Crítica | Scooby-Doo em Hollywood

Lançado em dezembro de 1979, Scooby-Doo em Hollywood foi o primeiro Especial televisivo com a tag de “telefilme” que Scooby e sua turma tiveram, isso após cinco séries e participação do time em três episódios de Dinamite, o Bionicão (1976 – 1977). Com alguns trechos editados do programa original do personagem — Scooby-Doo, Cadê Você? (1969 – 1970) –, este pequeno filme tem uma premissa e uma execução inicial muito interessantes, diante das quais o roteiro infelizmente se perde, parecendo não entender mais qual era a proposta da obra, tornando a saga uma patética tentativa de Salsicha em promover seu cão-amigo a outros papéis na TV.

A sequência de abertura tem uma ótima atmosfera. Brincando com cenas clássicas de filmes de terror, o enredo nos mostra os parceiros correndo de um monstro num castelo assombrado, acompanhados por uma trilha sonora macabra e intensa demais para ser normalmente atribuída aos personagens, e de fato esta era a intenção, como ficamos sabendo logo em seguida, quando notamos que a dupla estava filmando mais uma cena de seu programa. O toque metalinguístico aqui tem o seu charme desajeitado e funciona até mesmo na primeira quebra da narrativa comum para uma cena musical pouco interessante, onde Salsicha planta grandes sonhos de estrela na mente de Scooby.

Quando o primeiro contato da dupla com um grande produtor aponta para o fato de que Scobby está tipificado e precisa atuar em outros papéis, o espectador tem um ótimo momento diante de si. A impressão é que as trapalhadas do cão serão escritas com bom contexto dentro de diversos gêneros cinematográficos, como se dá com o western e as piscadelas para Matar ou MorrerA Conquista do Oeste, que vemos encenados logo em seguida. Para quem gosta de cinema, é um prato cheio. O problema é que esta intenção rapidamente se dilui em bobagens do personagem fora dessa proposta, num tipo estranho de ciclo de reuniões onde Salsicha exibi possíveis pilotos para o produtor. Depois desse primeiro faroeste, porém, nenhum outro funciona mais.

Tentativas de reencenar ou fazer algumas brincadeiras com Os Embalos de Sábado à Noite, Superman: O FilmeAs Panteras (série de 1976) ou A Noviça Rebelde se perdem porque o texto não se importa mais com o sonho de Scooby e suas tentativas de atuar diferente. O texto só se importa em encher a tela de cameos referenciais e colocar cão fazendo aquilo que ele faz de melhor: ser desastrado. Isoladamente, é aquele aspecto da obra que faz a gente rir aqui e ali, mas num texto repleto de cenas insuportáveis (com destaque para aquele um minuto tenebroso de crianças gritando “Scooby, we need you!!!“), não chegam a lugar nenhum.

Para quem gosta do personagem e tem curiosidade de ver todo o material produzido sobre ele, vale a pena. O filme tem ainda uma atmosfera nostálgica e metalinguística, então não é uma real perda de tempo. Fica porém, o alerta de que se trata de uma estranha, bagunçada e muitas vezes ridícula produção sobre a tentativa de fazer Scooby ser o que ele já é: uma grande estrela.

Scooby-Doo em Hollywood (Scooby-Doo Goes Hollywood) — EUA, 1979
Direção: Ray Patterson
Roteiro: Duane Poole, Dick Robbins
Elenco: Michael Bell, Edie Lehmann Boddicker, Paul DeKorte, Ginny McSwain, Pat Fraley, Don Messick, Joan Gerber, Michael Redman, Debbie Hall, Marilyn Schreffler, Stan Jones, Patricia Stevens, Casey Kasem, Rip Taylor, Heather North, Robert Tebow, Frank Welker
Duração: 49 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.