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Crítica | Roma (2018)

por Luiz Santiago
390 views (a partir de agosto de 2020)

Produzido pela Esperanto Filmoj mais a Participant Media e distribuído pela Netflix (exceto na China) Roma é o filme de Alfonso Cuarón que sucede o seu aclamado Gravidade (2013). Fazendo História por ser a primeira produção de distribuição em plataforma streaming a vencer um grande festival, abocanhando o Leão de Ouro em Veneza, Roma se passa no início dos anos 1970, na Cidade do México. Com uma mescla de Amarcord e outros filmes de exploração de ambientes familiares ao longo de um determinado período de tempo (alguns espectadores até podem fazer relações com Fanny & Alexander, mas vale dizer que a abordagem familiar e até social aqui é de outra ordem), Roma é um filme sobre laços. Uma longa memória de infância.

No centro das atenções temos Cleo (Yalitza Aparicio) uma doméstica que trabalha na casa de Sofia (Marina de Tavira). A casa é grande e há quatro filhos, de diferentes idades. No texto, Cuarón assumidamente trabalha com sua memória familiar e dedica o filme a Libo, antiga babá da família. Visualmente, a película é um esplendor. O plano de abertura nos treina para um tipo de contemplação e expectativa que se mantém ativas ao longo de toda a trajetória, com a direção explorando a profundidade de campo, os reflexos, o preenchimento dos quadros com duas ou três ações acontecendo ao mesmo tempo e movimentações sempre elegantes, combinando com a escolha anamórfica para captura (a razão de aspecto simula o 2.35:1, que hoje é 2.39, com larga expansão capaz de destacar bem o espaço cênico ou grandes paisagens).

Considerando que o foco central do enredo é mostrar a “crônica de uma vida”, a assinatura do diretor não deixa escapar essa visão em nenhum momento. Cada plano é brilhantemente pensado e mesmo que na montagem (assinada por ele e por Adam Gough) sobrem cenas de contexto espacial — que às vezes duram mais do que deveriam ou não são realmente necessárias –, a verdadeira marca do filme é o mergulho do público na vida dessa família protagonista e das empregadas da casa, com destaque para Cleo, que recebe em Yalitza Aparicio uma excelente construção de personagem, delicada, introspectiva, absolutamente amável. No filme, ela é tratada com todo o carinho que uma personagem pode ser tratada na tela, e serve como um laço às vezes invisível entre os membros da família.

No desenvolvimento, Cleo é mostrada como alguém que sofre e ama, dois dos polos que vão permear a vida dos adultos e atingirem, de maneira muito forte, os pequenos. Há um delicado e emocionante momento em que a mãe conta algo para os filhos, numa viagem à praia e, na mesma viagem, acontece uma das cenas mais angustiantes e mais inspiradoras da safra 2018 de filmes, recebendo um tratamento poderoso de Cuarón, que também encontra grandeza estética na direção e na fotografia em uma cena de incêndio e noutra de reunião numa fazenda, na noite de Ano-Novo. Acostumado com esse rigor estético desde a primeira sequência, o espectador busca por algo mais no texto. Um ponto diferente da crônica, uma discussão em outra esfera, um foco, caminho, sentido geral maior. Mas o roteiro não arreda o pé de sua inicial deixa. A crônica de uma memória de infância é aquilo que, em tudo, compõe Roma.

O imenso clamor positivo em relação ao filme talvez leve em consideração a reflexão sobre desigualdades que, querendo ou não, é a base da camada ligada a Cleo. Mas não há posicionamento político ou moral do diretor. As relações humanas são tudo o que importam para ele. O significado, a força, a problematização disso aparecem na leitura do espectador, que pode rejeitar tudo isso e ver a obra “apenas” de maneira nostálgica. O fato é que Roma está com os pés muito fundos no solo da realidade do dia a dia. A impressão geral, para mim, foi de um aparato técnico para se aplaudir com muito gosto, mas com um conteúdo que não basta apenas por ser bem narrado.

Os símbolos aqui não são enigmas indecifráveis. As relações pessoais na fita são coisas com as quais podemos nos identificar, e os flertes fellinianos não passarão batido para alguns. Todavia, exposta a situação de vivência de uma realidade, pergunta-se: para onde ela vai? O diário dramático em imagem-movimento de Alfonso Cuarón está abarrotado de cenas exuberantes, todas bem musicalizadas e fotografadas, com uma direção de arte que remete a qualquer casa de avó pelo mundo afora. A atmosfera familiar e a humanidade da temática são patentes. Mas o conteúdo que tudo isso condensa não acompanha a grandeza da forma. Ao longo de 2h15 existe até um certo cansaço pela vertente cíclica com que o roteiro vai abordando as manifestações político-sociais da cidade e as vivências da família. Há muita coisa sobre amadurecimento, natureza humana, empatia e noção de comunidade em Roma. Um olhar para um passado que não parece tão longe assim e que se sustenta nas duas mais velhas colunas que conhecemos desde que nos tornamos um animal social: os muitos tipos de violência… e o amor.

Roma (México, EUA, 2018)
Direção: Alfonso Cuarón
Roteiro: Alfonso Cuarón
Elenco: Yalitza Aparicio, Marina de Tavira, Diego Cortina Autrey, Carlos Peralta, Marco Graf, Daniela Demesa, Nancy García García, Verónica García, Andy Cortés, Fernando Grediaga, Jorge Antonio Guerrero
Duração: 135 min.

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122 comentários

Gabriel Filipe 24 de maio de 2019 - 06:45

Eu entrendo a sua opinião, mas eu fiquei apaixonado pelo filme, acho o Oscar de melhor filme estrangeiro justicimo, mas de longe não era o meu favorito pra categoria principal, o filme que eu realmente gostaria que ganhassse era Pantera Negra, primeiro filme de heróis que acho que merecia um Oscar. Mas quem ganhou não foi nem Roma bem Pantera Negra, foi Green Book, que não e ruim, mas na minha opinião não chega perto de Pantera e Roma

Responder
Luiz Santi🦎Zilla 24 de maio de 2019 - 13:17

É que vai um pouco além de opinião, tem um pouco mais de tutano aí. Na crítica eu exponho elementos narrativos e técnicos dentro da linguagem cinematográfica para marcar a minha opinião. Depois me diga o que te fez gostar tanto desse filme.

Sobre o Oscar, discordo de você. Roma sequer deveria ter recebido indicação para os prêmios de Melhor Filme e Melhor Filme Estrangeiro. Ainda bem que não ganhou o de Melhor Filme e infelizmente ganhou o de Filme Estrangeiro, quando o prêmio na verdade deveria ter ido para o melhor de todos indicados ali: Cafarnaum. Mas é premiação… e premiação (qualquer uma) a gente sabe como funciona…

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Gabriel Filipe 5 de outubro de 2019 - 23:52

Então, faz um tempo que você me respondeu, mas é porque eu não sabia que você havia me respondido, o que me fez gostar muito do filme, além do lado técnico e das atuações, foi o próprio roteiro, ele conseguiu me fazer conectar com essa história mundana e construiu a personagem principal de uma forma excelente, auxiliado a excelente interpretação da Yalitza Aparício, é um roteiro que não constrói uma grande subtramas envolvendo esses personagens para aí eles evoluírem, a evolução vem a partir dos acontecimentos do cotidiano, isso que me pegou, houve apenas um momento no filme que mesmo fazendo muitos meses que vi um filme que eu até agr não entendo pq o Cuarón quis dizer, que uma cena que tá tendo um incêndio e do nada aparece um homem cantando com um figurino extremamente estranho. Não vi Cafernaum, é um filme que me interessa mt ver, mas na minha cidade não passou e é um filme desconhecido então fica difícil achar ele legendado e em boa qualidade na internet.

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Igor Sting 4 de março de 2019 - 01:35

gostei disso, a honestidade da critica, nem sempre um filme bem avaliado pela maioria é certeza que vc vai apreciar o contrario tbm é verdadeiro vc pode estar perdendo uma boa experiência por não ver um filme só pq este foi mal em criticas, gosto é muito subjetivo, eu costumo dizer q eu detesto com todas as forças Murder On The Orient Express, aquele oscar da Bergman não faz nenhum sentido, o plot twist da historia é ridículo e ilógico. ainda bem q eu li And Then There Were None pq senão eu iria achar q tudo da Aghata seria ruim 🙂

Responder
Luiz Santiago 4 de março de 2019 - 11:21

Crítica é um caminho para discussão pelos olhos de alguém que domina aquela linguagem (no caso, a da Sétima Arte). Uma das muitas possibilidades de se ler uma obra. Entre concordâncias e discordâncias, a crítica deve servir de caminhos de debate, apenas. Nunca uma condição para privar ou forçar um espectador por textos positivos ou negativos — nem o espectador deve achar que é assim, porque não é. Bons debates, independente se opinião dos lados é positiva ou negativa diante da obra, são justamente porque as duas partes viram a obra e podem conversar a respeito, sempre com a honestidade na exposição.

