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Crítica | Schitt’s Creek – 1ª Temporada

por Ritter Fan
756 views (a partir de agosto de 2020)

Schitt’s Creek é um caso a ser estudado. Sua primeira temporada foi ao ar em 2015 no Canadá e nos EUA e, ao longo de suas duas primeiras temporadas, ela foi elogiada esporadicamente, mas nunca elevada a algo particularmente especial. Foi apenas quando, a partir da terceira temporada, quando ela passou a ser distribuída nos EUA pelo Netflix que ela começou a ganhar relevo, o que deixa evidente o quanto o serviço de streaming tem força e penetração no mercado americano e mundial. E, claro, com o crescimento veio a fama e, com a fama, as premiações, culminando com o varrimento dos Emmys de comédia em 2020, em razão de sua sexta e última temporada.

Mas, estudos à parte, o que é afinal é Schitt’s Creek? A premissa é muito simples: os Roses são milionários que, nos primeiros segundos do primeiro episódio da primeira temporada, perdem todo seu dinheiro para o governo em razão de sonegação de impostos em tese resultado de fraude do gestor da empresa, restando-lhes, apenas, a cidadezinha que dá nome à série que Johnny Rose (Eugene Levy) comprara para seu filho David Rose (Dan Levy) como uma brincadeira. Sem alternativas, a família, que é ainda composta pela esposa de Johnny e ex-atriz de novela Moira (Catherine O’Hara) e a outra filha do casal Alexis (Annie Murphy), se muda para lá, passando a morar em dois quartos conectados em um motel simples (para não dizer porcaria) da cidade.

Em outras palavras, da noite para o dia, os Roses, na visão deles, saíram do luxo e foram para o lixo. Essa forma de enxergar Schitt’s Creek é particularmente importante, pois a série, que partiu de uma ideia de Dan Levy que, ato contínuo, arregimentou seu pai Eugene – ainda gozando de fama principalmente em razão da literalmente imortal franquia American Pie – para o processo de criação, lida de maneira muito bem humorada com a maneira como os muito ricos encaram os aqueles que eles consideram estar abaixo deles, ou seja, basicamente os 98% restantes. No entanto, o texto dos roteiros é equilibrado e também satiriza a chamada middle america que, pelo menos nesse começo, parece integralmente encarnada na figura do prefeito da cidade Roland Schitt (Chris Elliott), sujo, grosseirão, barrigudo e aproveitador.

Com isso, a primeira temporada da série aproxima os dois lados do abismo sócio-econômico em uma penada só, o que automaticamente cria situações hilárias que são muito bem conduzidas pelos 13 roteiros escritos pelos dois Levys. Não é uma comédia rasgada, nem pastelão. Ao contrário, o humor consegue até mesmo ser elegante, especialmente no que toca a relação hesitante entre David e a gerente do motel Stevie (a simpática Emily Hampshire) e a carência afetiva de Alexis que, não demora, passa a se sentir atraída por Mutt Schitt (Tim Rozon). Outra maneira de fazer a ponte entre os que têm (ou tinham) muito e os que tem pouco é a forma como Moira é construída como uma mulher vã e incapaz de sequer tentar adaptar-se à nova situação, o que a coloca em choque benigno com Jocelyn (Jenn Robertson), mulher do prefeito.

Curiosamente, apenas Eugene Levy, que tem um papel central, sem dúvida, não chama muito atenção para seu personagem para além de sua aparência por si só engraçada. Seu Johnny Rose que, nessa temporada, tenta desesperadamente revender a cidade para que eles todos saiam de lá, é como o fiel da balança. Todos os demais ganham boas exposições e excelentes momentos cômicos, mas ele permanece equilibrado ali no meio, como um placebo em um teste de medicamentos. Resta apenas torcer para que seu personagem padrão ganhe algum tipo de desenvolvimento na medida em que a série evolui.

Usando o mínimo de cenários – resumidamente, poder-se-ia facilmente dizer que a temporada inteira se passa no motel – e trabalhando um humor gostoso que nunca descamba para o besteirol – ainda que tenha momentos próximos, como a história ao redor do hilário cartaz de “Bem-Vindos à Schitt’s Creek” na entrada da cidade ou aos modos à mesa do prefeito, e com um elenco afiado, valendo destaque para Dan Levy (que, simpaticamente, não consegue segurar o riso, reparem só) e Catherine O’Hara, o perfeito retrato da decadência chique, a série começa muito bem sua jornada vencedora, tendo muito a agradecer ao streaming por seu sucesso.

Schitt’s Creek – 1ª Temporada (Canadá, 13 de janeiro a 31 de março de 2015)
Criação: Dan Levy, Eugene Levy
Direção: Jerry Ciccoritti, Paul Fox
Roteiro: Dan Levy, Chris Pozzebon, Michael Short, Kevin White, Amanda Walsh
Elenco: Eugene Levy, Catherine O’Hara, Dan Levy, Annie Murphy, Emily Hampshire, Jenn Robertson, Chris Elliott, Tim Rozon, Dustin Milligan, Sarah Levy, John Hemphill, Karen Robinson
Duração: 325 min. (13 episódios)

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