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Crítica | Scooby-Doo: Episódios Especiais – Parte 3 (ScoobyNatural)

por Iann Jeliel
2775 views (a partir de agosto de 2020)
  • Leia aqui as críticas de todo nosso material de Scooby-Doo. E aqui, todos os compilados de curtas especiais.

Parte final da série de compilados que passeia por diferentes episódios de Scooby-Doo, os quais não se encaixam cronologicamente em nenhuma das séries oficiais do desenho. Entraram aqui os especiais de TV de curta ou média duração, os filmstrips educativos, web episodes ou episódios crossover do personagem em alguma outra série animada. Vale destacar que ao longo da minha pesquisa, não foi possível encontrar todos os episódios para assistir, logo, esses não serão criticados, mas serão mencionados seguindo a ordem cronológica de lançamento.
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Crossover com Mad

Mad é a representação máxima do desenho infantil que se acha adulto só porque propõe um humor mais “sofisticado” e “espertinho”, que de sofisticado e esperto não tem nada. São apenas memes transferidos para o audiovisual, sem qualquer elaboração, critério ou propósito além de “causar” da forma mais barata e apelativa possível. Costumo defender que humor é sempre algo muito subjetivo, então, nem toda comédia precisa fazer rir para ser boa, mas é preciso que ela venha, como qualquer outra, com alguma substância ou intenção na hora de fazer graça. Mad simplesmente não possui isso, e sua estruturação de curtas de 11 minutos dependentes da graça da piada impossibilita ter reações diferentes de 8 ou 80. Ou você acha graça (e honestamente, eu não sei como alguém acha graça disso, ou pior, alguma CRIANÇA acha graça disso) ou você não acha graça nenhuma.

Independentemente da resposta, fato é que no caminho alguma das referências que ele utilizará para fazer piadas infames e aleatórias será autodepreciada. Porque, claro, se você não tem criatividade no humor, você zoa o defeito do outro para se sentir superior. E eu nem acho a piada para o desenho de Scooby feito por episódio tão infame a ponto de ser ofensiva. É apenas a turma do mistério competindo com detetives britânicos parodiados de Sherlock Holmes e perdendo porque essa equipe tinha o Salsicha e Scooby, logo, a dupla é mais fundamental para a resolução desses mistérios porque são sempre eles que acham os bandidos. Podia ser até uma piada boa nesse contexto, porque já foi boa em outros, mas não dá, a forma como ela é conduzida com esse aspecto deturpado de meme “shitsposting” (postar qualquer merda para ver se alguém acha engraçado), com ar arrogante de desenho intelectualizado, é extremamente irritante e prepotente. Isso sem contar no bolo os outros minutos do episódio, em que os 3 iniciais são de abertura parodiadas da Fox (porque sim), e outros 5 minutos de créditos parodiando nomes dos bastidores e franquia de Scooby-Doo (porque sim, também). Sério, para quê? Por quê? Qual a graça? Enfim, Mad em resumo é uma idiotice sem tamanho, inclusive nesse episódio.

Mad – 4X13: Downton Shaggy | EUA, 12 de Agosto de 2013
Criação: Kevin Shinick
Direção: Kevin Shinick
Roteiro: Matthew Ireland Beans, Justin Becker, Aaron Blitzstein, Marly Halpern-Graser, Kevin Shinick
Elenco: Keith Ferguson, Grey Griffin, Matthew Lillard, Rachel Ramras, Kevin Shinick, Dana Snyder, Stephen Stanton, Frank Welker
Duração: 12 minutos
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Scooby-Doo! Gol de Fantasma

Apesar de ter o excelente Vitor Cook na direção (um excelente animador responsável por Espetacular Homem-Aranha, Young Justice e o próprio Scooby-Doo Mistério S.A), como brasileiro, não dá para não se incomodar com a visão extremamente estereotipada do país pelas lentes americanas. Nos desenhos – este incluso – é sempre aquele olhar de que tudo é carnaval, favelas e futebol. Tudo bem que no mistério a fórmula motivadora para existir o vilão é criada por um cientista inteligente no território nacional, mas a construção do personagem parece alheia ao espírito do Brasil. O especial em questão foi feito para o clima da Copa do Mundo de 2014, então todo aspecto internacional da coisa está limitado a esse recorte.

Tanto que o monstro não é do folclore brasileiro, é um monstro qualquer para uma situação de mistério que poderia vir de qualquer outro lugar do planeta. E aí, ao entendimento do americano distanciado, a proximidade do desenho com a cultura fica resumida em toda a equipe jogando bola no final para derrotar o vilão e solucionar o mistério, que é até legalzinho dentro da fórmula, mas que fica desgostoso quando se leva em conta o aspecto mercadológico envolvido na sua realização.