Agatha Christie é uma excelente escritora, uma das minhas favoritas. E eu acho o plot twist de Expresso do Oriente algo absolutamente sensacional. A propósito, tem crítica do livro e das 4 adaptações para a obra aqui, está convidado a participar do debate.

Responder
José Werber 1 de março de 2019 - 20:31

Eu achei um espetáculo. Encheu-me os olhos assim como O Cortiço me encheu os demais sentidos. Gosto desse naturalismo cru. Grande obra.

Responder
Luiz Santiago 1 de março de 2019 - 21:42

Mas são realismos de ordem bem diferente… Toda forma, entendi o que tu quis dizer.

Responder
Cacio Frigerio 28 de fevereiro de 2019 - 06:40

Filme fraco. Comum. A fotografia é excelente e só. A história não envolve, os personagens são superficiais.

Responder
Luiz Santiago 28 de fevereiro de 2019 - 09:17

E ainda ganhou o Oscar de Melhor Filme estrangeiro, batendo uma maravilha como Cafarnaum…

Responder
planocritico 28 de fevereiro de 2019 - 10:42

E Assunto de Família também!

Abs,
Ritter.

Responder
Cacio Frigerio 1 de março de 2019 - 15:45

Isso que me deixa mais abismado… O lobby deve ter sido imenso.

Responder
Geovane Marques 21 de fevereiro de 2019 - 21:34

3 estrelas pra essa obra-prima?
nunca discordei tanto de uma crítica deste site como dessa, nossa!
chega a ser um desrespeito dar 3 estrelas pra um filme como esse, mas respeito!

Responder
Luiz Santiago 21 de fevereiro de 2019 - 21:58

Sim, sim, 3 estrelas. Esta é a minha nota.

Não vejo esse filme como uma obra-prima. Bem longe disso, na verdade.

Discordâncias são esperadas. Acontece, especialmente na Arte.

Não, não é um desrespeito. O nome é opinião mesmo, e justificada na argumentação acima. Como disse antes, discordâncias são esperadas, especialmente na Arte. Respeito e desrespeito, nesse sentido moral de “é questionável porque não tem a nota que eu queria que tivesse“, não tem nada a ver com isso.

De sua parte, sinta-se à vontade para construir aqui uma argumentação apologética à obra. Outros leitores já fizeram isso, como se pode observar abaixo. O espaço está aqui pra isso mesmo, será muito bem-vindo!

Responder
Geovane Marques 21 de fevereiro de 2019 - 23:36

“Acostumado com esse rigor estético desde a primeira sequência, o espectador busca por algo mais no texto. Um ponto diferente da crônica, uma discussão em outra esfera, um foco, caminho, sentido geral maior. Mas o roteiro não arreda o pé de sua inicial deixa. A crônica de uma memória de infância é aquilo que, em tudo, compõe Roma.”
“Ao longo de 2h15 existe até um certo cansaço pela vertente cíclica com que o roteiro vai abordando as manifestações político-sociais da cidade e as vivências da família.”

sua crítica faz diversos elogios pontuais ao filme, mas estes argumentos usados como pontos negativos são totalmente os mesmos que o dito “público comum” usa pra dizer que não gosta de obras do tipo…
“ah, eu esperava algo mais, mas esse mais não veio…”
“ah, achei cansativo e longo demais pro meu gosto”
o filme possui SIM, diversas cenas que “sacodem” o público, mesmo que não sejam exageradas ou algo do tipo…
não sei, esperei uma crítica do site em que não houvesse esse tipo de argumento sobre o aspecto negativo, porque na minha opinião é totalmente irrelevante ele ter ou não uma grande catarse ou ter durado menos ou mais do que deveria!
é basicamente isso e torço por ele no Oscar!

Responder
Luiz Santiago 22 de fevereiro de 2019 - 05:34

Quando eu falo bem do filme, eu estou certo e meu texto está digno; mas quando eu falo mal do filme, segundo você, é um texto de “público comum“? Certo, certo.

Bem, então obrigado pela crítica à minha crítica! Estamos aqui para isso também.

Responder
Geovane Marques 22 de fevereiro de 2019 - 13:39

eu não quis focar meu comentário sobre o filme!
fiz uma crítica sobre sua crítica, é tão difícil aceitar?
não vi nada de afetado e não acho que fui contraditório no que falei
sim, sua opinião positiva sobre o filme é legal e a negativa é totalmente comum, algo que o público com a visão menos apurada costuma dizer
talvez outro crítico do site tivesse uma visão diferente e fosse avaliar a obra com as merecidas 5 estrelas!
enfim…

Luiz Santiago 22 de fevereiro de 2019 - 13:40

claro claro claro
rs

Geovane Marques 22 de fevereiro de 2019 - 13:51

e, claro, se você se sentiu pessoalmente ofendido com meus comentários, já que citou um suposto ad hominem da minha parte, peço desculpas!
a linha entre criticar a crítica e o próprio crítico, algumas vezes, fica bem tênue! 🙂

Luiz Santiago 22 de fevereiro de 2019 - 13:52

Eu já reajustei o comentário, fique tranquilo! Sim, é uma linha tênue. Mas não me ofendeu. Eu só não concordo com absolutamente nada do que você escreveu e aparentemente você só concorda com o que eu escrevi de positivo do filme. Faz parte do jogo de comentar e comentar, coisa mais normal do mundo. É para isso que estamos aqui também! 😀
abs

Geovane Marques 22 de fevereiro de 2019 - 13:53

não foi aparentemente, eu realmente só concordo com as partes positivas do seu texto
na minha visão esse filme não tem defeitos, nem ao menos esses que você citou…
não achei nada cansativo e nem vi problemas no foco dado as trivialidades cotidianas!
mas essas discordâncias são parte do negócio, tá tudo certo! hehehe

Luiz Santiago 22 de fevereiro de 2019 - 15:25

Cinema faz isso com a gente! hahahaahahahahhhaha

planocritico 22 de fevereiro de 2019 - 16:08

Só para o @luizsantiago:disqus não se sentir sozinho e abandonado, eu concordo 100% com a crítica dele. Roma é o clássico filme que é forma sobre substância, algo que Cuarón já fez antes de maneira muito mais interessante em Gravidade. É sem dúvida um filme visualmente lindíssimo e…. só…

Abs,
Ritter.

Luiz Santiago 22 de fevereiro de 2019 - 21:36

Mais um pro time!!! ❤

Geovane Marques 22 de fevereiro de 2019 - 14:05

pode ser meio infantil e bobo, mas as 3 estrelas realmente me incomodaram mais do que deveriam haha

Luiz Santiago 22 de fevereiro de 2019 - 15:26

Quando a gente fica muito apaixonado por um filme, a gente se arma todo! Eu sei a sensação!

Andre Bonfim 21 de fevereiro de 2019 - 15:18

Comecei a ver o filme e lembrei muito da minha mãe com a casa toda bagunçada e não dava conta dos 4 filhos e aquele quintal todo sujo que ninguém limpa. rs Muito real, entrei de cabeça na estória.
Gostei!.

Responder
Luiz Santiago 21 de fevereiro de 2019 - 15:31

Em termos de aproximação com alguns eventos da nossa vida, de fato, nos faz mergulhar na história em alguns pontos…

Responder
Ana Cecilia Bruni 26 de janeiro de 2019 - 13:11

Bem coerente a nota 3 estrelas, concordo! A Favorita é superior e torço por ele neste Oscar.

Responder
Luiz Santiago 26 de janeiro de 2019 - 13:26

A Favorita é definitivamente superior a esse aqui…

Responder
Stella 24 de janeiro de 2019 - 14:04

ótima crítica. Roma é um retrato da vida cotidiana e ordinária que muitos pobres possuem. A elite caviar ou pseudo intelectuais, e intelectuais também, que vivem distante dessa realidade, vê este como um prato cheio , que só gostam de enxergar essa realidade de longe quase como um zoológico humano talvez, agora entendo tanta exaltação.

Por isso concordei com a nota, está mais do que suficiente, é bonito ver um filme em preto e branco e cru, praticamente quase sem trilha sonora, e com uma fotografia bonita. Pode até se no passado como você falou no final da critica, mas não mudou quase nada pelo menos na América latina.

Responder
Luiz Santiago 24 de janeiro de 2019 - 22:16

Obrigado, @disqus_9KZLz8G0wg:disqus! E pelo visto tivemos a mesma visão geral sobre o filme. É aquela obra que encanta os olhos mas sinceramente… até agora tenho dificuldades para entender o motivo de tanta exaltação ao “conteúdo” ou “roteiro” desse filme. Sério. Tema de um meio-ciclo de ações que raramente se completam. Revestido de contemplação quando na verdade não é bem isso… Fora o mar de hipóteses e teorias de fãs que dão ao filme aquilo que ele não tem e muitas vezes, sequer aludiu. É complicado. Eu entendo o apelo, mas o nível de engrandecimento que essa obra está causando… difícil…

Responder
Stella 24 de janeiro de 2019 - 22:20

É como falei, geralmente são os pseudo intelectuais e um publico seleto endinheirados ou classe média alta. Que sentem simpatia pela vida que o pobre leva, mas claro só de longe kkkk vendo como um zoo humano, estão enxergando até complexidade demais.

