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Crítica | Rush: Medicina Vip – A Série Completa

por Leonardo Campos
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Excelente doutor. Péssimos hábitos. Foi assim que Rush – Medicina Vip foi vendida quando lançada em 2014, época de sua primeira e única temporada, haja vista o cancelamento da emissora USA Network. Em apenas 10 episódios, o médico protagonista, o Dr. William Rush, interpretado com o charme costumeiro de Tom Ellis, vivenciou situações das mais adversas. Diferente dos angustiantes casos que chegam sempre nos hospitais e atendimentos de emergência das séries do segmento em questão, isto é, os dramas médicos, a produção criada por Jonathan Levine focou na trajetória de um homem sem licença, punido por agir sem cautela e com muita arrogância numa situação do passado, a salvar vidas de pessoas ricas e poderosas em apuros, geralmente aquelas que são conhecidas, tais como atores, políticos, grandes empresários, envolvidos em acontecimentos embaraçosos. É quando entra o Dr. Rush, sempre acompanhado pela condução musical empolgante de Robert Duncan, melodramática quando precisa ser, mas tão frenética quanto a travessia de seu protagonista por momentos insanos.

Ele é um homem que vive perigosamente. De bom coração e com diversas questões que explicam o seu temperamento impulsivo e ultrajante, o médico com pinta de galã se arrisca cada vez que atende aos procedimentos mais bizarros que o público possa imaginar. Ao longo dos 10 episódios de sua única temporada, preenchida por unidades dramáticas com os habituais 42 minutos de duração, acompanhamos a trajetória de um protagonista herdeiro de Californication e Nip Tuck (Estética), afinal, há traços bem delineados de Hank e Julian, o escritor e o cirurgião plástico, respectivamente, dos programas mencionados. Em seu carro de luxo, os atendimentos vips de Dr. Rush são pagos exclusivamente em dinheiro, valores sempre altos e de acordo com os riscos que ele corre por ser preso ao praticar um estilo de medicina tradicionalmente considerada infame, abominável, por sinal, legalmente indevida. Tudo isso em Los Angeles, território para o punhado de excentricidades expostas pelo programa.

Até existe o que se chama hoje de Uber da Medicina, reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina em 2018, mas o esquema é bem diferente do abordado por Dr. Rush, o homem dos extremos, galgado pelos excessos. Atendimentos assim na vida real não são emergenciais, pedem fichas devidamente registradas e cadastradas num banco de dados e possuem todo um acompanhamento de prontuários que preza pelo rigor da documentação. O Docway foi um dos pioneiros nos Estados Unidos, organizado para atendimento com médicos devidamente regularizados. Em Rush – Medicina Vip, nosso protagonista bebe, usa drogas constantemente, dirige em alta velocidade, possui interesse por seu amor do passado recente, uma jovem que o sabota emocionalmente ao descobrir que está com câncer. Ele possui uma relação tensa com o pai, Warren Rush (Harry Hamli), homem que desaprova seu estilo de vida. É pura tensão!

Corinne Rush (Rachel Nichols) é a esposa novinha do pai, sedenta de desejo depois que encontra uma oportunidade de pressionar o filho atraente de seu marido e saciar sua vontade de criar mais drama para todos os envolvidos. Manny (Rick Gonzalez) é seu estereotipado fornecedor de drogas, Eve Parker (Sarah Habel), personagem dominante, não apenas agenda as suas consultadas, mas cuida de sua vida pessoal e tenta mantê-la sempre nos trilhos, algo complexo, mas que ele cumpre por questão de consciência. Sua subtrama é uma das mais interessantes, voltada ao relacionamento tóxico com um ex-marido, tema abordado na série com firmeza e que termina em tragédia, desdobrada para acontecimentos que não sequenciam por conta do cancelamento que deixou alguns ganchos sem o devido enlace. Ainda temos o ótimo Dr. Alex Burke (Larenz Tate), médico que trabalha no hospital e segue as convenções, mas ajuda o amigo em algumas situações extremas no que tange aos atendimentos de Rush.

Em sua trajetória, o médico protagonista precisou lidar com uma mulher que é espancada cotidianamente pelo marido. O seu papel nesta situação é remendar o rosto da pobre coitada, para logo mais, talvez atendê-la novamente, afinal, a postura machista e opressora do cliente não parece ter planos de encerramento. Não antes de Dr. Rush, com todo seu ego, colocar o malandro violento em seu devido lugar. E fisicamente, sem discursos verborrágicos que não resolvem o problema. Logo depois, um criminoso mergulhado profundamente nas celeumas do tráfico precisa de uma operação de emergência e o médico vip ganha uma bolada, mas tem a sua vida colocada em risco, com armas apontadas para todos os lados, tendo como missão, salvar a pobre alma alvejada num conflito com os policiais. Neste episódio, para Rush, salvar o paciente não é a única meta. É preciso se salvar também, pois com a morte do cliente, os comparsas o deixariam vivo?

Há um amigo perdido num atendimento que dá tudo errado, um caso de gonorreia, o exótico episódio com um homem mordido por seus animais de estimação, espalhados por sua mansão. Para quem pensou em cachorros e gatos, esqueça, estamos a falar de exotismo e aqui o ricaço coleciona uma espécie rara de lagarto e até mesmo um urso. Acidentes automobilístico também aparecem como missão a ser resolvida, alguns com vítimas que não podem ir ao hospital pelo fato de estarem acompanhadas de pessoas que não são os seus companheiros oficiais. Acusado de assassinato depois de um procedimento inadequado próximo ao desfecho, Rush – Medicina Vip deixa alguns bons ganchos que dariam uma boa segunda temporada, mas é bem provável que o público na época já estivesse cansado destes protagonistas errantes de coração bom que agem incorretamente e de maneira irritante, sempre colocando as coisas a perder.

Para transformar essa jornada insana num programa visualmente atrativo, os produtores contaram com a direção de fotografia de Jeff Joffin, cheia de paletas elegantes, do azulado típico das séries médicas ao ofuscante brilho de algumas passagens noturnas em boates, festinhas particulares na casa dos pacientes, etc. Rush, sempre trajado com figurinos elegantes, assinados pela equipe de Carla Hetland e Lindsay McKay, atravessa a cidade com seu carro conversível e os óculos de sol que potencializam os seus atributos físicos que coadunam com os padrões de beleza do contemporâneo. Há pacientes que até confundem a sua missão médica com outras possibilidades de atendimento, para você ter ideia, caro leitor. A maquiagem de Toby Lindala funciona também de maneira eficiente, colaboradora para a nossa imersão diante de procedimentos mais invasivos, setor que coaduna com o também eficaz design de produção de Geoff Wallace. Ademais, essa é mais uma série mediana da década de 2010 que não vingou.

Rush – Medicina Vip (Rush, Estados Unidos/Canadá – 2014)
Criação: Jonathan Levine
Direção: Vários
Roteiro: Vários
Elenco: Tom Ellis, Larenz Tate, Sarah Habel, Rick Gonzalez, Erica Cerra, Odette Annable, Warren Christie, Rachel Nichols
Duração: 44 min. (Cada episódio – 10 episódios)

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