Crítica | Scream 1X10: Revelations

estrelas 3,5

Dedicado à memória de Wes Craven, falecido no dia 30 de agosto de 2015, este finale da 1ª Temporada de Scream é também o seu episódio mais interessante, tanto em qualidade de entretenimento quanto no escopo da série, que passou por maus bocados no miolo desta temporada inicial, voltando aos trilhos, compassadamente, nos dois capítulos anteriores a este.

O grande foco aqui, desde o início, era a descoberta do assassino (ou dos assassinos), portanto, a atenção do espectador fica voltada para este mistério, esperando que o episódio forneça boas explicações para as janelas abertas desde Red Roses e como elas se fechariam aqui, mostrando o responsável por toda a bagunça, ao final. E o texto de Jaime Paglia não nos decepciona em seu jogo de ação, perseguição, investigação e mortes. Em partes, confesso, me decepcionei porque esperava muito mais sangue do que de fato aconteceu, mas a forma como os assassinatos ocorreram e a ligação deles com o ritmo do episódio — ajudado, enfim, por uma ótima e bem utilizada trilha sonora — funcionou para mim.

Pela primeira vez na série as atuações do elenco condizem com o drama mostrado. Parte do elenco jovem simplesmente decepcionou a temporada inteira, mas aqui, ao que parece, o comprometimento de todos em nos mostrar um bom final e, claro, os visíveis empurrões do diretor Jamie Travis na dinâmica de cenas (especialmente o desfecho, quando um dos Ghostfaces se revela), fez com que todos estivessem pelo menos adequados dentro daquilo que deveriam apresentar. Gostando ou não de um personagem ou outro, o fato é que pela primeira vez não vi extrema artificialidade em suas ações, o que muito tem a ver com as linhas de Jaime Paglia, que mesmo não escrevendo um roteiro livre de falhas, é espirituoso o bastante para segurar o público do começo ao fim, em grande tensão, e ainda oferecer um final satisfatório juntamente com um intrigante cliffhanger para a temporada seguinte.

As revelações — todas elas — foram acompanhadas de uma atmosfera perfeitamente montada para demonstrar medo ou dúvida, e é por isso que mesmo o roteiro abrindo portas para questionamentos de como algumas mortes e ações de Ghostface podem ter acontecido com Piper Shaw em cena ou mesmo Audrey — se considerarmos que ela vestiu a máscara mais de uma vez, além daquela em que atacou Will –, ele merece os devidos créditos de boa história. As boas marcas do suspense se construíram aos poucos e ora se disfarçaram de explicação, ora de dúvida para o futuro, como comprovamos ao ver o jogo de confissão de Jake sobre estar espionando Brooke; a brincadeira com o fato de Piper ser meia-irmã (e não irmão) de Emma; a excelente morte de Clark; a ligação entre a morte de Piper e a de seu pai Brandon James; e a interrogação sobre os motivos de Audrey para sua troca de cartas com Piper e o fato dela ter papéis das evidências dos crimes de Brandon James.

Ágil e muito divertido, Revelations aproveita bem o Halloween (isso me fez pagar a língua para o que eu falei em The Dance) e nos deixa animados, apesar de temerosos, para a segunda temporada. E vocês, o que acharam?

Pânico/Scream: 1X10: Revelations (EUA, 1º de setembro de 2015)
Direção: Jamie Travis
Roteiro: Jaime Paglia
Elenco: Willa Fitzgerald, Bex Taylor-Klaus, John Karna, Amadeus Serafini, Carlson Young, Jason Wiles, Tracy Middendorf, Amelia Rose Blaire, Tom Maden, Bobby Campo
Duração: 40 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.