Crítica | Scooby Apocalipse – Vol. 1

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Depois dos Flintstones terem ganhando sua versão “remasterizada” em quadrinhos, foi a vez de Scooby-Doo e sua gangue serem reimaginados para a segunda década dos anos 2000 não mais como um grupo de amigos unidos que investigam fenômenos paranormais a partir de uma van colorida, mas sim como a improvável reunião de gente estranha para lidar com bichos esquisitos no que parece mesmo ser o fim do mundo como o título indica.

Baseado em um conceito de ninguém menos do que Jim Lee que foi transformado em roteiro pela notória dupla Keith Giffen e J.M. DeMatteis, o primeiro volume da série lida com a origem da equipe e estabelece a premissa que seria desenvolvida mais adiante. A feroz Daphne é uma jornalista brilhante que caiu no ostracismo ao decidir dedicar seus esforços em um programa sobre mistérios sobrenaturais e o musculoso Fred é seu cinegrafista que a segue sem pensar duas vezes por ser perdidamente apaixonado pela moça. Velma é uma cientista brilhante, mas maluquinha e completamente antissocial que convoca os dois para revelar um segredo que poderia destruir o mundo.

Esbarrando em Salsicha, um magérrimo, mas guloso treinador de cães que fez conexão com Scooby, um dog alemão protótipo fracassado de experiências cibernéticas para aumentar sua inteligência (o que explica ele falar de forma rudimentar como na clássica animação), os cinco acabam em um complexo subterrâneo minutos antes da eclosão de nanotecnologia no ar que transforma quase toda a humanidade em monstros do folclore, literatura e audiovisual, alguns mantendo bom nível intelectual, outros completamente ferais, mas todos sedentos por carne humana. Ou seja, um cenário de apocalipse zumbi clássico com algumas reviravoltas aqui e ali para apimentar as coisas e para aproximar esse cenário ao que nos acostumamos a conectar com Scooby-Doo e sua gangue.

plano critico Scooby Apocalypse 1

Uma vez estabelecidas as personalidades de cada um dos cinco protagonistas que, claro, acham uma Máquina do Mistério na forma de um semi-tanque de guerra (o que mais, não é mesmo?) e a premissa da narrativa, o roteiro passa, porém, a correr atrás do rabo e a repetir basicamente cada um de seus conceitos nas seis primeiras edições do encadernado inicial, variando apenas nos monstros que são encontrados e enfrentados. De resto, os diálogos são praticamente iguais pagina a página em uma cansativa pancadaria verbal principalmente entre Daphne e Velma que nada – ou muito pouco – desenvolvem a narrativa. 

Na verdade, minto. São apenas cinco edições iguais, pois a sexta traz a “origem secreta de Velma” que aí sim leva a trama para a frente, preenchendo lacunas sobre seu passado e sobre o tecno-vírus solto na atmosfera. Mas se esse arco inicial tivesse apenas duas edições, o mesmo recado seria dado de maneira bem mais econômica.

No entanto, essa corrida em círculos não é totalmente desagradável, pois é visível o esforço dos roteiristas em trazer cada detalhe da mitologia clássica do Scooby-Doo para dentro da história, inclusive uma versão sinistra (ou mais sinistra) do pequeno e falastrão Scooby-Loo. E Howard Porter, o artista inicial (de um total de quatro), diverte-se em retrabalhar os queridos personagens, modernizando-os, claro, mas sem extirpá-los de suas essências, seja pela manutenção dos padrões de figurino, seja por muito bem separar visualmente cada personalidade. Os monstros, por outro lado, são apenas mais do mesmo, ainda que muito bem feitos, mas essa é uma exigência do roteiro, pelo que não havia mesmo muita saída.

O começo de Scooby Apocalipse peca pela repetição e por não sair do lugar nesse primeiro arco, mas os deliciosos personagens da Hanna-Barbera continuam perfeitamente reconhecíveis nessa nova e roupagem de fim de mundo. A diversão está lá. Só não esperem muito mais do que isso.

Scooby Apocalypse Vol.1 #1 a 6 (EUA, julho a dezembro de 2016)
No Brasil:
Panini (março de 2018)
Roteiro: J.M. DeMatteis, Keith Giffen
Arte: Keith Giffen, Howard Porter, Dale Eaglesham, Wellinton Alves
Arte-final: Howard Porter, Dale Eaglesham, Scott Hanna
Cores: Hi-Fi Design
Letras: Nick J. Napolitano, Travis Lanham
Capas: Jim Lee, Alex Sinclair, Howard Porter, Hi-Fi Design
Editoria:  Brittany Holzherr, Marie Javins
176 páginas

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.