam bastante em qualidade e uma série de TV live action muito boa, mas que foi cancelada na metade da primeira temporada, a Fox partiu para o que ainda não havia tentado: uma série em animação sobre o Planeta dos Macacos. Sem perder tempo, o estúdio lançou, em 1975, ano seguinte do encerramento da primeira série de TV, uma nova série, que também só sobreviveu por 13 episódios e que seria, até 2001, a última vez que os símios falantes apareceriam em alguma tela que não fosse em reprises.

Os filmes dos símios do final da década de 60 até a metade da década de 70 nunca primaram por grandes orçamentos e uma direção de arte muito detalhada. Na verdade, o conceito original do filme de 1968 era mais próximo ao livro do francês Pierre Boulle, que deu origem a tudo, em que a sociedade símia era tão desenvolvida quanto a nossa. Como isso ficaria caro, a Fox decidiu rever o roteiro, transformando a sociedade símia moderna em uma sociedade subdesenvolvida. Daí o nascedouro do Planeta dos Macacos que nós conhecemos. Mas essas rédeas curtas no orçamento são ainda mais evidentes – por incrível que pareça – na série animada.

Apesar de ter sido desenhada pelo veterano Doug Wildey, que criou o famoso desenho Johnny Quest, em 1964, Retorno ao Planeta dos Macacos é, pela falta de uma palavra melhor, muito tosca. Imaginem vocês uma escala de “tosquidão” em que o grau máximo é representado por aquelas “desanimações” da Marvel da década de 60, que nada mais eram do que literalmente os quadrinhos das revistas filmados. Retorno ao Planeta dos Macacos estaria, diria, em uma situação apenas um pouco melhor, certamente muito abaixo das clássicas animações da Hanna-Barbera e outros estúdios da mesma época. Os personagens quase não se movimentam. Há constante reaproveitamento das mesmas sequências, as cores são sempre as mesmas, os símios são mal desenhados, um se parecendo com o outro mesmo quando de espécies diferentes e alguns deles nem mesmo parecem ser símios. E olha que não estou falando dos símios que aparecem ao fundo como “extras”, e sim dos personagens principais. Nem mesmo o sol é redondo! É, realmente, difícil de aturar e (re)assistir aos 13 episódios foi um suplício.

Sobre a história, para variar, vemos três astronautas (Bill, Judy e Jeff) em missão espacial cuja nave acaba caindo na Terra no ano de 3.979 d.C., quando ela, depois de um cataclismo atômico, foi dominada por símios evoluídos e onde os humanos não falam e são caçados pela raça dominante. A diferença do desenho para os filmes é que, mais próximo ao livro de Boulle nesse quesito como mencionei, os símios vivem em uma sociedade evoluída como a nossa, com carros, televisão, prédios e tudo mais.

Bill é capturado e faz amizade com Cornelius e Zira, dois chimpanzés cientistas que, obviamente, acabam ajudando os humanos. O General Urko, um gorila, quer dizimar todo os humanos de vez, mas o Dr. Zaius, um orangotango, somente autorizaria essa medida se algum humano falasse, pois um humano falante poderia levar à derrocada dos símios que, há milênios, eram dominados pelos humanos, como diz a lenda. Estabelece-se, assim, o problema e a premissa do desenho que ainda conta com os mutantes similares aos que aparecem no segundo filme e com Nova dos dois primeiros filmes. Há também um mistério extra, em que Nova, ao encontrar-se com Bill e Jeff, está usando um colar de identificação de um astronauta americano chamado Brent, que nascera um século depois de Bill e Jeff.

Apesar de as histórias não serem de todo imprestáveis, como é um desenho, algumas liberdades podem ser tomadas e os roteiristas não resistiram e criaram monstros para nossos heróis lutarem, como um lagarto submarino e um gorila gigante das neves. São aquelas coisas nonsense típicas de desenhos da época e que acabam tornando-os bem mais bobos e infantis que os filmes ou que a série de TV anterior. Mas os episódios mantém uma certa continuidade e contam efetivamente uma história maior em forma de arco, pelo menos até ser interrompida abruptamente no 13º capítulo.