Scooby-Doo! Gol de Fantasma (Scooby-Doo! Ghastly Goals | EUA, 2014)
Direção: Victor Cook
Roteiro: Erin Maher, Kay Reindl
Elenco: Frank Welker, Matthew Lillard, Mindy Cohn, Grey Griffin, Carlos Alazraqui, Gabriel Iglesias, Andrew Kishino, Christian Lanz, Mina Olivera, Rob Paulsen, Danny Trejo
Duração: 22 minutos
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Scooby Doo! e o Monstro da Praia

O episódio parece se render ao humor autodepreciativo característico dos desenhos animados da metade da década de 2010 para cá. E olha que estamos falando de outro especial dirigido por Victor Cook, mas o problema não é nem sua direção, que faz o que pode para deixar o mistério e a forma transmorfa da água (igual àquele especial de Natal) uma premissa interessante, relevante e imageticamente assustadora de se trabalhar em um especial. O problema é que o texto parece não permitir a inserção do retro, utilizando-se de piadas, como o vício em armadilhas de Fred, a gosto “espertinho” de zoar com características que nessa versão do desenho nunca foram assumidas nesse exagero, como é o caso de Mistério S.A.

E depois não adianta abraçar a inocência novamente. A piada da separação dos amigos Salsicha e Scooby por um estar apaixonado, no caso, Scooby por uma cachorrinha aleatória, tem um de seus raros casos de não funcionar aqui, porque não parece crível com o clima do episódio. Acaba que se torna um capítulo difuso, indeciso em linguagem e abordagem de ideias. E no fim, seu foco, que é a temática ambiente da praia, acaba sendo escanteado por um mistério com bem mais potencial.

Scooby Doo! e o Monstro da Praia (Scooby-Doo! and the Beach Beastie | EUA, 2015)
Direção: Victor Cook
Roteiro: Doug Langdale, Candie Langdale
Elenco: Frank Welker, Matthew Lillard, Mindy Cohn, Grey Griffin, Adam West, Melissa Rauch, David Kaye, Daran Norris, Beth Tapper, Christopher Showerman
Duração: 22 minutos
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Lego Scooby-Doo! Terror do Tempo do Cavaleiro

O bom é que é um episódio que não tenta prestar uma simples homenagem ao primeiro episódio de Scooby-Doo (O Fantasma do Cavaleiro Negro) sob a óptica LEGO. Ele articula sua própria história com desdobramentos originais e elaborados do zero para promover um especial. A grande questão é o formato, talvez Scooby-Doo não nasceu para ter uma versão LEGO, ao menos não dentro de sua estrutura tradicional. A questão atmosférica perde muito com o fator “brincadeira” das peças, embora o mistério cresça na utilização do cenário a seu favor.

A comédia da LEGO é muito boa também e até combina bastante com o típico humor tradicional de Scooby em alguns momentos. A cena de perseguição do Cavaleiro a Salsicha e Scooby é bem divertida nesse sentido. No entanto, ainda fica uma sensação estranha, e não é nem o clima mais infantilizado, é o não pertencimento àquele formato tentando preservar uma essência. A mesma síndrome de Que Legal, Scooby-Doo, suavizada porque obviamente traz um senso de inocência mais correspondente às origens do desenho. De qualquer forma, combinando ou não, é um bom episódio.

Lego Scooby-Doo! Terror do Tempo do Cavaleiro (Lego Scooby-Doo! Knight Time Terror | EUA, 2015)
Direção: Rick Morales, Viren Patil
Roteiro: Heath Corson
Elenco: Frank Welker, Grey Griffin, Matthew Lillard, Kate Micucci, Phil Morris, Colleen O’Shaughnessey, Sean Schemmel, Jason Spisak
Duração: 22 minutos
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Web Curtas Scooby-Doo Para a LEGO

Considerei esses 38 curtas divididos em 3 séries a serem “criticados” no mesmo espaço, porque todos fazem parte de um conglomerado de web episodes promocionais que a LEGO fez para a venda de seus produtos do Scooby-Doo. Cada curta tem apenas 1 minutinho de duração, ou seja, não têm grandes ambições para além do propósito cosmético de venda do merchandising. Diante disso, apesar de cada série possuir um modelo específico de venda, todas partilham de uma mesma base, que é o incentivo à mentalidade infantil a criar seus próprios mistérios diante das possibilidades de montagem de cenários com as peças da LEGO.

