Crítica | Scooby-Doo e a Escola Assombrada

Um dos pontos mais legais de Irmãos do Pavor, lançado um ano antes desse Ghoul School, foi o fato de colocar o trio Salsicha, Scooby-Doo e Scooby-Loo em parceria com um trio de fantasmas, de quem ficam amigos após uma esperada reação inicial de medo e tentativas de fuga. Aqui em A Escola Assombrada essa premissa é levada bem mais a sério, com um roteiro que não coloca um mistério de terror para ser investigado, mas não se afasta do gênero, pelo contrário, utiliza-o para fazer uma aplaudível homenagem aos monstros clássicos da Universal, referente aos filmes Drácula, Frankenstein, O Lobisomem, A Múmia e O Fantasma da Ópera, criaturas de quem as Garotas-Assombração são filhas.

O horror parece perseguir Salsicha e Scooby de propósito, e por um motivo incompreensível (dado o medo que guardam de situações macabras), a dupla acaba assinando um contrato para ser professores de esportes em uma muito peculiar escola para garotas, administrada pela Sra. Grimwood (Glynis Johns). De imediato, o contato de Shaggy, Scooby e Scrappy com a diretora da escola e com as alunas é muito engraçado e possui uma apresentação bem dosada, com os cineastas escolhendo colocar cada menina em um espaço de atmosfera própria (destaque para a cena da pequena múmia e seu sarcófago) ou diante de uma situação de fuga diferente dos professores fujões. Frente a disso, cada uma delas interpreta a fuga como um verdadeiro engajamento esportivo dos mestres, o que deixa tudo ainda mais engraçado.

Como não existe um mistério para ser desvendado, o terror se costura bem melhor à comédia e dá espaço para que cada cena tenha seus momentos de tensão e exponham Salsicha e Scooby a doses diferentes de desespero. Depois de se habituarem ao cenário — e isso é muito importante, porque o roteiro não insiste em fazê-los ter medo de coisas que já conhecem e de quem ficaram amigos –, os dois passam a enfrentar diferentes obstáculos em sua estadia, desembocando em situações que o roteiro usa para criar caminhos menos estressantes, o que tanto pode ser no treinamento que fazem para as meninas, quanto a oposição frente aos cadetes da escola militar ao lado.

O trabalho com os cadetes desvia um pouco a atenção e os meninos poderiam ser melhor trabalhados na sequência de excursão ao pântano, onde parecem ser irremediavelmente estúpidos, mas a ação deles na reta final da obra é bem bonita e dá um ar amigável de redenção, sugerindo uma boa mudança na relação com as garotas. Momentos como a visita dos pais ao colégio (e notem que cada garota chama os pais de forma diferente: Sibella fala daddy; Winnie fala papa; Elsa fala dada; Phantasma fala father e Tanis fala mummy daddy) e todo o ato no castelo da bruxa Revolta são os pontos altos da fita, além, é claro, do inesquecível, bravo e hilário dragãozinho Matches, cujos resmungos onomatopeicos fizeram rir com gosto.

Scooby-Doo e a Escola Assombrada representa um capítulo não muito frequente na franquia, onde a investigação de algo macabro é colocada de lado e uma inesperada parceria dos medrosos é feita com criaturas deste ambiente de terror. A história tem um bom princípio, se desenvolve a contento e termina de maneira divertida e perfeitamente coerente com os personagens dos dois lados da trama. Deveria haver uma continuação ou uma série spin-off elencando também as novas alunas que vemos apresentar-se na escola (difícil não lembrar de Hotel Transilvânia!) na sequência final: uma menina alienígena, a filha do Monstro da Lagoa Negra e uma parente de Godzilla (que não é Minilla!). Produzam logo uma série baseada nisso, por favor!

Scooby-Doo e a Escola Assombrada (Scooby-Doo and the Ghoul School) — EUA, 1988
Direção: Charles A. Nichols, Ray Patterson
Roteiro: Glenn Leopold
Elenco: Remy Auberjonois, Susan Blu, Hamilton Camp, Jeff Cohen, Glynis Johns, Casey Kasem, Zale Kessler, Ruta Lee, Aaron Lohr, Patty Maloney, Scott Menville, Don Messick, Pat Musick, Bumper Robinson, Ronnie Schell, Marilyn Schreffler, Andre Stojka, Russi Taylor, Frank Welker
Duração: 92 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.