Responder
Daniel Barros 20 de fevereiro de 2019 - 06:55

Concordo em tudo o que disse.

Responder
planocritico 22 de fevereiro de 2019 - 16:08

“Zoológico humano”. É bem essa sensação que passa, @disqus_9KZLz8G0wg:disqus .

Abs,
Ritter.

Responder
Al_gostino 23 de janeiro de 2019 - 11:08

Assisti ontem….tecnicamente o filme é perfeito, é literalmente uma obra de arte e tem “cara de Oscar”…..a protagonista é um primor, gostei demais da atuação natural dela, vc pega amor na personagem…mas é um filme que fica a sensação de que vc espera que algo grandioso vai acontecer a qualquer momento, mas que não acontece (tirando a sequência do SPOILER parto claro) ….não sei…ele é tão frio, tão cru, tão “preto no branco” que acaba sendo um espetáculo, uma experiência bem diferenciada….eu gostei bastante e se ganhar o Oscar, será merecido…abs

Responder
Luiz Santiago 24 de janeiro de 2019 - 22:16

Visualmente é, de fato, uma obra maravilhosa…

Responder
Cesar 7 de janeiro de 2019 - 21:55

Fui ver Roma depois dos prêmios que o filme que levou no Globo de Ouro, e terminei com a mesma sensação que vc, Luiz. Foi uma otima experiência, esteticamente soberbo, e tendo na Cleo uma personagem que rapidamente vc se apega, mas sinceramente, esse é um daqueles filmes que nao surgirá em mim nenhum desejo de vê-lo novamente.

Responder
Luiz Santiago 8 de janeiro de 2019 - 00:31

Pois é, mermão. Mas parece que o nosso time é o que “está perdendo” em relação a esse filme… A maioria realmente amou-amou.

Responder
Alessandro Silveira 3 de janeiro de 2019 - 15:51

Achei um tipo neo realismo italiano pasteurizado, bela crítica e bela visão, pois este é outro filme que entrará para a categoria dos superestimados ao máximo.
Como falaste, muita forma, aliás beira o pomposo e o extravagante, mas o conteúdo bem ralo.

Responder
Luiz Santiago 3 de janeiro de 2019 - 20:55

Eu realmente gostei da parte técnica. Mas isso sozinho acaba não funcionando, né? Ah, se o diretor conseguisse aliar as duas coisas. É um filme que poderia ter um caminho bem diferente…

Responder
Guilherme de Almeida 21 de dezembro de 2018 - 20:02

Minha vida tá tão louca que só consegui assistir ao filme agora. E dessa vez discordo bastante de você, Luiz. Roma é ótimo.

Eu realmente não acho que o roteiro esteja restrito ao gênero da crônica, e muito menos que a forma- exuberante- não encontre respaldo no conteúdo. Em primeiro lugar, não acho correto pensar o enredo como um mero acúmulo de episódios que remetem a uma memória da infância, se por “acúmulo” entendermos que as sequências apenas se somam sem formar um todo simbólico- que a meu ver existe e é muito potente. Creio inclusive que a impressão de drama episódico é apenas aparente. Isso porque os temas são tratados com muita consistência e beleza, e são de tal maneira amarrados que criam ressignificações, ecos, rimas conceituais e visuais. Alguns exemplos:
-> A presença da água, ao longo de todo o filme, vai incrivelmente absorvendo novos sentidos a ponto de água tornar-se metáfora estrutural da obra inteira. Ela é o significante da limpeza, a atividade da protagonista; aparece também quando a bolsa estoura e no meio da viscosidade da placenta; na bela cena do mar, sua força chega ao auge, momento em que o parto malogrado é revertido, como se o mar fosse um grande útero do qual se salvam as crianças.
-> Como no começo de “Melancolia”, o carro que não consegue passar pelo corredor sintetiza visualmente os problemas na relação do casal. Quando a mãe decide se livrar do passado e viver uma nova vida, troca de carro, apontando assim para o desejo de superar a perda do marido.
-> O belo plano inicial mistura, por meio de um jogo de reflexos, chão e céu, alto e baixo, imagem várias vezes repetida com a ajuda da inclusão de escadas no espaço cênico, e pelo núcleo duro do conteúdo: a diferença de classes.
-> As panorâmicas, ao recusarem o corte, aumentam a sensação de grandeza da mansão, o que de novo toca a questão das disparidades econômicas.

Esses detalhes, repisados durante toda a duração, garantem unidade de sentido apesar da aparente falta de coesão. Quando o detalhe deixa de ser só isso, quando vira emblema de um conteúdo maior, ele transcende sua aparente insignificância. E cada escolha formal- e sobretudo a composição dos planos e os enquadramentos- parece expressar com rigor os temas subjacentes à obra, e nesse caso não é lícito acusar o Cuarón de tecnicismo descolado de substância. Penso, inclusive, que Roma é um “Que horas ela volta” bem feito, do ponto de vista da estética e do roteiro, que nesse caso fica mais sutil e menos didático.
(Apesar disso, acho que algumas sequências não funcionam muito bem e poderiam ser excluídas. Toda a parte do encontro das famílias numa fazenda, onde há o incêndio, é quase gratuita.)

Uma pergunta: a que você atribui o título do filme? Aos toques fellinianos?

Responder
Luiz Santiago 22 de dezembro de 2018 - 09:29

Definitivamente tivemos leituras muito diferentes do filme. Gostei dos pontos que você levantou, concordo com o sentido primário dos significados (pelas nuances estéticas ligadas a um diálogo do diretor com o público, com o filme) mas não isso como um engrandecimento ou colocação do roteiro do filme num bom patamar.

Sobre sua pergunta, primeiro eu tomei mesmo como uma referência direta ao Fellini, pela base do filme. Depois, quando descobri que o nome do bairro onde a ação toda se passa é Colonia Roma, e que o filme dá essa dimensão espacial à ação, acabei gostando mais dessa visão e deixei a ligação felliniana de lado ahahhahahahahahahhahahahahahah

Responder
Guilherme de Almeida 22 de dezembro de 2018 - 09:59

Não sabia que o nome do bairro é Colônia Roma!!!!!!!!
Agora tudo faz sentido!!!! Eu tava aqui contorcendo os miolos pra tentar explicar a relação do título com a obra hahahahaha

Responder
Marcelo Lacerda 23 de janeiro de 2019 - 13:25

Eu associei o título do filme à leitura da palavra de trás para frente: AMOR.

Responder
nuwgott 2 de janeiro de 2020 - 22:47

Adorei este comentário.

Também achei Roma um filme belíssimo, e acredito que muitos latinos que vivem nos Estados Unidos amaram o filme, pois o mesmo é quase como um retrato de uma época. É um filme que se traduz mais significativamente como um retrato. Tal como quando temos em mãos uma imagem: um momento cristalizado, em nossa mente aquela imagem ganha vida e recordamos os eventos que lá ocorreram. O filme, por tanto, não tem necessidade de uma narrativa que nos indique uma história, pois todo ele é uma reconstrução de um passado.

Embora com técnicas e formas diferentes, eu tive uma sensação semelhante ao assistir esse filme de quando li Absalão, Absalão de William Faulkner. Chega um ponto que você não está mais interessado no conteúdo, mas na assimilação de como dado momento é percebido. Então, o filme se mostra um espetáculo de percepção da vida, daquela vida. Cada frame tem inúmeras narrativas que pertencem ao momento. A cena do incêndio, por exemplo, vimos em único frame, como alguns membros da classe alta contemplavam o incêndio enquanto bebiam champanhe, como alguns outros desses membros estavam preocupados com seus filhos mas passando a responsabilidade para as empregadas, como os trabalhadores e camponeses de fato lutavam contra o incêndio, enquanto que algumas crianças apagavam chamas insignificantes… enquanto Cleia estava lá, inserida, e um homem pago para ser o mascote da festa, diante de tudo aquilo, passa a cantar. É um momento por si só, e maravilhoso.

Há um comentário mais acima que diz que “quem gosta deste filme são pseudo intelectuais que pertencem à elite…”

Concordo e discordo. Podemos nos perguntar por qual motivo Cuaron, ao tentar expressar o mundo em que cresceu, preferiu fazê-lo na ótica da empregada. Há um voyeurismo narcisista social aqui? Pois, de certo modo, a infância do direito se torna ainda mais privilegiada quando vista na perspectiva de quem estava tão próximo dele e possuía tão pouco. Acredito que muita gente que pertence a uma suposta elite tem o mesmo tipo de regojizo, pois há uma tendência a demonstrar a vida no pobre não no mundo do pobre, mas a do rico. No Brasil temos vários exemplos de filmes que focam em empregadas domésticas que seguem a mesma estrutura.