Esse é a segunda obra audiovisual sobre o Planeta dos Macacos em que o saudoso Roddy McDowall não participaria (a outra é De Volta ao Planeta dos Macacos, o segundo filme). Parece que o ator tinha um bom faro para perceber projetos malfadados, pois são as duas piores obras desse universo símio.

A não ser que você seja maluco como este crítico pela mitologia do Planeta dos Macacos, a animação pode ser facilmente ignorada.

*Crítica publicada pela primeira vez em 2011 fora do Plano Crítico. Publicada no site pela primeira vez em 19 de julho de 2014.

Retorno ao Planeta dos Macacos (Return to the Planet of the Apes, EUA – 1975)
Criação: David H. DePatie, Friz Freleng
Direção: vários
Roteiro: vários
Elenco: Richard Blackburn, Tom Williams, Henry Corden, Edwin Mills, Philippa Harris, Claudette Nevins, Austin Stoker
Duração: 312 min.

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27 comentários

de Amorim 4 de outubro de 2020 - 22:53

Apesar da “tosquidão” deste seriado de animação do PDM,
sinto uma saudade imensa desta época e deste Desenho!
Sinto muito mais falta desta ARTE, do que o lixo animado que é produzido atualmente.
Quando a criação dos desenhos animados era livre e não esta
chatice e falta de originalidade atuais!
“Lacrações”, bestialidades, profanações fazem parte dos
enredos atuais dos desenhos animados de nossos dias.
Este mesmo “desenho” atual que, é ditador de maneiras e
senhor da “diversidade” mas que, não respeita o indivíduo e
não serve de referência para nada!
Tirem as crianças da sala!

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de Amorim 4 de outubro de 2020 - 22:53

Ok.

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Ahmard Rocha 4 de outubro de 2019 - 21:40

GOSTEI MUITO DO DESENHO BEM BOLADO BEM TRABALHADO APESAR DO ANO 1975,POREM FICA UMA FRUSTRAÇÃO TOTAL POR NAO TER TIDO UM FINAL DIGNO,ACHO QUE UNS 25 OU 30 EPISÓDIOS SERIA O IDEAL,SO QUE O MEU IDEAL NAO E O IDEAL DELES,ENFIM FRUSTRAÇÃO FRUSTRAÇÃO E ISSO☹☹☹☹

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planocritico 5 de outubro de 2019 - 14:20

Já eu achei bem fraca a animação.

Abs,
Ritter.

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fernando Machado 30 de janeiro de 2019 - 10:28

Critica deita por nerd que não viveu os anos 70 e pelo visto conhece só os Pokemons da vida

Responder
planocritico 30 de janeiro de 2019 - 10:58

Comentário feito por nostálgico que nem se deu ao trabalho de conhecer o crítico e pelo visto não sabe aceitar opinião contrária à sua.

– Ritter.

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marcello rego 15 de abril de 2018 - 18:57

a depatie-freleng até que caprichava na parte técnica dos desenhos, mas nesse desenho não caprichou .parecia uma das produção da filmation, até pensei que fosse , mas em compensação esse desenho tinha uma boa história .com feras da dublagem brasileira;

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planocritico 17 de abril de 2018 - 00:55

Nunca vi esse desenho dublado ou, se vi, não lembro.

Abs,
Ritter.

Responder
marcello rego 14 de abril de 2018 - 19:52

eu discordo em alguns pontos plano crítico , concordo com a limitação tecnica do desenho. hanna barbera e filmation não primavam com desenhos de grande qualidade técnica . mas acertavam nas histórias e personagens , nessa caso esse desenho tinha boa história e boa dublagem

Responder
planocritico 16 de abril de 2018 - 09:43

Não consegui me conectar com os roteiros, @disqus_LE4KYGhj8u:disqus !

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 16 de abril de 2018 - 09:43

Não consegui me conectar com os roteiros, @disqus_LE4KYGhj8u:disqus !

Abs,
Ritter.