Em Scooby-Doo! Mystery Cases, os curtas já preparam ideias de brincadeiras a serem feitas, de modo visualmente imaginativo, embora computadorizado. São aquelas clássicas propagandas para estimular a compra baseado na replicação dos movimentos dos bonecos pelas crianças, que geralmente não se correspondem. Ao menos, é um estímulo bem dado e não tão irreal diante do que o LEGO oferece, sendo a série que possui os curtas mais criativos, embora nem todos funcionem. A mais regular é Scooby-Doo! Mini-Mysteries, em que a contagem desses mistérios vem das vozes de crianças, o que dá mais autenticidade ao aspecto comercial do curta, por mais besta que possa parecer o mini mistério criado pela mente infantil em questão. A última é meio que um misto das outras duas, só que no formato Playmobil e com bem menos capítulos (por enquanto, não se sabe até onde mais curtas desses podem surgir), em que as crianças conduzem, mas existe uma liberdade maior na intersecção computadorizada dos mistérios. No fim, são curtas que pouco acrescentam à mitologia do desenho, é verdade, mas o faz ter vontade, especialmente quando criança, de criar sua própria versão do desenho.

LEGO Scooby-Doo: Stop Motion Series – Scooby-Doo! Mystery Cases & Scooby-Doo! Mini-Mysteries & Scooby-Doo! Playmobil Mini Mysteries | EUA, 2015 – 2020
Contendo os web episodies (por ano):

2015: Scooby-Doo and the Tag-Sale Clue; Donuts Save the Day; Doorway Debacle; Ghoul on Wheels; The Getaway; Creaky Creep Out; Impossible Imposters; Scooby-Dooby-Doo!; Trick and Treat
2016: Mystery Machine Mash-Up; Lighthouse Lunch Break; Scary Sleepover; Nice Ride; If You Build It, Pizza Will Come; Mummy Museum Mystery; Danger Prone Daphne; Wicked Warehouse Pursuit
2018: The Case Of The Scooby Snack Specter; The Case Of The Swamp Picnic Showdown; The Case Of The Speed Vampire; The Case Of The Monster Birthday; The Case Of The Party Mayhem; The Case Of The Ghost In The Theater; The Case Of The Bad Science Ghost; The Case Of The Vanishing Van; The Case Of The Beach Pirate Bonanza; The Case Of The Very Spooky Cave; What’s Mine Is Yours; The Case Of The Monster Mansion; The Case Of The Gift Grabber; The Case Of The Problematic Pumpkin Pie
2019: Ice To Meet You, Cotton Candy Chaos, Beware the Barbecue Bash
2020: Big Screen; The Line Up
Duração: 36 curtas – 1 a 2 minutos de duração cada curta
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Crossover de Scooby-Doo com Supernatural

Acompanhei Supernatural apenas nos primórdios de sua primeira temporada, e mesmo lá, como qualquer outra série da CW, enxergava uma série com diversos complexos de grandiosidade que desviavam o aproveitamento de suas maiores qualidades – o carisma da dupla de personagens na proposta de investigadores paranormais de interior – para inserir mitologias desconexas e genéricas com fundos religiosos épicos (anjos, demônios, deuses) nunca sustentados pelas limitações dramatúrgicas da série. É lógico que em algum momento isso caiu totalmente na galhofa, e pelo visto, na décima terceira temporada se assumiu assim para topar enfiar os personagens do live-action em versões de desenhos animados. Acaba combinando, porque o complexo de grandiosidade de Supernatural no caráter lúdico de animação não só funciona como é potencializado no contraste de ser também um episódio inocente característico de Scooby-Doo em sua era mais clássica. E as escolhas de crossover nesse sentido são muito felizes por prestarem um caráter de homenagem ao desenho e utilizarem suas virtudes para melhorar o legado dos irmãos Winchester.

Ainda que considere somente o período do desenho para aquele sobrenatural ser impactante para a turma do mistério no episódio, existe um respeito mútuo por parte dos envolvidos em dinamizar os diferentes tipos de detetivismo, nos quais um ajuda o outro na medida do conflito. O ceticismo da turma da “mistério” se perdendo sempre traz grandes momentos, mas é aquela inocência que faz os Winchester aprenderem com Scooby-Doo os benefícios de tratar seu universo com mais leveza, porque foi feita como tal. Tanto que as interações cômicas entre os personagens parecem ter uma química automática tamanho o carisma, que me conquistou (apesar do meu desgosto com a série mãe) a ponto de querer ver um programa deles juntos.