Eu confesso que isto me incomodou, mas, ao mesmo tempo, é uma suposição minha, carregado com meus preconceitos. Não acho suficiente para desmerecer a obra, de forma alguma. Inclusive, se o filme de Cuaron fosse focado na experiência dos membros da família, talvez eu me incomodaria mais ainda.

Responder
Teco Sodre 20 de dezembro de 2018 - 19:49

Então… eu achei ROMA um filme belíssimo, de uma sensibilidade absurda e com uma qualidade técnica apuradíssima. Daria mais estrelas porque se trata mesmo de uma obra única, forte e marcante. Minha nota é 4,5 estrelas e eu só não curti mesmo no filme aquele take final porque achei que poderia ter um desfecho mais memorável. Mas, que é puta filme lindo e doído de se ver, isso é!

Responder
André Tonon 20 de dezembro de 2018 - 21:36

Olá, na minha análise, o melhor filme do ano. O poder de imersão desse filme é incrível.

O destaque aqui vai para o trabalho de direção e fotografia de Cuarón, que opta por manter uma câmera sempre estática e movimentá-la de forma delicada, preocupado em interferir o mínimo possível naquele ambiente. A câmera observa tudo, mas nunca interage. Perceba que ela sempre mantém uma distância segura dos personagens, dificilmente os encarando em planos mais próximos e optando em filmá-los em planos gerais e mais abertos.

É por meio desses artifícios que, sem perceber, acabamos totalmente integrados aquela família e a compreender suas nuances, como a estranha sensação de sentir-se amada, mas ao mesmo tempo distante daqueles com quem convive. É nítida a boa relação que a família mantém com a empresa, como também é nítido o abismo social que os separa, e de certa forma também o mantém.
Fiz a crítica completa em https://luiztonon.blogspot.com/2018/12/roma.html

Responder
Luiz Santiago 19 de dezembro de 2018 - 11:15

Lindo ele é mesmo, isso é inquestionável.

Responder
Luiz Santiago 18 de dezembro de 2018 - 14:22

Com certeza foi produtivo! Isso é que é o gostoso de discordâncias civilizadas em se tratando de cinema. Cada um esclarece os pontos de vista e vamos trocando impressões. Isso é ótimo!

Responder
Aquele Cara 18 de dezembro de 2018 - 13:27

Boa critica, só errou ao afirmar que teve cenas bem musicalizadas (o filme não tem música, o que eu aqchei corajoso e ponto fortissimo).

Achei o filme sem propósito, apesar de bem intencionado. Sendo babaca, considero que a historia da Cleo não era tão interessante assim (excetuando a sequencia final, quando SPOILER ALERT entendemos o que fazia o ex namorado e vemos o desfecho da gravidez, mas isso não é um plot twist nem vale o filme).

É foda assumir que um filme com fotografia tão boa e tão bom tecnicamente é na verdade apenas mediano.
Um ótimo candidato a roubar o prêmio de melhor filme esta temporada de filmes mais robustos.

Responder
Luiz Santiago 18 de dezembro de 2018 - 14:17

Então, na verdade, o filme não tem uma trilha sonora, mas tem musicalização sim. Por isso que eu escolhi justamente esta palavra na crítica. São pontuais, bem pensadas e bem colocadas nas cenas certas. Gostei de todas.

Quanto ao restante, eu concordo contigo, @disqus_GB67mSP5R5:disqus. É um filme de um esplendor técnico mas o roteiro… é até chateante pensar isso, como você disse, algo tão bom na estética ser apenas mediano em termos de história. Mas bastante gente tem gostado imensamente da obra…

Responder
Luiz Santiago 18 de dezembro de 2018 - 08:28

Por ciclo, eu quero dizer exatamente o que isso significa, não é uma colocação simbólica nesse caso. Em roteiro, a ideia simples de: uma sequência de eventos que se repetem, repetem, repetem, até reiniciar, sob leve mudança e voltar a se repetir, repetir, repetir. E voltar a se reiniciar e repetir…

Discordo 100% de que Amarcord é isso. Qualquer coisa que Fellini dirigiu é justamente o extremo oposto disso. Não há sequer um ciclo em Amarcord!

Interessante que Boyhood também tenha te impressionado tanto. Faz sentido, na verdade, com o quão impressionado você ficou com esse Roma, embora Boyhood tenha um bom roteiro (tem erros, mas é um bom roteiro), o que não é o caso de Roma. De toda forma, nossas leituras sobre essas obras são bem diferentes.

Responder
jv bcb 18 de dezembro de 2018 - 13:27

O que entendi de ciclo foi justamente isso, mas não consigo ver isso sendo aplicado em Roma, como disse, acho que o roteiro está sempre mostrando novas situações da rotina da protagonista, retratando várias facetas daquele universo. As repetições em Roma ao meu ver são muito pequenas, apenas para retratar a sensação de rotina, mas sem se ancorar nelas, não vejo as situações se repetindo como você viu. Também não acho que Amarcord seja ciclico, mas como também não acho que Roma seja não consigo ver um ponto que diferencie um do outro nesse sentido.
De qualquer forma, cada um com sua opinião, ao meu ver esse debate foi bem produtivo.

Responder
Luiz Santiago 17 de dezembro de 2018 - 23:08

É uma boa observação. Faz sentido.

Responder
Gabriel Carvalho 17 de dezembro de 2018 - 22:59

Só assistirei dia 26, porque assegurei minha sessão no cinema – acho que é mais justo com a obra -, contudo, percebi, como o @disqus_upMc2OBvWn:disqus apontou ser o seu caso, MUITAS críticas extremamente negativas, até mesmo transformando o filme em uma obra muito ruim, por causa de um viés moralmente questionável. O que pensa disso, Luiz, não apenas nesse caso, mas também no geral?

Acabou lendo alguma coisa pela internet sobre?, porque acredito que esse não foi esse o seu caso e sim um vazio no conteúdo. Muitas obras acabam caindo em pensamentos do tipo, como o A Culpa – que você criticou aqui no site -, caso onde vi comentários se referindo ao filme como uma legitimação da violência doméstica, uma reiteração da descrença nos relatos de abuso, de ataques físicos. A minha discordância é completa para isso. Acha que existe algum tipo de histeria nessa questão? Acho que vale até mesmo todo um estudo acerca dessas novas visões sobre o cinema – La La Land como apropriação cultural da cultura do negro é outro exemplo, assim como Me Chame Pelo Seu Nome ser uma obra retratando a homossexualidade de forma higiênica, elitista.

Não existe uma criação um pouco arbitrária demais para rótulos sendo colocados em recortes? O contexto pode dizer alguma coisa, uma reiteração das mesmas temáticas e abordagens, mas a obra diz alguma coisa? Porque eu não acredito que o Cuáron pensaria na legitimação das classes como intransponíveis. Será que uma obra sobre algum assunto delicado precisa tratar o assunto delicado da maneira como gostaríamos que fosse tratado? Eu, por exemplo, não acredito nos heróis do Clint Eastwood, como no caso do Sniper Americano, mas o acho um filmaço, entendo perfeitamente essa não-ambiguidade que ele ameaça criar mas não cria sobre o protagonista, transformando-o em um herói destruído, contudo um herói ainda assim, e sei que nisso você discorda de mim, porque li sua crítica do filme e compreendo perfeitamente. E isso é um caso que assumidamente vai contra a minha posição política e os meus ideais, não acredito ser a situação das demais obras citadas aqui, tudo coisa de esquerdista caviar mamando da Lei Rouanet.

Queria ler mais sobre esse assunto, porque não costumo ver posições que se esforcem a contrariar ou realmente pensar não apenas essas ideias, como também o fenômeno que leva amantes do cinema, os mais politizados principalmente, a enxergarem a arte, algumas artes, dessa maneira, acho que de um ponto de vista muito mais vilanesco do que qualquer outra coisa.

Abraços!

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Luiz Santiago 18 de dezembro de 2018 - 00:39

@disqus_HrYi9xZvdi:disqus a principal questão aqui é ser honesto com a análise que se faz, não esconder caminhos utilizados e fazer os apontamentos do lado pessoal e da leitura da obra que, como você bem sabe, nunca é isenta ou neutra. E é muito estranho que em 2018 ainda existam pessoas que realmente acreditam que uma CRÍTICA é algo neutro.

Você citou a minha crítica de Sniper Americano. Em nenhum momento eu escondo particularidades ideológicas. Não tenho medo ou vergonha de expor o que penso. Mas note que a minha análise não é estruturalmente condicionada ao apego a referências político-pessoais. Por que elas têm destaque? Ora, porque Sniper Americano é um filme político. Ou não é? O que se espera que um crítico faça diante de um filme político? Você certamente já viveu isso quando escreveu sobre O Processo. Ritter já passou por isso quando escreveu sobre O Mecanismo e tantos outros. O próprio Rodrigo, que você cita, já passou por isso quando escreveu sobre Gran Torino. E eu vivo isso o tempo todo porque escrevo constantemente sobre obras de cunho político ou socialmente “polêmico”, como você bem sabe.