Responder
marcello rego 24 de janeiro de 2019 - 22:00

acontece

Responder
Madex 27 de julho de 2017 - 03:41

Não dá pra confiar em quem não gosta de Chapolin e Chaves kkkkkkkkk

Responder
planocritico 27 de julho de 2017 - 10:56

Verdade… HAHAHHAHAHHHA

Abs,
Ritter.

Responder
Fernalf Andrast 17 de janeiro de 2016 - 22:42

Man, eu particularmente odeio comentar crítica em blog. Ao apresentar o rico universo do Planeta dos macacos (serie que considero bem mais rica que aquela clássica saga a muito e muito tempo) aos meus filhos, e ao procurar os episódios em desenho acabei me esbarrando por aqui. Eu particularmente curto muito a serie em desenho. Como bem o amigo deve saber, a mesma produzia 1 episódio por semana e não somente uma animação mais várias ao mesmo tempo como Flintstones, Might Thor e tantos outros. Com essa demanda de desenhos em pouco tempo, os mesmo recorriam a produzir com o que estivesse mais fácil no caso uma biblioteca de imagens. E o quanto menos se animasse e reaproveitasse, melhor, Fazer animação semanal naquela época não é como hj que o computador facilita em muito a vida do animador.
Dai batemos em planeta dos macacos – a serie animada, a mesma que o amigo colocou como Tosca. Criticar uma serie datada, usando os recursos da época como tosca é o mesmo que dizer que um filme do chaplin é ruim por ser mal colorido. A serie é riquíssima em roteiro, o que compensa a falta de “animação” da serie, Animações japonesas no final dos anos 70 faziam o mesmo, embora em muitas cenas compensassem na hora da ação.
Um outro ponto, Planeta dos macacos foi a primeira grande saga antes de Star Wars e até mesmo Star Trek a atingir várias mídias. Animação, Serie, quadrinhos e filmes. E acredite, Roddy McDowall tinha sim noção do quão grande era a serie Planeta dos Macacos (tanto que participou de 4 dos 5 filmes (ou dos 5 se levarmos em conta que a cena final do primeiro é recapitulada logo de cara)). No mais, excelente trabalho em trazer para os novatos que desconhecem o planeta dos macacos a conhecer. Abração

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planocritico 18 de janeiro de 2016 - 01:24

@ferFernalf Andrast, para mim é muito fácil criticar uma série dessas sem preconceitos pois eu sou da década de 70. Eu nasci cercado de todas essas séries aí que você mencionou e as adorava. Além disso, sou, confessadamente, fã da franquia Planeta dos Macacos, tanto que temos um especial aqui no site com TUDO já colocado no ar. Portanto, não estou julgando com o olhar de hoje e nem deixando de levar em consideração as dificuldades da época. Afinal de contas, essas outras séries animadas que você mencionou são substancialmente melhores do que Retorno ao Planeta dos Macacos, que mais parece aquelas séries de super-heróis da década de 60, praticamente recortes dos quadrinhos. Nada contra a “des”animação, mas as histórias que, como disse, até que não são ruins, não compensam os problemas técnicos.

A série é tosca em minha opinião, pois outras séries animadas da mesma época não são (já viu a animação de Jornada nas Estrelas, por exemplo? – mil vezes melhor). Portanto, não, não é a mesma coisa que dizer que os filmes de Chaplin são ruins pois são em preto e branco. Falando em Chaplin, note que TAMBÉM temos as críticas de TODA A CINEMATOGRAFIA dele (todinha, de cabo a rabo). Portanto, pode nos chamar de tudo menos de grupo de críticos que não sabe contextualizar as coisas…

Se quiser passear pelos especiais citados, olha os links aqui para facilitar:

https://www.planocritico.com/especial-charles-chaplin/

https://www.planocritico.com/especial-planeta-dos-macacos/

Abs e volte sempre!

– Ritter.

