Crítica | Scream 1X07: In the Trenches

estrelas 2,5

O melhor de tudo neste novo episódio de  Scream é que voltamos à linha do “capítulo mediano”. E mediano não porque sua constituição foi assim. Qualquer pessoa que tenha visto In the Trenches com atenção percebe que o objetivo dos roteiristas Meredith Glynn e Jordan Rosenberg foi chocar o espectador com os melhores ingredientes do subgênero slash, adicionando alguns bons momentos de suspense e quase se aproximando da almejada fina ironia. Se contarmos apenas por essas boas e visíveis intenções (e todos nós sabemos o adorável lugar que está cheio de boas intenções), esse episódio é sim um dos mais interessantes da temporada. Só que não.

In the Trenches é o melhor exemplo de que boas ideias podem ser quase completamente massacradas por diálogos estúpidos e más atuações, não importa o quão mind blowing seja o plot em questão. Para o espectador, algumas salvações externas ao episódio ajudam a melhor recepção da história e isso justifica até a forma extremamente positiva com que alguns fãs o estão recebendo. O motor aqui não é diferente daquele que vimos em Aftermath, com a diferença de que agora existe uma história e um significado dramático maior a ser levado em consideração.

Para quem estava fazendo a famosa listinha de suspeitos, as coisas parecem ter ficado um pouquinho mais intricadas. Agora que Will saiu definitivamente de cena — a única coisa realmente maravilhosa desse episódio — é possível focarmos em outros personagens. Como é do feitio desse tipo de produção e algo que temos observado desde Red Roses, alguém sempre é colocado em destaque para confundir a nossa percepção. E o bode expiatório da vez é Brooke (de perto) e Kieran (de longe). Evidente que suspeitas menos óbvias e provavelmente mais corretas podem ocorrer a cada um de nós, mas esses foram os destaques de possíveis assassinos que tivemos no roteiro, ambos com reais desculpas e elementos que podem incriminá-los. Embora eu tenha achado o episódio, em geral, medíocre, esse jogo de apontar suspeitos e esconder possibilidades realmente me agradou.

A novata diretora Leigh Janiak consegue um bom clima de suspense na pista de boliche e em alguns cenários do “esconderijo da vez”, mas não logra driblar o verdadeiro abismo deste episódio, o sofrível roteiro. Após a abertura bastante promissora (com um dos melhores ritmos de montagem e uso da trilha sonora na construção da tensão), temos que suportar uma tenebrosa tentativa de colocar Édipo no meio da relação de Kieran e Emma em uma cena longa demais, extremamente constrangedora (há tempos eu não via um take de beijo tão sem graça. Os dois parecem aqueles casais sem noção que vivem se esfregando no metrô, achando que estão sozinhos no vagão, parecendo peixes grudados na fritura); a péssima atuação de Tom Maden e Carlson Young; o despertar mais falso de toda a história da televisão (sorry, Will) e piadinhas, ironias ou frases “espirituosas” e sem sentido de praticamente todo o elenco. Talvez cansados de sobrecarregar apenas um dos atores, os roteiristas tiveram a seguinte ideia: “e se a gente escrever um monte bobagem para todo mundo falar, será que o pessoal vai perceber?“.

Já na reta final da temporada (faltam apenas 3 episódios) alguns “poréns” começam a caminhar para uma possível resolução, Will que o diga. A série retoma um pouquinho o rumo, após os últimos episódios decepcionantes, mas ainda sofre com exageros e deslocamentos cômicos, elenco parcialmente incompetente e auto-armadilhas que podem ser muito perigosas nessa reta final. É possível que In the Trenches aponte para uma melhora progressiva nos capítulos vindouros e isso seria muito bom. O mote da série é interessante e eu ficaria feliz se tivéssemos um final de temporada positivo. Falta pouco para termos resposta para isso.

Para terminar, eu gostaria de fazer duas perguntas: 1) vocês acham que o finale vai revelar o assassino ou deixar o cliffhanger para o próximo ano?; 2) quantas temporadas vocês acham que a série deve durar, considerando o óbvio esgotamento que o argumento central pode ter?.

Palpite da semana: Graças ao André de Oliveira, agora eu acho que é a Piper.

Pânico/Scream: 1X07: In the Trenches (EUA, 11 de agosto de 2015)
Direção: Leigh Janiak
Roteiro: Jaime Paglia
Elenco: Willa Fitzgerald, Bex Taylor-Klaus, John Karna, Amadeus Serafini, Connor Weil, Carlson Young, Jason Wiles, Tracy Middendorf, Bryan Batt, Amelia Rose Blaire, Tom Maden, Shona Gastian
Duração: 40 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.