No meu pensamento, se um crítico vai analisar algo nessa categoria, ele tem a OBRIGAÇÃO de ser honesto. Se algo vai ter um peso acima da média na condução de sua leitura. Isso pode vir através de uma mea culpa na introdução (Villaça faz isso diversas vezes, e é uma postura corretíssima); de uma condução que deixe claro a separação virtual (grife as duas últimas palavras) dessa visão pessoal durante a análise; ou de uma contextualização e reavaliação do próprio pensamento em notas, considerando diversos pontos de vista quando eles estão em conflito em você mesmo (leia o que escrevi nos 3 primeiro parágrafo de Tempo de Cavalos Bêbados, que é um caso extremo desse exemplo: https://www.planocritico.com/critica-tempo-de-cavalos-bebados/).

Aí passamos para a problemática levantada, pois agora fica mais fácil.

Se um indivíduo julgou uma obra e fez uma leitura inteiramente negativa só porque a obra não condiz com seus ideias, esse indivíduo não fez crítica. Alguém pode claramente rejeitar as idias do filme (o oposto também é verdadeiro, só pra constar), pode conduzir uma leitura de ponha essas ideias na mira se elas forem a temática central do filme, mas desconsiderar tudo o que se tem a obrigação de levar em conta, em linguagem cinematográfica, para criticar um filme, só porque “não combina com as suas ideias”, isso não é crítica. É um texto de diário pessoal. Uma confissão. Um desabafo. Mas crítica não é.

Quanto às IDEIAS discutidas, eu não me importo. O que não significa que eu não me incomode. Acontece até aqui mesmo no Plano Crítico. Por mais absurdas que sejam, as ideias são cabíveis dentro de uma crítica e o autor precisa usar o seu espaço para justificar essa leitura. Se eu vou concordar ou discordar dessas ideias ou mesmo da análise do indivíduo, aí é outra história.

Importante não misturar as coisas e nem cercear isso, achando que crítica deve ser um documento científico, sem expressões e leituras particulares. Balela. Se eu quisesse ler algo IMPESSOAL sobre um filme eu leria a sinopse. Crítica é um filtro humano, um caminho para a discussão de uma obra que pode ou não ir de encontro ao que eu penso. Se bem escrito, o texto me permite discordar, fazer perguntas, conhecer mais, trocar ideias, crescer, mesmo que eu não concorde com nada que o autor escreveu (aliás, é imensamente prazeroso discordar de quem escreve e argumenta bem, por motivos óbvios: o papo é inteligente). Se mal escrito — ainda mais quando tem ideias que a gente considera estúpidas — é só mais uma manifestação de vergonha alheia para a qual devemos fazer igual aos pinguins de Madagascar: sorrir e acenar.

Resumo do Textão (para preguiçosos):

1 – Uma obra de arte é boa ou ruim por questão estética + um contexto narrativo intrínseco. Não unicamente (grifo) porque diz ideias que a gente concorda ou discorda.

2 – Não existe crítica isenta ou neutra. Quem diz que faz isso é mentiroso. E quem cobra isso é patologicamente ingênuo.

3 – Se a temática de sua crítica for polêmica e isso vai ser o tom central do texto, é obrigação do autor ser honesto e deixar clara a sua visão para seguir analisando a obra pelo que ela é, a despeito de sua concordância ou discordância com as ideias da obra. Se isso não for o tema central do texto, ele está livre dessa obrigação, pois o peso não é relevante.

4 – Ideias bobas, estúpidas e questionáveis são parte do jogo. Elas existem porque pessoas pensam de forma diferente. Entendem o mundo de forma diferente. E podem se expressar, justificar o que pensam. Se a gente vai concordar ou não com o que a pessoa escreveu, é outra coisa. Mas o direito de manifestar deve ser dado. Mesmo que seja a bobagem mais idiota possível. A pessoa tem a liberdade de falar e nós, a liberdade de discordar. A máquina segue funcionando.

5 – Todos nós amamos e odiamos tags. Classificações. Etiquetas. Títulos. Termos. Classificações. Caixinhas. Rótulos. Em artes, isso é extremamente comum. E funciona em uma via de mão dupla: um pouco de contexto & classificações históricas + muito de arbitrariedade. É normal. O que não significa que é ideal. O comportamento diante disso deve ser igual ao do item 4.

Acho que é “só”. Beijo no nariz.

https://uploads.disquscdn.com/images/d1ae0202e4c5386482f029287593c2e10f2e12e8b550c1263b9156f92042a558.png

Responder
adrianocesar21 17 de dezembro de 2018 - 17:11

Queria comentar algo mas soaria como spoiler.. mas ficou a impressão que o final da sequencia da consulta no hospital e o brinde na festa dos empregados eram “avisos de mau-agouro” do que viria a seguir…

Responder
Fórmula Finesse 17 de dezembro de 2018 - 15:33

Vou tentar assistir novamente, a demora nos créditos iniciais, a moça entrando no cenário do Chaves e passando se alguns segundos até sair e o lento vagar pela casa dos patrões foram minando minha (pouca) paciência do dia…reconheço que eu não estava na sintonia, vou tentar novamente com um estado de espírito mais relaxado – rsrsrsr

Responder
Luiz Santiago 17 de dezembro de 2018 - 15:37

@frmulafinesse:disqus o filme realmente vale a pena ser visto. Recomponha a paciência e dê uma chance. Como você já deve ter pegado aqui nos comentários ou na crítica, não sou fã desse roteiro, mas cara, a direção e a fotografia desse filme… Jesus Cristo… que coisa mais linda.

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Fórmula Finesse 17 de dezembro de 2018 - 15:42

Tenho certa ranhetice com filme preto-branco, que associo com “atalho fácil” para ganhar status de grande arte…claro, A Lista de Schindler não conta – rsrsrsr

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Luiz Santiago 17 de dezembro de 2018 - 15:46

Quando bem utilizado, não tenho problema nenhum com a escolha. Mas precisa fazer sentido. Aqui faz, posso garantir. Na verdade, foi uma baita escolha acertada do diretor.

Responder
Wendell Santana 18 de fevereiro de 2019 - 14:47

Seria a escolha do preto e branco uma forma de deixar o filme mais pessoal e ajudar na imersão da audiência para que ela se sinta dentro da história? Se foi por isso, funcionou e muito comigo. Que filme lindo de se assistir, mas confesso que esperei algo mais dramático no ato final.

Luiz Santiago 18 de fevereiro de 2019 - 18:44

Este foi um dos motivos. Aqui, a intenção é a ideia lírica (de evocação nostálgica do passado) e de enquadramento desse passado de maneira mais forte, algo que a cor certamente minaria…

Al_gostino 23 de janeiro de 2019 - 11:19

RSRRS tudo o que acontece fora da vila do Chaves é esse filme rssrsr

Responder
Fórmula Finesse 23 de janeiro de 2019 - 19:22

Aff…isso não é muito animador – rsrsrsr

Responder
Luiz Santiago 17 de dezembro de 2018 - 15:32

Não acredito que estão passando esse filme na URSAL também! AHUAHUAHAUAHUAHUAAUAHUHAUHAUAHUAHUAHAUHAUHAHAU

Aê kamarada Guns, veja só que (nunca antes na História desse país) chegamos no mesmo lugar, hein. Técnica primorosa, roteiro de menos, um bom e sólido resultado final, mas nem de longe algo a valer esse clamor todo diante do filme, ao menos pelo meu ponto de vista.

Claro que tem muitas cenas emocionante e tão bem dirigidas que se destacam rapidamente, se elevam às alturas. Mas pega a estrutura desse roteiro… Gente, não dá… sério… Não consigo encontrar um caminho para ver essa “proposta de contemplação” que faça com que essa narrativa seja “primorosa”.

Acho que foi o filme dos últimos anos que mais falei “concordamos em discordar”. Aqui em casa, já rolou até briga, porque meu irmão virou tiete do filme… E eu só com cara blasé pra ele… “really, bitch, really?”.

Responder
Rodrigo Pereira 18 de dezembro de 2018 - 11:41

Tu que não sabes, Mestre Jedi, mas esse filme estreou há quase um mês na URSAL graças aos nossos grandiosos contatos no mundo cinematográfico hahahahahahahaha

Não sabe o alívio que tive ao saber que não fui o único que não achou o filme essa maravilha toda. Não pode ser considerado ruim, longe disso, é um bom filme, mas obra prima como muitos apontaram é exagero. Acho que a discrepância entre o roteiro e a técnica tornou tudo ainda mais evidente.

Apesar de ter cenas de tirarem o fôlego, o filme tem tantas outras bem mais ou menos que nem a melhor cena já feita na história do cinema conseguiria segurar. Fui com a expectativa altíssima e me decepcionei.

Responder
Luiz Santiago 17 de dezembro de 2018 - 10:37

O Grande Conselho dos Fora de Foco vai caçar sua licença ahhahaahhahahahahahahhahahahah

Responder
Rodrigo Pereira 17 de dezembro de 2018 - 08:00

Tive a mesma impressão ao assistir o filme: esteticamente (e tecnicamente) maravilhoso, mas com roteiro que parece não acompanhar toda a qualidade técnica. A primeira hora, principalmente, achei que tomou tempo demais pra conteúdo de menos.

