Crítica | Scooby-Doo em uma Noite nas Arábias

Produzido à moda de Animaniacs e deslocando a dupla Scooby-Doo e Salsicha para o Oriente Médio, Uma Noite nas Arábias (1994) é até hoje um marco em diversas esferas para a franquia, primeiro, por ser um dos piores filme de Scooby-Doo, e depois, porque foi a última produção realizada apenas sob a tutela da Hanna-Barbera: do longa seguinte em diante (Ilha dos Zumbis), os filmes da série viriam sob as asas da Warner, ainda em parceria e com créditos à casa criadora desses personagens.

Shaggy e seu fiel amigo chegam “às Arábias” voando em um tapete mágico. A ida para o local tem um objetivo bastante sério para dupla: eles estão prestes a assumir o cargo de provadores de comida para o Califa, ou seja, um aparente paraíso de emprego… que na verdade se mostra um tormento dos grandes, pois ambos comem muito mais do que deveriam e terminam disfarçados, contando histórias para o inútil e absolutamente sem graça homenzinho no trono. Espectadores bonzinhos ou tolerantes demais podem apontar aqui o quão “engraçadinho” foi ver Salsicha em pelo menos metade de sua aparição no filme vestido de cortesã do Califa e fingindo ser a grande escolhida para o casamento. No meu ponto de vista, nem isso consegue salvar parcialmente a história.

O roteiro de Gordon Kent e Glenn Leopold (que curiosamente estivera envolvido em outros dois bons projetos da série, Ilha dos Zumbis e Escola Assombrada) parece deliberadamente chamar a atenção para o fato de que está enganando parcialmente o espectador, vendendo um produto supostamente de Scooby e Shaggy, quando na verdade eles estão majoritariamente em apenas dois blocos da história: no começo e no fim. No miolo do filme, os protagonistas saem de cena — já dá para perceber que a coisa vai ser feia, certo? — e temos uma representação na tela de dois contos que o Salsicha-Cortesã narra para o Califa, numa jornada à la Mil e Uma Noites que em praticamente tudo é ruim.

No primeiro conto (Aliyah-Din e a Lâmpada Mágica — versão de Aladdin com uma garota no papel principal), quem assume o protagonismo é a dupla Zé Colmeia e Catatau, que são os dois gênios da lâmpada em uma história que alude a intrigas de reinos árabes e um tantinho de mitologia nativa, mas cuja graça e bons momentos são extremamente limitados, quase inexistentes. Já no segundo conto (Simbad, o Marujo) a trama está focada em Maguila, o Gorila, numa história ruim em todos os aspectos narrativos que se possa imaginar, garantindo o status de “assistibilidade” apenas por conta das gags, refigurando um pouco a ideia de caça ao tesouro com uma comédia de desastres.

Desprovido de suas estrelas, sem um mistério e sem uma história de terror para confrontar Scooby e Salsicha, Uma Noite nas Arábias parece que olhou para a abordagem meio fora da curva de Scooby-Doo e o Lobisomem e quis provar que definitivamente conseguiria fazer algo pior. Pelo menos a mal-ajambrada ideia de brincar com a Corrida Maluca naquele filme conseguiu momentos sólidos de diversão e não fingiu que os protagonistas não existiam por pelo menos metade da fita, que é o que ocorre nesse longa de 1994. Definitivamente um filme ruim.

Scooby-Doo em uma Noite nas Arábias (Scooby-Doo in Arabian Nights) — EUA, 1994
Direção: Jun Falkenstein, Joanna Romersa
Roteiro: Gordon Kent, Glenn Leopold
Elenco: Don Messick, Casey Kasem, Greg Burson, Allan Melvin, Jennifer Hale, Rob Paulsen, John Kassir, Charlie Adler, Eddie Deezen, Maurice LaMarche, Brian Cummings, Paul Eiding, Nick Jameson, Tony Jay, Kath Soucie
Duração: 69 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.