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Crítica | Scanners 3 – O Duelo Final

por Leonardo Campos
328 views (a partir de agosto de 2020)

Não convencido sobre a falta de qualidade de Scanners 2 – A Força do Poder, lançado praticamente no mesmo ano, o cineasta Christian Dugay resolveu manter-se no legado do canadense David Cronenberg e investiu em mais uma empreitada com as figuras de comportamento peculiar e capacidade de escanear mentes alheias. No desenvolvimento de Scanners 3 – O Duelo Final, B. J. Nelson, responsável pelo texto do antecessor, juntou-se aos outros três roteiristas, René Malo, David Preston e Julie Richard, tendo como propósito, elaborar a estrutura da narrativa que agora conta com scanners com maior potencial de destruição. O que no original era uma jornada de entretenimento com debates filosóficos sobre tecnologia e desenvolvimento humano se transformou numa baderna dramática. De tão absurda e grotesca, esta narrativa é uma grande promovedora de risos involuntários, haja vista os diálogos tacanhos, as caretas dos scanners na projeção de seus poderes e outras particularidades. Mesmo diante da possibilidade de escaneamento coletivo, ainda assim, o filme é uma experiência medíocre.

Na trama, fotografada desta vez por Hughes de Haeck, setor inexpressivo que ao menos contou com o apoio de outro compartimento de produção, o design visual, concebido por Michael Joy, um pouquinho melhor que o segundo filme, acompanhamos a trajetória dos novos scanners e suas vidas confusas numa sociedade que os enxerga como “anormais”. É quase uma lógica X-Men aqui, salvaguardadas as devidas proporções. Os créditos iniciais são seguidos de um aviso que nos deixa claro a crise próxima a se estabelecer. O EPH-1 que se desdobrou no EPH-2 agora está em fase de estudos para se tornar o EPH-3, droga experimental com efeitos colaterais perigosos, material que infelizmente cai nas mãos erradas e transforma o cotidiano dos personagens deste filme ruim numa arena de combates incrivelmente bizarros. Mais uma vez, um scanner quer dominar o mundo, tendo como antagonista, o bonzinho equilibrado e heroico.

Após os informativos da abertura, somos apresentados a um grupo que compartilha momentos de alegria numa festa natalina. Alguns conversam e debatem sobre os scanners e suas capacidades mentais, até que Alex (Steve Parrish) é intimado por um dos convidados a demonstrar os seus poderes e impressionar as pessoas. Ele, na condição de visitante, está acompanhado da irmã, Helena (Liliana Komorowska), também scanner, mas discreta e contida. Eles estão na casa de Joyce (Valerie Valois), a namorada de Alex, dona da festa que ficará conhecida como uma ocasião traumática e bizarra para todos. Ao testar a sua capacidade enquanto scanner, o rapaz acaba provocando um terrível acidente com uma vítima fatal. É o começo de seu exílio na Tailândia, numa busca por depuração. A sua irmã, em território americano, continua a sua vida normal, sempre com fortes dores de cabeça e outras inseguranças.

Certo dia, ela encontra a droga experimental nas coisas de seu pai. Ao manipular a substância em seu corpo, se torna a rainha da maldade, capaz até mesmo de matar a sua família para conseguir o que tanto deseja. Acompanhada pela histriônica trilha sonora de Marty Simon, também responsável pela condução musical de Scanners 2 – A Força do Poder, Helena ultrapassa todos os limites possíveis do caricatural, com diálogos sempre acompanhados de novelísticas risadas diabólicas, complementares dos seus monólogos também, igualmente toscos. Ela quer poder, pretende dominar o mundo, torna-se vulgar e sedenta por sexo e veste-se como uma femme fatale enquanto circula pelos espaços de trabalho e vida pessoal, determinada, inclusive, a enviar scanners para destruir o seu irmão do outro lado do mundo. Um amigo da família já tinha cumprido o papel de informante para Alex, jovem que agora precisa voltar para conter a sua irmã, uma “bitch maligna infernal”. No desfecho, um gancho para uma nova continuação é estabelecido, mas quase trinta anos depois, ficou apenas nas intenções.

Scanners 3 – O Duelo Final (Scanners III – The Takeover) – Canadá, 1991.
Direção: Christian Duguay
Roteiro: B.J. Nelson, Julie Richard, David Preston
Elenco: Liliana Komorowska, Valérie Valois, Steve Parrish, Colin Fox, Daniel Pilon, Peter Wright, Sith Sekae, Michael Copeman, Jean Frenette
Duração: 95 min.

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