Fora o que comentei contigo antes: a relação patrão empregado romantizada. Senti um incômodo ao longo de toda a obra com isso. “Te amamos, Cleo, mas, além de ter que dormir no local de trabalho, teu lugar é no quartinho fora da casa” ou “assiste TV com a gente, Cleo, mas antes me faz um suco e lava a louça para vosso amo”. E ela faz tudo de bom grado sem jamais demonstrar nenhum descontentamento (e que atuação da Yalitza Aparicio, inclusive).

No geral, tem seus momentos (as cenas que citou são ótimos exemplos disso), mas a técnica é muito superior ao conteúdo apresentado. https://uploads.disquscdn.com/images/9c1f8478ac87021417e495b08adc0e62ecd1240cf8ddbb617dffcb29a31446a5.png

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jv bcb 20 de dezembro de 2018 - 03:22

Mas essa é justamente a intenção, eles dizem que ela faz parte da família, mas a tratam como uma mera empregada, é uma crítica. O filme constante fala das diferenças de classe, como na festa de natal(ou era ano novo, não lembro), em que os empregados comemoram em outro canto, afastados dos patrões, ou na cena em que a família ta assistindo televisão, a Cleo ta junto, fazendo carinho nas crianças, então a mãe pede para que ela traga um chá para o marido. Não é romantizado, é justamente o oposto, o filme faz várias dessas críticas através de ilustrações da realidade dos personagens, sem o uso de diálogos, a relação das duas só começa a se estreitar mesmo quando ambas são abandonadas com seus filhos por homens, o que é uma forma do filme discursar sobre como a figura feminina é tratada na sociedade, mas mesmo assim a relação patroa e empregada continua, provavelmente vindo a diminuir depois da Cleo salvar as crianças na praia. Parece Que Horas Ela Volta, só que sem a vilanização da patroa, o que torna as coisas mais ambíguas.

Responder
King Crimson 7 de janeiro de 2019 - 07:44

Boa observação. A cena em que ela estava de boa assistindo TV e pedem para ela trazer um chá me deixou incomodado. Aliás, a Cleo trabalha de manhã cedo até à noite. Trabalho escravo disfarçado de empregada. Com certeza é um filme sutil em suas críticas, mas elas estão lá.

Responder
Luiz Santiago 17 de dezembro de 2018 - 01:41

CALMA AÍ, VOCÊ NÃO É O CRÍTICO OFICIAL DO FILME FRANCÊS PRETO E BRANCO FORA DE FOCO??????????

Responder
Marcelo Sobrinho 17 de dezembro de 2018 - 07:23

Pedi licença do cargo para presidir o fã clube intergaláctico do Iñarritu! Hahahahahaha

Responder
Cahê Gündel 17 de dezembro de 2018 - 00:52

Essa nota só não é mais absurda que o 2,5 – DOIS FUCKING E MEIO!!!!!!11 – de Dunkirk hahahaha Pra mim tá no top 3 do ano, junto com A Favorita e Primeiro Homem.

Responder
Luiz Santiago 17 de dezembro de 2018 - 01:06

Marrrrmininu, é “absurdo” porque você gostou do filme e não concorda com a nota. Opinião, que chama. Pessoas diferentes dão notas diferentes para filmes. Mundo é grande. É no mínimo esperado que isso aconteça.

Mas vamos para o que realmente importa. Conte-me mais sobre o por quê, na sua opinião, essa “nota absurda” não representa Roma e por que ele já está no seu TOP 3 do ano. Fale o que achou do filme.

A propósito, para início de uma troca de impressões reais, você conseguiu ler o texto ou ficou tão chocado que passou reto?

Responder
Marcelo Sobrinho 17 de dezembro de 2018 - 07:21

Passou reto. Viu minha nota em Dunkirk, não leu a crítica e deu siricutico. Viu sua nota em Roma, não leu a crítica e deu siricutico 2.0. Hahahahahaha

Responder
Cahê Gündel 17 de dezembro de 2018 - 09:28

Eu sempre leio antes de ver a nota hahaha. Li duas vezes, na época em que saiu a crítica e agora, depois de ver o filme. A minha opinião é a mesma do Handerson Dornelas: o filme é um retrato da vida cotidiana, ordinária; por isso não acho que faltou conteúdo, já que criar uma narrativa convencional nunca foi o objetivo aqui.

Responder
Luiz Santiago 17 de dezembro de 2018 - 10:34

Mas você acredita que esse formato é realmente o bastante para construir um filme sobre a vida cotidiana?

Não lhe parece frágil a visão de que, ao querer representar o cotidiano, faz-se uma contemplação cíclica e sem nenhuma quebra dramática dessa “visão dos dias da vida” e tudo bem? Minha pergunta vai na forma de entender mais a fundo o pensamento. Porque se a gente utilizá-lo aqui, inclusive com essa leitura que você fez, de que a intenção não foi criar uma “narrativa convencional”, eu acho que se abre as portas para coisas não tão legais no cinema. Ou o que salva o filme é mesmo a gloriosa estética e, por isso mesmo, o roteiro raso se engrandece? Como tu vê essas coisas?

Responder
jv bcb 17 de dezembro de 2018 - 14:26

Vou me meter rapidamente na conversa, Luiz, o que você acha de filmes como Boyhood por exemplo, por sua lógica aparentemente você não deve gostar muito desse filme. Pelas críticas suas que li vi que você é muito fã do Fellini, e o mesmo utilizava essa estrutura em vários de seus filmes, inclusive Amarcod, que você deu cinco estrelas.
O que esses filmes do Fellini tem que Roma não tem?

Luiz Santiago 17 de dezembro de 2018 - 15:16

Então, eu gosto de Boyhood. Acho um bom filme, assim como acho Roma um bom filme. Nenhum dos dois, porém, na minha visão, são obra-primas. Mas Boyhood, apesar dos tropeços, é beeeeeem melhor escrito que Roma. E Roma é infinitamente superior em técnica, algo que nunca neguei. São filmes muito diferentes, mas com a premissa de contemplação, porém, Boyhood vai a algum lugar. Roma, não vai.

Aqui, porém, é importante deixar claro que não é porque um filme é contemplativo que ele deve ficar girando sobre si mesmo, como Roma faz, com um roteiro que se encanta demais com a própria gama de emoções. Levanto essa bola porque você trouxe à tona o meu impasse diante da história talvez como uma rejeição à contemplação, trazendo Boyhood à tona. Não é esse o caso, pode ter certeza. Eu adoro Bergman, por exemplo. Eu adoro Dreyer. Adoro Renoir. Sou fascinado por Ozu, Naruse e Shimizu, três japoneses clássicos e imensamente contemplativos. O que eu não gosto é de um enredo que se quer contemplativo e utiliza a superfície de uma história para exercer um grande esboço técnico, sem fazer com que a história siga, ao menos de longe, os mesmos passos.

A contemplação de Roma, eu diria, é autoindulgente. Se permite a lentidão porque acha que se basta nisso e nada entrega além de emoções e belezas isoladas, todas preenchidas com um glorioso aparato técnico, esse sim, o verdadeiro ponto alto do filme. E só não é o único porque o ciclo do dia a dia traz momentos bonitos e engajantes diante dos quais é impossível ficar indiferente. Esse balanço é que faz o filme ser bom, para mim, mas não vai além disso. Só pra você ter uma noção, se fosse avaliar separadamente, daria 5 estrelas para a parte técnica e 2 estrelas para o roteiro.

Sobre sua segunda pergunta.

Fellini é um gigante. E acho Amarcord uma obra-prima. Indo direto ao ponto, basicamente o que Amarcord tem que Roma não tem é o fato de haver algo a ser contado. Não há um único filme de Fellini que seja a contemplação fechada de um ciclo. Um olhar íntimo para crônicas mergulhadas em si, que não se deixam influenciar sequer por eventos mais fortes como, no caso, a própria questão de movimentos políticos no México. Amarcord tem questão política envolvida também. E a gente não passa horas apenas fitando as horas de alguém passando pela vida, pelas coisas. Roma faz isso. A história não avança. O ciclo não se quebra. E eu não consigo encontrar um único parâmetro dessa prisão narrativa que justifique isso como “boa proposta de um filme”.

