Home FilmesCríticas Crítica | Rogue One: Uma História Star Wars (Sem Spoilers)

Crítica | Rogue One: Uma História Star Wars (Sem Spoilers)

por Davi Lima
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Rogue One

  • Obs: Leiam a crítica com spoilers aqui.

O spin off de Star Wars que quase não deu certo pela sua recompensa ser o negar a si mesmo em prol de outro filme: Star Wars – Uma Nova Esperança. Proporcionalmente, as escalas técnicas de maquete durante todo o longa-metragem funcionam bem mais do que o tratamento humano de dramaturgia. Porém, o seu diferencial, que agrega essa maquete com tanta relevância, é justamente por essa história falar de como a guerra inesperadamente invoca a luta pelo certo moral, não pela causa por si. Nesse auto-se negar do filme é que ele se torna mais do que um conserto de lógica para o roteiro de Uma Nova Esperança, é quase uma justificação o porquê George Lucas pôs essa renomeação posterior ao título original apenas ser Star Wars

Indo mais fundo nesse projeto que ressurge oficialmente Star Wars em legado. Não é apenas por realisticamente Rogue One ser um retrato pós moderno que como se contar Star Wars, e sim por contar a história nas variadas temporalidades de personagens que evidencia um legado que atinge algo bem além que uma narrativa familiar Skywalker. A Galáxia é muito grande, tem um rebelde espião chamado Cassian (Diego Luna) em sua luta desde criança pela Rebelião, uma filha apartada pelo Império Galáctico chamada Jyn Erso (Felicity Jones), filha de do imperial Galen Marek (Mads Mikkelsen) que ignora a guerra civil, e um piloto traidor (Riz Ahmed), convencido pelo bem moral. Nisso, o roteiro escrito explora essas possibilidades em um universo vasto de pensamentos, muitos distintos, mas que por uma espiritualidade soberana, por uma redenção reflexiva de Star Wars envolve todos por uma causa sem filiação política.

Com essa intenção histórica de propor uma espécie de anarquia em meio ao acinzamento estrutural da guerra, em dois polos violentos e moralmente rendidos por suas causas, não é com complemento ou fan service que se faria um apelo dramático com uma circunstância complexa tão bem introduzida. Apesar desse ser bem autoconsciente de sua fanbase, um filme no caso de Star Wars necessita de espírito, os valores da força, e o aprendizado aqui permanece intacto, como um usufruto perambular que enfeita uma obra de guerra, ao mesmo tempo que reproduz o legado cinematográfico de Star Wars.

Por isso, diante dessa mesma modernidade de tratar os dois lados da guerra de maneira simétrica, nessa ambiguidade é posto o ponto nostálgico, um vislumbre claro de conexão de um filme que remete um ambiente de uma obra antiga de 1977, mas aplica seu diferencial pós-moderno de maneira objetiva como compreensão de um filme canônico e contemporâneo em legado. É com a trilha de Michael Giacchino, que não abandona as notas de John Williams sempre no limiar de introduzir seus violinos ou tambores, que se pode entender a proposta de agrado do longa, porém não se abdica de intentar uma identidade. Não há necessariamente um risco, no entanto engrena conscientemente a uma grande narrativa externa, aquela que Darth Vader participa, e por isso ele põe tanto medo. Logo, o feito de fazer para agradar traz consequências, mesmo que o embelezamento aconchegante valha muito a pena. 

Voltando a falar de temporalidade, agora dentro da narrativa específica de Rogue One, existe uma dispersão em como administrar os atos. Por muito tempo há um mistérios nos personagens, mas que não impede a missão. A questão é que a missão em si não revela precisamente, ou objetivamente os sentimentos dessa pluralidade de pensamentos que introduz o filme. É nos diálogos entre eles que fica algo dramaticamente explícito, numa conversa transformante que despenca uma transição para um encerramento concluso demais para um desenvolvimento curto, ou uma introdução alongada. Além disso, a identidade visual de guerra em Star Wars, o mesmo retrospecto que remete aos a trilogia iniciada pelo diretor George Lucas em na década de 70, em um pequeno espaço de tempo e caracterização “wikipédica”, dão um composto genérico em como a engrenagem interna da obra vai tentando compreender qual nostalgia se integra realmente a seu diferencial mais relativista quanto as guerras estelares.

Entretanto, essa identidade é funcional, ordinária, no entanto exclusivo para a denominação spin off. É como o senso de realismo colocado no mundo fantasioso de Star Wars  potencializa-se alguma falta de lógica, enfatizando uma personalidade de um personagem, ou tocando em alguma referência quebrada de uma frase muito conhecida dentro da grande narrativa Skwaylker, que induz ao diferente também, mesmo na repetição incompleta. Dentro dessa linha que Rogue One trilha perigosamente para uma mera reprodução de trilogia, sem voz, mas se salva por contornar certas referências em demonstrar que há sim mais realismo, há mais modernismo nessa obra que soa tão setentista em cenário, mas é realmente de 2016, mesmo que em um universo único de Star Wars.

Por fim a salvação parece torta, realmente mudanças bruscas surgem no último ato em relação ao resto, mas há um esforço de emocionalismo valoroso para conquistar até o mais descrente na empreitada de legado que Rogue One coloca em pauta. O acompanhar de uma guerra em terra e no ar em continuidade permitida pela fotografia, em que as naves são vistosas na grandiloquência do CGI contemporâneo, mas que surgem como um grande merchandising. E mais uma vez, entender a dimensão do tamanho da Estrela da Morte ou do poder de um AT AT é digno do conhecimento aprimorado do que constitui esse universo, tanto dentro de narrativa quanto fora da imersão fílmica. Afinal, os símbolos dos personagens sensibiliza alguém, ou até mesmo a trilha evocativa de esperança genuína. As câmeras, a montagem, não há muita harmonia clara em Rogue One, entretanto a guerra de Star Wars não havia sido melhor retratada em suas dimensões mais reais, mas ainda “starwasticas” em toda a orbitação de um filme produto, mas ainda assim relevante em uma canonização abrangente.

Enfim, as estrelas são sistemas e são pessoas em claro e bom som num filme dentro desse universo intergalático e fantasioso de George Lucas. O que antes estava nas entrelinhas, eis que surge um bom longa-metragem para agregar a franquia e iniciar outros espectadores distantes da fantasia da força que rodeia os Episódios principais.

Rogue One: Uma História Star Wars (Rogue One: A Star Wars Story | EUA, 2016)
Direção:
 Gareth Edwards
Roteiro: Chris Weitz, Tony Gilroy
Elenco: Felicity Jones, Diego Luna, Alan Tudyk, Donnie Yen, Wen Jiang, Ben Mendelsohn, Forest Whitaker, Riz Ahmed, Mads Mikkelsen,  Jimmy Smits, Alistair Petrie, Genevieve O’Reilly
Duração: 134 min.

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