Supernatural – 13X16: ScoobyNatural | EUA, 29 de Março de 2018
Criação: Eric Kripke
Direção: Robert Singer
Roteiro: James Krieg, Jeremy Adams, Davy Perez
Elenco: Jared Padalecki, Jensen Ackles, Misha Collins, Frank Welker, Grey Griffin, Matthew Lillard, Kate Micucci, Dee Bradley Baker, Eric Bauza, Stephen Stanton, Fred Tatasciore, Peter New, Michael Girardin, Kegan Frith
Duração: 42 minutos
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“Crossover” com OK K.O.! Vamos ser Heróis

Nos vários episódios crossover que separei para comentar nesses especiais de Scooby-Doo, em todos havia participações relevantes da turma da “mistério” em um episódio de outro desenho, porque é isso que diferencia um crossover de uma mera menção ou participação especial. Sendo assim, mesmo que esse episódio não contenha nenhum dos personagens originais da turma do Scooby-Doo, ainda é um crossover com o desenho pela relevância da participação de algumas personagens que originalmente foram concebidas em um filme de Scooby-Doo. Estamos falando da  única aparição das Garotas-Assombração (a filha de Drácula, a filha de Frankenstein, a filha do Lobisomem, a filha da Múmia e a filha do Fantasma da Ópera) fora de seu filme de origem Scooby-Doo e a Escola Assombrada.

Nunca assisti a OK K.O.! Vamos ser Heróis na vida ou fora deste episódio, o que só aumenta os méritos da inserção perfeitamente orgânica dessas personagens nele. O grupinho em questão era colega da protagonista Enid na escola assombrada (sim, a mesma do filme, e há até ceninha delas no visual original como flashback para mostrar), e elas se reencontraram depois de muito tempo, o que deixa Enid nervosa, porque ela não mais seguiu os caminhos de bruxa como suas colegas imaginavam. A sequência do crossover basicamente colocará Enid tentando fazer mágica para impressionar as coleguinhas, mesmo sem ter nenhum domínio do que está fazendo por não mais ter mexido naquilo, enquanto interage com as 5 monstrinhas com as personalidades completamente preservadas. Impressionante como a química dos desenhos combina, e certamente me interessei em conhecê-lo melhor depois deste divertidíssimo episódio.

OK K.O.! Vamos ser Heróis – 2X23: Monster Party | EUA-Coreia do Sul, 21 de Outubro de 2018
Criação: Ian Jones-Quartey
Diretor: Ian Jones-Quartey
Roteiro: Stevie Borbolla, Ryann Shannon, Dave Tennant, Ian Jones-Quartey, Toby Jones, Erin Shade
Elenco: Ian Jones-Quartey, Courtenay Taylor, Ashly Burch, Dave Fennoy, Melique Berger, Russi Taylor, Pat Musick, Susan Blu, Natalie Palamides, Kristen Li
Duração: 11 minutos
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Crossover com Os Jovens Titãs em Ação!

O humor autodepreciativo em desenhos animados em geral nunca me agradou. E apesar do expoente desse tipo de desenho ser o próprio Jovens Titãs em Ação, ou no mínimo, aquele que tendenciou outros a adotarem a mesma linguagem, pelo menos eles sempre depreciam a si próprios no caminho, constantemente e de forma consciente, principalmente quando colocados em crossovers com desenhos clássicos, nesse caso de Scooby-Doo, também foi assim. A estrutura do capítulo em questão é um reality show para deixar de forma bem expositiva vários pontos que “provam” o quanto Scooby-Doo é melhor que Os Jovens Titãs em Ação, uma vez que as perguntas a serem adivinhadas são na verdade alternativas direcionadas a esse intuito comparativo já colocado como verdade.

É uma estratégia interessante, porque ao mesmo tempo em que as linhas apontadas trazem pontos válidos (pelo menos, com que eu concorde muito), eles são postos ali de forma cínica ou esperta com caráter irônico, mas como uma defesa autêntica a personalidades que não precisam ser equiparadas. Se a turma do Scooby-Doo parece passiva nas perguntas com a clara expressão de “por que estamos fazendo isso?”, à medida que as respostas vão sendo dadas, são eles que vão desrotulando pejorativamente Os Jovens Titãs pelo contraponto do desenho estar os convidando e se permitir entrar na sua linguagem mais clássica. É o tipo de crossover como todo crossover deveria ser, em que as combinações gerem o progresso para ambos os lados, e os embates se complementem.

Os Jovens Titãs em Ação! – 5X47: Cartoon Feud | EUA, 4 de Outubro de 2019
Criação: Aaron Horvath, Michael Jelenic
Diretor: James Krenzke
Roteiro: Brady Klosterman
Elenco: Greg Cipes, Grey Griffin, Matthew Lillard, Scott Menville, Kate Micucci, Khary Payton, Alexander Polinsky, Tara Strong, Hynden Walch, Frank Welker
Duração: 11 minutos

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