Mas como é de praxe, não tenho nenhum problema com quem gostou do filme, viu. E fico feliz que tenham gostado e visto exatamente o oposto do que eu vi. Esta é uma das belezas do cinema, na verdade.

jv bcb 18 de dezembro de 2018 - 03:35

Bom, discordamos em vários aspectos, mesmo lendo sua explicação continua sem ver essa diferença entre Amarcord e e Roma, talvez não tenha entendido o que você quer dizer por ciclo, pois pelo que eu entendi Amarcord também se encaixaria nessa definição, já que retrata diferentes crônicas da vida dos personagens, em especial do protagonista, em um certo período de tempo, fazendo assim uma síntese da vida naquele momento. Eu particularmente vejo em Roma certa progressão, não acho que ele se repita tanto quanto você diz, o arco da matriarca da família está sempre em evolução, num paralelo que vai colidindo tematicamente com o da Cleo, que por sua vez também possui um arco no que diz respeito ao seu filho, arco que se encerra com um sacrifício quase que materno na praia, onde ainda podemos ver a culpa que ela sente por não ter desejado o filho, o que se reflete no comportamento dela durante todo o longa. São usadas cenas que ao meu ver sempre conseguem se diferencias das anteriores, sem uma mera repetição vazia, as repetições na minha percepção foram bem pontuais, mais ilustrativas, não acho que o filme perdeu tempo com elas, logo não o acho cíclico.
Quanto a Boyhood, o considero um dos melhores filmes de todos os tempos, sou baba ovo do Linklater, a trilogia do antes é provavelmente a obra cinematográfica da minha vida.
Concordamos em discordar.

Luiz Santiago 16 de dezembro de 2018 - 15:54

Mas e o resto?

Responder
Sabrina 6 de janeiro de 2019 - 22:48

Gostei muito da parte técnica ,dos atores . O roteiro do filme é simples mas não raso.

Responder
Sabrina 16 de dezembro de 2018 - 15:18

O filme já me ganhou por não ter trilha sonora ,adoro filmes sem trilha só com o som ambiente. Gosto de filmes desse estilo “contemplação do nada” Whisky , Pela Janela

Responder
Luiz Santiago 15 de dezembro de 2018 - 22:59

Que legal!

Também vi no cinema, na Mostra SP. Na parte visual foi MESMO uma experiência incrível.

Responder
Luiz Santiago 15 de dezembro de 2018 - 22:56

Ah, sim, nesse caso, entendi o ponto onde nossas leituras se divergem. E agora você explicando a forma como leu a proposta, deu pra entender. Agora é esperar pra ver. Num outro aspecto, vai ser BEM CURIOSO ver como a Academia vai se comportar diante desse filme. E só pra efeito de discutir mais empaticamente vou falar das categorias que acho que o filme merece: Direção e Fotografia. Acho que o nível da obra nesses aspectos realmente se destacam no ano, mas meio que chegamos naquela prova de fogo onde o tradicionalíssimo cenário dos grandes prêmios (de cinema) vão encarar de frente, na ala dos grandes peixes, as produções para streaming.

Responder
Luiz Santiago 15 de dezembro de 2018 - 22:51

@fellainovic:disqus ficamos com a mesma expectativa, cara. Algo que quebrasse o ciclo e concordo totalmente contigo: nem a gravidez teve peso. Digo, peso de mexer na narrativa, porque ela tem sim um peso emocional, mas se esse aspecto não faz a história avançar, a rigor, é só peso emocional mesmo né. Dramaticamente não serve pra nada. Mas com certeza emociona e talvez isso baste para alguns espectadores. Talvez. Mas eu fiquei o tempo todo na sala, pensando: por favor, que isso vá pra um lugar diferente… mas ficou ali. As crônicas de uma família… Ai ai…

Sobre Mary Poppins, com certeza teremos! Na próxima semana.

Abraço!

Responder
Luiz Santiago 15 de dezembro de 2018 - 22:47

Aquela cena da praia é maravilhosa! Bota heroísmo nisso!!! Demais!

Responder
Handerson Ornelas. 15 de dezembro de 2018 - 21:01

E, namoral, Cleo é a maior heroína de 2018. Eu vi naquela cena da praia mais bravura do que já vi em qualquer filme da Marvel/DC.

Responder
Handerson Ornelas. 15 de dezembro de 2018 - 21:00

Tive um infarto com essa nota Hahahahaha

Filme belíssimo.

Eu discordo sobre esse seu argumento de “faltar conteúdo” ou sobre a obra ser muito calcada na técnica. Na verdade, eu acho bem o oposto disso e geralmente uso essa sua afirmativa para desqualificar um certo diretor do mesmo país COFF COFF Inarritu COFF que me parece apresentar a técnica apenas pela técnica, e acabando por esboçar pouquíssimo conteúdo emocional ou argumentos relevantes em suas obras.

Sigo na torcida por Cuarón – que considero o melhor dentre os três atuais grandes diretores mexicanos – para levar o prêmio de direção no Oscar, pelo menos até eu ver um trabalho que ache que mereça mais.

Responder
Luiz Santiago 15 de dezembro de 2018 - 22:42

Iñarritu é um diretor excelente, pô.

Não tenho problemas com o filme ganhar prêmio de direção. Eu acho que ele é tecnicamente primoroso. Mas é aquele belíssimo casco sem muita coisa dentro para justificar ou fazer jus a esse luxo e glória todo. É uma crônica de temas e pequenas variações que só se tornam notáveis porque a forma permite isso. Por isso que não ficaria nada bravo se ele ganhasse o Oscar de Melhor Direção. Ou de Fotografia, que é lindíssima e acho bem merecido.

Já Melhor Filme ou Melhor Roteiro (principalmente roteiro, que aqui é… básico do básico do básico para não deixar o filme ruim) aí sim é complicado na minha visão, porque o filme não merece, nem de longe, nenhum desses dois.

Responder
Handerson Ornelas. 15 de dezembro de 2018 - 22:49

Eu entendo seu ponto, mas acho que esse “básico” o qual se refere é o objetivo dele desde o começo. Eu enxerguei o filme desde o início como uma visão muito ordinária da vida, aquilo é a vida em seu formato mais cru e real possível, sem floreios ou exageros dramáticos. Por isso acho que roteiro, direção e elenco trabalham de forma perfeita a atingir o objetivo da obra e torceria muito pelo prêmio de melhor filme.

Roteiro eu entendo que há filmes melhores para premiar, mas não vejo demérito no fato dele ser “básico” ou simples demais, justamente pela razão que eu disse.

Responder
Marcelo Sobrinho 17 de dezembro de 2018 - 00:46

Iñarritu apresenta pouco conteúdo emocional? Amigo, que filmes do Iñarritu você andou vendo? Por acaso aquela cena do abraço entre pai e filho em Biutiful, após a revelação do pai de que iria morrer, tem pouca carga emocional? Meu caro, aquilo faz uma estátua chorar! É de fazer o cu cair da bunda! Você pode não gostar do Iñarritu, mas é preciso fazer uma crítica com algum sentido contra ele.

Ass: Marcelo, presidente do fã clube intergaláctico de Alejando González Iñarritu, o mestre dos mestres do país da tequila.

Responder
Zezão 15 de dezembro de 2018 - 17:59

Não consegue terminar, confesso. Em alguns momentos até tive muito sono. Roma, como disse, visualmente é lindo, tem cenas – com água principalmente – que se destacam. É muito autoral.

O maior trunfo da Netflix em 2018 inclusive vem disso, de conseguir ser mais que um deposito de produções. Já defende que deveriam tomar rumos semelhantes ao da Fox Searchlight.

Evitando casos de diretores revoltados ou insastisfeitos com a disponibilização de suas obras na plataforma. Sem falar nos que enchem linguiça; mas só disso mesmo.

Depois de um tempo comecei a cobrar alguma coisa que quebrasse o ciclo, uma virada. Nem a gravidez teve peso. Talvez, não fosse o filme pra mim.

PS. Com o fim do ano, está chegando o momento mais esperado: Mary Poppins. Teremos critica?

Responder
Ary 15 de dezembro de 2018 - 11:05

Assisti ao filme ontem e tive exatamente a mesma sensação, muita forma e pouco conteúdo. Foi quase um reprise do meu comentário:
““Roma” nos proporciona um espetáculo visual incrível, mas o excesso de simplicidade do roteiro acaba afastando o filme do “status” de obra-prima pretendido pela crítica.

A fotografia em preto e branco e os planos gerais (fixos ou em movimento) nos colocam no meio da ação (ou na falta dela) e são impactantes, mas é ali, no meio da história que se arrasta, que ficamos sempre na expectativa de que algo de novo vá acontecer; mas, na maioria das vezes, acabamos frustrados.

É essa falta de equilíbrio entre a forma e o conteúdo que prejudica o bom andamento da obra e isto pode causar até um pouco de sono em alguns espectadores desavisados…”

Responder
Luiz Santiago 15 de dezembro de 2018 - 11:26

Pois é. O filme é tecnicamente fantástico. Mas para mim, não passou muito disso não…

Responder
Alessandro Zanchin 15 de dezembro de 2018 - 03:09

Como devo ser o único que não gostou do filme, encontrei ao menos esta crítica que não vê perfeição em tudo.
Esse estilo de “contemplação do nada” que vez ou outra aparece no cinema com obras esquecíveis como “Boyhood” é o que menos me atrai, não consigo imergir e me mata de tédio, é sempre uma tortura terminar de assistir a filmes assim.
Exceto pela bela fotografia, para mim não passa de um filme pretensioso e intimista que ano que vem ninguém lembrará a não ser se vencer o Oscar, o que tornaria “Roma” o pior vencedor da categoria principal do século, e um dos piores da história.

