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Crítica | Scooby-Doo! e a Maldição do Monstro do Lago

por Ritter Fan
754 views (a partir de agosto de 2020)

Scooby-Doo! O Mistério Começa foi, à época de seu lançamento, responsável pela maior audiência da Cartoon Network, com o impressionante número de 6.1 milhões de pessoas que sintonizaram o canal em comparação com o recorde anterior de 3.9 milhões quando da première de Star Wars: The Clone Wars, reafirmando o enorme poder atrativo que a gangue da Mistério S.A. tem perante o público. Com isso, claro, uma continuação era inevitável e o mesmo elenco reapareceu nas telinhas, comandado novamente por Brian Levant na direção e  os Irmãos Altiere no roteiro, nem bem um ano depois.

Com a gangue já reunida, inclusive com o clássico furgão Máquina do Mistério já devidamente batizado como vemos nos créditos do primeiro filme, o roteiro não perde tempo em colocar Fred (Robbie Amell), Velma (Hayley Kiyoko), Daphne (Kate Melton), Salsicha (Nick Palatas) e Scooby (voz de Frank Welker) investigando o caso do monstro do título que aparece no recém-inaugurado clube de Thorny (Ted McGinley), tio de Daphne e para onde eles vão em razão de empregos de verão. Mas, de maneira refrescante, o filme começa pelo final, com nossos heróis surpresos pela revelação de quem é o vilão mascarado, fazendo com que toda a duração da obra seja um grande flashback que também usa como tema as atrações adolescentes entre Fred e Daphne e Salsicha e Velma, com desfechos, aliás, muito sóbrios e, diria, até adultos.

Aliás, vale tirar o chapéu para a dupla de roteiristas. Apesar de o caso em si ser o padrão bobinho a que estamos acostumados a ver, a construção é divertida e eficiente, pareando muito bem o lado pessoal do quinteto (com Scooby sentindo-se “abandonado”), incluindo aí momentos clássicos de romance jovem como ciúmes e introversão, com o lado mais macro do mistério que envolve também a existência de uma bruxa com cajado e um passado misterioso para a região onde o clube foi construído. O experiente Brian Levant, por seu turno, não deixa a atenção do espectador esmorecer, trabalhando, aqui, artifícios como flashbacks dentro de flashbacks tanto para contextualizar a viagem do grupo como também em forma de filme antigo para abordar a lenda do monstro do lago, intercalando de maneira suave as relações amorosas entre os jovens e a caçada à criatura.

Falando em criatura, aliás, outro aspecto positivo da fita é justamente a forma como ela é trazida à vida. Nada mais do que um sapo humanoide, o monstro do lago é o resultado da fusão de efeitos práticos com computação gráfica que resulta em algo muito agradável de se ver na telinha, mostrando o cuidado em se adaptar a ameaça ao certamente parco orçamento da produção. Isso contribui para que a imersão do espectador seja amplificada, especialmente se comparada ao que foi possível em relação aos fracos e genéricos fantasmas do primeiro capítulo.

Curiosamente, porém, exatamente em razão do foco nos romances adolescentes, o simpático Scooby-Doo fica razoavelmente marginalizado na projeção, com muito pouco para ele efetivamente fazer a não ser os usuais alívios cômicos aqui e ali que nem são lá muito inspirados. Mas essa foi claramente uma escolha consciente do roteiro, que prefere desenvolver um pouco mais os jovens, deixando a atração canina como suporte apenas. Diferente do primeiro filme, também, aqui Fred, Daphne, Velma e Salsicha já fazem uso dos “figurinos oficiais” como uma constante, aproximando-os de suas contrapartidas animadas, mas sem exageros e valendo uma boa gag em que vemos Fred e Daphne exatamente como os originais de 1969.

Mais redondo e cuidadoso que o primeiro telefilme, Scooby-Doo! e a Maldição do Monstro do Lago é, talvez, a melhor transposição do espírito da animação para o live-action mesmo se comparado com as obras de maior orçamento que foram para os cinemas (o que nem é uma comparação adequada, para dizer a verdade, mas fica o pensamento). Ainda não realiza o potencial da franquia, mas certamente aponta na direção certa e, de certa forma, é até uma pena que a Cartoon Network não tenha continuado apostando nos telefilmes com esse elenco.

