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Crítica | S.O.S.: Tem um Louco Solto no Espaço

por Ritter Fan
1.594 (a partir de agosto de 2020)

S.O.S.: Tem um Louco Solto no Espaço (doravante apenas Spaceballs para eu economizar digitação) marcou o retorno de Mel Brooks à direção, depois de seis anos longe das câmeras, com seu último filme tendo sido o fraco e repetitivo A História do Mundo – Parte I. Como o cineasta fez algumas vezes antes, o conceito do longa é parodiar um gênero cinematográfico, a ficção científica desta vez, mas apenas pela segunda vez em sua carreira ele decidiu partir para fazer comédia em cima primordialmente de uma obra específica, Star Wars, como foi o caso, em 1974, com O Jovem Frankenstein.

O longa, talvez por ter sido lançado quando a febre sobre a franquia de George Lucas já havia esfriado – afinal, já haviam se passado quatro anos de O Retorno de Jedi -, foi originalmente recebido de maneira morna pelo público e também pela crítica, só com o tempo e seu lançamento em vídeo doméstico, ganhando espaço entre os admiradores da comédia do tipo bem específico da comédia de Brooks e, também, da legião de fãs de Star Wars, alcançando o que poderia ser chamado de um razoável status cult nos dias de hoje, mesmo que, pelo menos para mim, a obra esteja longe de ser sequer a melhor paródia da série de filmes da série (Star Wars: Troops é, facilmente, o ponto alto dessa sub-sub-categoria).

Mas Spaceballs inegavelmente tem o seu valor e o que realmente faz o filme funcionar é que ele é bobo. Sim, bobo. O tom do humor que Brooks imprimiu em sua obra não tem a dinâmica ousada de Primavera para Hitler, Banzé no Oeste ou O Jovem Frankenstein e nem a sofisticação de Banzé na Rússia e Alta Ansiedade, ou mesmo a pegada pastelão de A Última Loucura de Mel Brooks. Ele faz quase um filme para crianças, ainda que crianças muito novas provavelmente não consigam captar diversas das mensagens mais sutis de seu texto. No entanto, ao classificar assim seu longa, não quero de forma alguma desmerecê-lo. Na verdade, é o exato oposto: Brooks encontrou um tom lógico para se brincar com a franquia, algo que mais facilmente atrai todas as idades e, melhor ainda, soube variar sua abordagem, com esquetes que vão desde coisas simples como a interminável tomada inicial com a gigantesca nave dos Spaceballs, chegando à metalinguagem com a consciência de alguns que eles estão em um filme e com o tão querido merchandising que fez a verdadeira fortuna de Lucas, passando por um Darth Vader – Dark Helmet! – hilariamente ridículo vivido por Rick Moranis ou um Chewbacca canino, obeso e comilão encarnado pelo saudoso John Candy, além das diversas referências a outras obras sci-fi, incluindo os tokusatsus japoneses e, como não poderia deixar de ser, Alien.

O roteiro, apesar de composto de uma sucessão de esquetes, como é comum na filmografia de Brooks, faz todo o esforço possível para manter uma narrativa que paraleliza os eventos de Uma Nova Esperança, com pitadas de O Império Contra-Ataca, o que cria uma boa sensação de fluidez e diminui a natureza episódica que acaba resultando da estrutura base. O elenco também ajuda muito, valendo destaque para os jás citados Moranis e Candy, além do ótimo George Wyner como o Coronel Sandurz, braço direito de Helmet, além da ponta de Joan Rivers emprestando sua voz à Dot Matrix, a C-3P0 do filme que é a ama e protetora da virgindade da mimada Princesa Vespa (Daphne Zuniga). Até mesmo Brooks, que finalmente larga o protagonismo para viver dois papeis secundários, o Presidente Skroob, equivalente ao Imperador, e Yogurt, o equivalente ao Yoda, funciona muito bem dentro da história. Só mesmo a suposta dupla principal, Zuniga e Bill Pullman, este como Lone Starr, personagem que funde Han Solo e Luke Skywalker, deixam a desejar, mais cansando do que realmente contribuindo para a história.

Apesar de um orçamento relativamente baixo, Brooks faz milagre com os efeitos especiais do longa, usando muitas das técnicas de filmagens da própria Lucasfilm, algo que acaba resultando em sequências espaciais que, apesar da idade, mantem-se razoavelmente joviais, além de sabres de luz – Schwartz! – bastante convincentes. E, claro, os figurinos dos Spaceballs, de Dark Helmet até os apertadores de botão padrão da nave, imediatamente conjura a ambientação necessária para entendermos exatamente onde estamos e o que está sendo parodiado.

S.O.S.: Tem um Louco Solto no Espaço é uma diversão abobada da melhor qualidade, que merece mesmo ter ganhado destaque nos anos que se seguiram ao seu lançamento. Humor leve para todas as idades, mas com material risqué suficiente para arrancar sorrisos só dos adultos também, com uma bela direção de arte, efeitos especiais e, principalmente, um elenco para lá de divertido. A Força definitivamente estava com Mel Brooks nesse filme!

S.O.S.: Tem um Louco Solto no Espaço (Spaceballs – EUA, 1987)
Direção:
 Mel Brooks
Roteiro: Mel Brooks, Thomas Meehan, Ronny Graham
Elenco: Bill Pullman, Rick Moranis, John Candy, Mel Brooks, Daphne Zuniga, Dick Van Patten, George Wyner, Michael Winslow, Joan Rivers
Duração: 96 min.

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