Crítica | Scooby-Doo! e a Maldição do Monstro do Lago

Scooby-Doo! O Mistério Começa foi, à época de seu lançamento, responsável pela maior audiência da Cartoon Network, com o impressionante número de 6.1 milhões de pessoas que sintonizaram o canal em comparação com o recorde anterior de 3.9 milhões quando da première de Star Wars: The Clone Wars, reafirmando o enorme poder atrativo que a gangue da Mistério S.A. tem perante o público. Com isso, claro, uma continuação era inevitável e o mesmo elenco reapareceu nas telinhas, comandado novamente por Brian Levant na direção e  os Irmãos Altiere no roteiro, nem bem um ano depois.

Com a gangue já reunida, inclusive com o clássico furgão Máquina do Mistério já devidamente batizado como vemos nos créditos do primeiro filme, o roteiro não perde tempo em colocar Fred (Robbie Amell), Velma (Hayley Kiyoko), Daphne (Kate Melton), Salsicha (Nick Palatas) e Scooby (voz de Frank Welker) investigando o caso do monstro do título que aparece no recém-inaugurado clube de Thorny (Ted McGinley), tio de Daphne e para onde eles vão em razão de empregos de verão. Mas, de maneira refrescante, o filme começa pelo final, com nossos heróis surpresos pela revelação de quem é o vilão mascarado, fazendo com que toda a duração da obra seja um grande flashback que também usa como tema as atrações adolescentes entre Fred e Daphne e Salsicha e Velma, com desfechos, aliás, muito sóbrios e, diria, até adultos.

Aliás, vale tirar o chapéu para a dupla de roteiristas. Apesar de o caso em si ser o padrão bobinho a que estamos acostumados a ver, a construção é divertida e eficiente, pareando muito bem o lado pessoal do quinteto (com Scooby sentindo-se “abandonado”), incluindo aí momentos clássicos de romance jovem como ciúmes e introversão, com o lado mais macro do mistério que envolve também a existência de uma bruxa com cajado e um passado misterioso para a região onde o clube foi construído. O experiente Brian Levant, por seu turno, não deixa a atenção do espectador esmorecer, trabalhando, aqui, artifícios como flashbacks dentro de flashbacks tanto para contextualizar a viagem do grupo como também em forma de filme antigo para abordar a lenda do monstro do lago, intercalando de maneira suave as relações amorosas entre os jovens e a caçada à criatura.

Falando em criatura, aliás, outro aspecto positivo da fita é justamente a forma como ela é trazida à vida. Nada mais do que um sapo humanoide, o monstro do lago é o resultado da fusão de efeitos práticos com computação gráfica que resulta em algo muito agradável de se ver na telinha, mostrando o cuidado em se adaptar a ameaça ao certamente parco orçamento da produção. Isso contribui para que a imersão do espectador seja amplificada, especialmente se comparada ao que foi possível em relação aos fracos e genéricos fantasmas do primeiro capítulo.

Curiosamente, porém, exatamente em razão do foco nos romances adolescentes, o simpático Scooby-Doo fica razoavelmente marginalizado na projeção, com muito pouco para ele efetivamente fazer a não ser os usuais alívios cômicos aqui e ali que nem são lá muito inspirados. Mas essa foi claramente uma escolha consciente do roteiro, que prefere desenvolver um pouco mais os jovens, deixando a atração canina como suporte apenas. Diferente do primeiro filme, também, aqui Fred, Daphne, Velma e Salsicha já fazem uso dos “figurinos oficiais” como uma constante, aproximando-os de suas contrapartidas animadas, mas sem exageros e valendo uma boa gag em que vemos Fred e Daphne exatamente como os originais de 1969.

Mais redondo e cuidadoso que o primeiro telefilme, Scooby-Doo! e a Maldição do Monstro do Lago é, talvez, a melhor transposição do espírito da animação para o live-action mesmo se comparado com as obras de maior orçamento que foram para os cinemas (o que nem é uma comparação adequada, para dizer a verdade, mas fica o pensamento). Ainda não realiza o potencial da franquia, mas certamente aponta na direção certa e, de certa forma, é até uma pena que a Cartoon Network não tenha continuado apostando nos telefilmes com esse elenco.

Scooby-Doo! e a Maldição do Monstro do Lago (Scooby Doo! Curse of the Lake Monster, EUA – 2010)
Direção: Brian Levant
Roteiro: Daniel Altiere, Steven Altiere (baseado em personagens criados por Joe Ruby e Ken Spears)
Elenco: Frank Welker, Kate Melton, Hayley Kiyoko, Robbie Amell, Nick Palatas, Ted McGinley, Richard Moll, Nichelle Nichols, Marion Ross, Beverly Sanders, Patrick Babbitt, Michael Berryman, Karee Higashi, David Joyner
Duração: 79 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.