Scooby-Doo! e a Maldição do Monstro do Lago (Scooby Doo! Curse of the Lake Monster, EUA – 2010)
Direção: Brian Levant
Roteiro: Daniel Altiere, Steven Altiere (baseado em personagens criados por Joe Ruby e Ken Spears)
Elenco: Frank Welker, Kate Melton, Hayley Kiyoko, Robbie Amell, Nick Palatas, Ted McGinley, Richard Moll, Nichelle Nichols, Marion Ross, Beverly Sanders, Patrick Babbitt, Michael Berryman, Karee Higashi, David Joyner
Duração: 79 min.

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16 comentários

Dante 18 de maio de 2020 - 07:37

Esse eu já achei bem sem graça, hein. Vi arrastando mesmo.

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planocritico 20 de maio de 2020 - 19:07

Poxa! Eu gostei bastante!

Abs,
Ritter.

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Lavínia F. Santana 18 de maio de 2020 - 02:48

Eu acho esse filme tão sem graça, mas tão sem graça! Só que concordo com vc que esse do Monstro do Lago é melhor que o primeiro mistério deles. Baguncei tudo no meu comentário anterior favor desconsidere.

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planocritico 18 de maio de 2020 - 02:55

Eu achei Monstro do Lago uma simpatia! Adorei o sapão!

Abs,
Ritter.

Responder
Lavínia F. Santana 18 de maio de 2020 - 02:55

Eu quero então uma crítica 5 🌟 dessa obra prima dos deuses.

https://m.youtube.com/watch?feature=emb_title&v=XwUpR3TIGYc

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planocritico 18 de maio de 2020 - 03:28

HAHAHHAHHAHAHAAHAAH

Socorro!!!

Abs,
Ritter.

Responder
Lavínia F. Santana 18 de maio de 2020 - 02:32

Eu acho esse filme tão sem graça, mas tão sem graça! Só que concordo com vc é melhor que O Monstro do Lago.

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Gabriel Filipe 14 de maio de 2020 - 12:35

Ritter, a família Amell sempre te persegue kkkk. Até em Scooby Doo tem agm dessa família te perseguindo kkkkk

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planocritico 14 de maio de 2020 - 13:37

Pois é… E eu nem sabia que tinha outros filmes do Scooby-Doo além dos dois com roteiro do James Gunn. Aí achei e dei de cara com o Amell novamente. E olha que acabei de fazer a crítica de Upload com esse sujeito aí…

Abs,
Ritter.

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Gabriel Filipe 14 de maio de 2020 - 23:34

Kkkkkkk. O universo sb o seu amor pela família Amell, principalmente pelo Stephen, aí eles sempre te botam pra fzr crítica de algo com agm dessa família. Por sinal, a família Amell prova q talento é genética, por isso que eles não tem…

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O Gambit dos x-men 14 de maio de 2020 - 10:50

Caraca! O filme live action da franquia que eu menos gosto tem a melhor avaliação dos quatro filmes kkkkk

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planocritico 14 de maio de 2020 - 13:37

Você gosta desse menos ainda que Daphne e Velma ou não viu esse spin-off?

Abs,
Ritter.

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O Gambit dos x-men 14 de maio de 2020 - 13:45

Esse spin off é real???!!! Caraca! Eu pensava que era fan film!

Responder
planocritico 14 de maio de 2020 - 13:46

É real (um pesadelo real…). Acabei de soltar a crítica. Dá um pulo lá: https://www.planocritico.com/critica-daphne-e-velma/

Abs,
Ritter.

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Beatriz Lynch 13 de maio de 2020 - 15:00

Senti que o elenco estava mais à vontade nesse, e a ideia de começar do final foi bastante inteligente, apesar de ser uma trama “boba” como a dos outros, ja leva um ponto por ser um pouquinho mais ousado, mereceu a melhor nota dos 4 live action, apesar do meu favorito ainda ser o 2 do cinema.

Responder
planocritico 13 de maio de 2020 - 15:07

Sim, pareceram mais entrosados mesmo e a estrutura do roteiro foi bem executada pelo diretor. Um telefilme que me deixou realmente surpreso!

Abs,
Ritter.

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