Responder
Fernalf Andrast 18 de janeiro de 2016 - 05:14

Infelizmente não tive o privilegio de ter vivido nos anos 70 mas compensei nos anos 80. E assim como o amigo, tive o privilegio de conhecer todas as boas produções da época e anterior a ela. O que acontece a produção de planeta dos macacos a serie animada foi, tempo e grana.
A serie tem a animação pobre comparada ao que fizeram em outras produções do estúdio mas, o roteiro compensava sempre. E desculpe mas, Chapolin e Chaves não ganharam a simpatia do público por qualidade visual.
De qualquer forma, foi apenas meu ponto de vista. Abração.

Responder
planocritico 18 de janeiro de 2016 - 14:51

Eu sou um daqueles que nunca gostou de Chapolin e Chaves… Nunca vi graça nos programas…

Abs,
Ritter.

Responder
Guilherme Brendel 2 de janeiro de 2015 - 16:26

Alguma chance de sair uma crítica sua para “O Confronto”? Adoraria ler. Obrigado.

Responder
planocritico 3 de janeiro de 2015 - 20:23

@guilhermebrendel:disqus, pouco provável, pois já temos a crítica de O Confronto aqui no site e não costumamos fazer duas críticas do mesmo filme. Mas eu gostei muito do filme. Fiquei particularmente impressionado com a evolução da captura de performance e com a coragem da Fox em colocar César como personagem principal, sem “humano de apoio”.

Abs, Ritter.

Responder
alex mambulla 26 de julho de 2014 - 11:24

Tá de sacanagem esse cara a série animada é ótima esse cara dever ser um adolescente acostumado com Bob Esponja para poder dizer isso. Esse desenho é um clássico. É uma pena que tenham cancelado a série.

Responder
planocritico 26 de julho de 2014 - 22:16

Verdade. Devo ser um adolescente, Alex! Obrigado pelo elogio! Volte sempre. – Ritter.

Responder
Rafael Gardiolo 19 de julho de 2014 - 05:00

Interessante, não tinha conhecimento sobre a animação. Agora meio off topic, de um assunto que sei que o Ritter Fan não aprecia, mas fiquei curioso com a analise da animação de Jornada nas Estrelas, parecem promissoras, apesar de estar satisfeito com as três temporadas da série original.

Responder
planocritico 19 de julho de 2014 - 20:10

Como eu disse, só se você quiser mesmo esgotar tudo dos Macacos é que vale se aproximar dessa animação!

Sobre a série animada de Star Trek, realmente não sou um grande fã da franquia. Nunca fui. Mas estou tentando mudar. Juro. Reconheço os méritos, mas algum tipo de barreira me impede de apreciá-la em sua plenitude. De toda forma, como uma forma de vencer essa barreira, eu e meus colegas aqui do site estamos planejando um super-especial Star Trek para quando o de Star Wars acabar. Ainda vai demorar, mas será algo extremamente completo, incluindo a animação que você menciona.

Grande abraço, Ritter.

Responder
Rafael Gardiolo 23 de julho de 2014 - 02:12

Sobre Jornada nas Estrelas, eu tinha um enorme preconceito com a série, cai na besteira da rixa entre as duas franquias estelares… Mas meu amor por ficção-cientifica falou mais alto, e cada episódio é um excelente conto de ficção-cientifica, faz com que recorde daquelas revistas “Isaac Asimov”… Admito que o formato de sempre voltar ao status quo ao final de cada episódio da série esta ultrapassado, mas sugiro assistir mesmo como um Twilight Zone. Ansioso demais para esses especiais, é uma noticia melhor que a outra nesse site, enquanto isso vou curtindo o especial de Western, que como Joss Whedon mostrou, Western e Sci-Fi é uma ótima combinação.

Responder
planocritico 23 de julho de 2014 - 18:56

Não tenho exatamente preconceito, até porque vi e gosto de muitos dos filmes baseados nesse universo. Mas nunca tive a oportunidade de mergulhar de verdade no material da série.

Aliás, já que você mencionou Twilight Zone, só vou dizer uma coisa: a série comemora 55 anos esse ano… 😀

Abs, Ritter.

Responder
Rafael Gardiolo 26 de julho de 2014 - 00:51

Twilight Zone!

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