Crítica | Scooby-Doo e os Irmãos do Pavor

Depois de uma batelada de séries e do pequeno telefilme Scooby-Doo em Hollywood, Scooby e Salsicha finalmente ganharam a sua primeira produção em longa-metragem (agora acompanhados pelo pequeno e valente Scooby-Loo) com este Irmãos do Pavor, telefilme originalmente exibido em outubro de 1987, marcando uma longa jornada de produções mais aprimoradas trazendo esses personagens da Hanna-Barbera. Esta fase inicial do projeto contaria com 4 filmes, enquanto a próxima, com obras diretamente em vídeo, seria a mais próspera, começando em 1998 com o muito querido Ilha dos Zumbis.

No presente filme de 1987, o roteiro de Jim Ryan cria uma espécie de “grande episódio de TV” em forma de filme, estrutura que a montagem não nos deixa esquecer em momento algum, seja pelo exagero nos fades ou por outras transições que a partir de determinado momento passam a nos irritar, como o atraso da montagem em relação a ações mais intensas, a exemplo de corridas ou desastres cartunescos, o que gera uma desnecessária rejeição do espectador frente a algumas cenas. Todavia, se tem os pés atados no ritmo ou modelo de encadeamento, o filme ganha muitos pontos quando falamos de seu divertido conteúdo.

Salsicha (Casey Kasem) acaba de herdar a propriedade de seu falecido tio, o Coronel Beauregard. Acompanhado de Scooby e Scrappy (ambos interpretados por Don Messick), Shaggy faz uma viagem até as terras do tio, mas desde os primeiros momentos de sua viagem, encontra-se com coisas que o apavoram. E olha, o roteiro não dá um único minuto de paz para os visitantes. A entrada na casa e o contato com o macabro mordomo é um dos momentos mais legais do filme, com tudo funcionando muito bem: o medo dos recém-chegados, a postura exageradamente macabra do empregado (e digo aqui “exagerado” no bom sentido, como parte conhecida, proposital e bem utilizada nesse tipo de animação) e a sequência de perigos e obstáculos que surgem na caçada ao tesouro que o Coronel deixou preparada.

Por mais que o ciclo de procura de pistas, sequências de ação dos fantasmas, perseguição do orangotango e dos caipiras ao grupo da cidade progressivamente nos sature, o início dessa dinâmica é absolutamente divertida, garantindo boas risadas. O uso da trilha sonora no meio de tanta correria se perde apenas nas sequências musicais, mas a anarquia fantasmagórica cuida de colocar um rápido fim nelas e voltar para o seu foco de atenção: Salsicha, Scooby e Scrappy procurando diamantes e novas dicas (eu contei 12!) para chegarem ao grande tesouro, tendo uma progressiva relação de medo, depois amizade, depois raiva, depois volta à amizade com os Irmãos do Pavor (Boo Brothers), uma paródia dos Três Patetas, trazendo divertidas gags e a já esperada comédia slapstick, com um tantinho a mais de elegância.

Para mim, o filme só perde grande parte de sua qualidade na insistência do texto de Jim Ryan em colocar a mesma dinâmica para cada pergaminho e joia encontrados. O que parece divertido no começo acaba nos tornando indiferentes no final, algo que também podemos falar da presença dos fantasmas em cena, que parece seguir um plano bem mais elaborado do que na verdade nos é revelado ao fim. Essa agitada noite, no entanto, garante ao espectador uma sessão engraçada, de muita correria e dúvidas sobre o que é ou não é uma assombração. O típico enredo de Scooby-Doo, só que com um ótimo começo e um final nem tão bom assim.

Scooby-Doo e os Irmãos do Pavor (Scooby-Doo Meets the Boo Brothers) — EUA, 1987
Direção: Paul Sommer, Carl Urbano, Ray Patterson
Roteiro: Jim Ryan
Elenco: Don Messick, Casey Kasem, Sorrell Booke, William Callaway, Victoria Carroll, Jerry Houser, Arte Johnson, Rob Paulsen, Michael Rye, Ronnie Schell
Duração: 93 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.