Responder
Luiz Santiago 15 de dezembro de 2018 - 07:36

Eu não acho que é um dos piores filmes da História, longe disso. Acho que é um bom filme e magistralmente bem dirigido, mas é como embrulhar um livro “apenas bom” em uma embalagem que “vale o resgate de um rei”. A casca valiosa de um miolo mole… hahahhahahahahhahahhahhah Mas olha que interessante, o comentário do @jvbcb:disqus, logo anterior ao seu, demonstra uma experiência completamente diferente. E eu não concordo com nenhum dos dois hahahahahaa, fico mais no meio. Mas isso é uma prova da capacidade de o cinema tocar a gente de diferentes maneiras né.

Responder
Elton Miranda 15 de dezembro de 2018 - 12:13

Boyhood obra esquecida? kkkkkkk

Responder
Anônimo 3 de março de 2020 - 09:12
Responder
Alessandro Zanchin 15 de dezembro de 2018 - 13:05

Não disse ser o pior da história, e seria o pior vencedor do Oscar caso se confirme a vitória, no mais filmes com essa estrutura que relembre o Neorrealismo Italiano, salvo raras exceções como “Ladrões de Bicicleta”, não me passam nada a não ser uma contemplação pseudo artística do nada, onde até um documentário seria melhor.
Comparando com um livro como fez, parece uma agenda em branco envolta num embrulho lindíssimo, e juro que tento entender como hj tantas pessoas gostam desse tipo de filme, às vezes parecem q apenas falam ser bom pra não receberem críticas e xingamentos por ‘não entender a obra de arte’.
Acho q me tornei tão exigente q cada vez mais verei menos filmes excelentes, ao mesmo tempo em q a mediocridade é elevada ao patamar de arte.
Garanto que, se não vencer o Oscar, esse filme não será lembrado na virada do ano e daqui menos de 5 anos ninguém ligará se perdeu.

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jv bcb 15 de dezembro de 2018 - 16:17

Cara, talvez essa sua forma de encara esse tipo de filme mude com o tempo, ou talvez não, eu particularmente era que nem você ha alguns anos atrás, não gostava desses filmes em blocos episódicos, sem tramas que falam supostamente sobre o nada. Não entendia o que as pessoas viam em O Som ao Redor, La Dolce Vita, não gostava tanto assim de Boyhood e etc. Hoje eu adoro esse tipo de filme, Boyhood é um dos meus filmes favoritos, fica melhor a cada vez que assisto, vi de novo esse anos La Dolce Vita junto de um bocado de outros filmes do Fellini, também revi O Som ao Redor e achei todos obra primas, minha percepção mudou. São filmes diferentes do que estamos habituados, talvez sua visão mude com o tempo, ou não, mas cinema é isso, por mais objetivo e técnicos que formos em nossas análises, ainda teremos a subjetividade conosco.

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Alessandro Silveira 11 de janeiro de 2019 - 10:33

Verdade este filme será esquecido em pouco tempo: Quem nasce Roma nunca será A Estrada da Vida.

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jv bcb 15 de dezembro de 2018 - 02:19

Melhor filme do ano disparado, Obra Prima, a cena do parto e da praia são as duas mais impactantes de 2018 com folga(pelo menos entre as que eu vi, é claro), na segunda chorei e não foi pouco. Talvez o melhor do Cuaron, difícil decidir entre esse e E Sua Mãe Também.
É impressionante como esse filme consegue ser sobre tudo, sobre diferença de classes, sobre o méxico, sobre maternidade, sobre o machismo e a figura da mulher na sociedade, sobre infância, sobre o México, sobre o México nos anos 70, sobre separação e mudança(representado nos aviões que constantemente passam pelos céus da cidade, inclusive no primeiro e último plano do filme). E tudo isso sem um diálogo para expor essas idéias de maneira didática, mas sim com imagens falando mais que mil palavras e tudo se desenrolando naturalmente, as vezes de maneira banal e rotineira, como a vida, mas com uma progressão de drama que vai gerando um sentimento de catarse, porém sem nunca parecer artificial, afinal de contas o filme nem plot tem.
Destaque para a fotografia e misencene absurdas, com planos ultra vivos, é impressionante a quantidade de figurantes, objetos de recriação de época e sons ambientes(ótima mixagem de som) aliados a planos milimetricamente compostos, com uso criativo e belo da luz, com tudo em foco para que a gente possa desfrutar de cada detalhe e entrar completamente no filme.
O Amarcord do Cuarón, um dos melhores filmes da década.

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Luiz Santiago 15 de dezembro de 2018 - 07:33

Para mim esse filme sequer entra na lista de melhores do ano, mesmo sendo um bom filme. Mas fico bem feliz em saber que você se emocionou bastante, que teve uma experiência tão catártica. O cinema faz isso conosco. Essas distintas experiências…

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nuwgott 2 de janeiro de 2020 - 23:04

Amei o seu comentário, maravilhoso.

“É impressionante como esse filme consegue ser sobre tudo, sobre diferença de classes, sobre o méxico, sobre maternidade, sobre o machismo e a figura da mulher na sociedade, sobre infância, sobre o México, sobre o México nos anos 70, sobre separação e mudança(representado nos aviões que constantemente passam pelos céus da cidade, inclusive no primeiro e último plano do filme). E tudo isso sem um diálogo para expor essas idéias de maneira didática, mas sim com imagens falando mais que mil palavras e tudo se desenrolando naturalmente, as vezes de maneira banal e rotineira, como a vida, mas com uma progressão de drama que vai gerando um sentimento de catarse, porém sem nunca parecer artificial, afinal de contas o filme nem plot tem.”

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jv bcb 3 de janeiro de 2020 - 14:09

Obrigado.

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Ricardo Rocha 30 de outubro de 2018 - 10:58

Concordo quando você diz que a forma é tão grande quanto a narrativa, porém percebi nas cenas tantas metáforas, tantas formas de se ver de um mesmo angulo ou detalhe que ao final me sentir tendo vivido aquela experiência junto com a personagem Cleo. Nos últimos anos Cuaron vem se firmando totalmente como um diretor sensorial, de experiências e emoções que transcendem a narrativa, e justa a forma que ele usa para nos dizer que mesmo as pequenas histórias são grandiosas, se vistas de um determinado ponto. A cena do nascimento é uma das mais envolventes e dramáticas que já vi. Sair chorando do filme.

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Luiz Santiago 30 de outubro de 2018 - 11:08

Rapaz, aquela cena do nascimento me fez marejar os olhos. Difícil, triste, cheia de significado para a Cleo e para nós também, que naquele momento estamos totalmente ligados a ela.

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Cahê Gündel 30 de outubro de 2018 - 10:51

Tô bem ansioso pra ver esse filme, gosto muito do Cuarón. Só espero que não vire moda essa história de filmes entrarem direto no streaming sem passar pelo cinema antes…

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Luiz Santiago 30 de outubro de 2018 - 11:06

Rapaz, essa é uma tendência de mercado que tem ganhado cada vez mais força… Acho que deve virar moda sim, o que, para filmes dessa grandeza técnica, não é uma coisa boa.

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fellipekyle 15 de dezembro de 2018 - 21:08

aqui no Rio tiveram sessões gratuitas onde vc podia pegar o voucher através do site oficial do filme. Foi uma experiência incrível assistir na telona.

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Cleber Rosa 30 de outubro de 2018 - 09:51

Um dos melhores anos da Netflix…que ela continue assim, pois a concorrência vem forte. Mas se ela nos entregar obras como foram entregues esse ano, terá vida longa no segmento.

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Luiz Santiago 30 de outubro de 2018 - 10:01

Isso é verdade. Se investir em produções desse tipo, com certeza vai ter material suficiente pra se colocar diante da concorrência.

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Teco Sodre 30 de outubro de 2018 - 10:41

Já tá disponível ?

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Luiz Santiago 30 de outubro de 2018 - 11:04

Ainda não. Eu vi na Mostra SP.

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Sabrina 30 de outubro de 2018 - 19:59

Esse ano a Netflix mandou bem teve ótimos filmes O Vazio do Domingo , 22 de Julho , O Anjo do Mossad, Mais uma Change, A Noite nos Persegue , Sob a Pele do Lobo ,Calibre ,Rastros de um Sequestro. E até o fim do ano ainda vai ter o filme inacabado do Orson Welles, o novo dos irmãos Coen e o suspense com a Sandra Bullock

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márcio xavier 18 de dezembro de 2018 - 11:03

anotei os filmes pra ver. 🙂

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Cido Marques 19 de dezembro de 2018 - 10:23

Verdade, tirando 22 de julho que é uma droga.

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Luiz Santiago 19 de dezembro de 2018 - 10:27

22 de Julho é excelente!

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Cido Marques 19 de dezembro de 2018 - 11:14

Sério? achei as notícias sobre o caso mais interessantes e filosóficas do que o filme.

Luiz Santiago 19 de dezembro de 2018 - 11:16

Entendi. É, acontece…

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