Crítica | See – 1X07: The Lavender Road

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios. 

Faltando apenas um episódio para o encerramento da 1ª temporada, See traz um episódio que consiste basicamente na estirada final da peregrinação de Baba Voss, Haniwa, Kofun, Paris e Bow Lion pela estrada do título até o misterioso quartel-general de Jerlamarel, com todas as promessas que vêm embutidas nessa premissa e que permanecem como mistério para o espectador e como o artifício que move os jovens que enxergam para deixar seus pais em uma forçadíssima metáfora da jornada de amadurecimento que já vimos tantas vezes antes. É o típico episódio que poderia ser condensado em algo como 10 minutos e fundido ao último, sem toda a enrolação que o roteiro de The Lavender Road traz.

A série continua belíssima, porém, isso é inegável. Seu lado National Geographic é realmente de encher os olhos (ó, ironia!) com paisagens naturais das mais diferentes – planícies, desfiladeiros, rios e lagos – crivadas de resquícios da presença humana de centenas de anos atrás, toda a civilização que se perdeu graças à praga que dizimou a população do planeta e cegou os sobreviventes. A retomada do planeta pela natureza é o grande achado da série, ainda que isso, sozinho, nem de longe sustente a narrativa, mesmo que eu seja o primeiro a reconhecer que, muitas vezes, serve como uma forma bem eficiente de nos fazer esquecer um pouco da história que, se espremermos, é, no mínimo, pouco inspirada, algo muito distante da excelente Peaky Blinders, também fruto da mente de Steven Knight.

Outro aspecto memorável de See é a forma com as sequências de batalha e luta são trabalhadas, sempre estabelecendo verossimilhança de como seria o combate de cegos contra cegos e sempre mostrando que ter o dom da visão não necessariamente é uma vantagem determinante. No entanto, nem mesmo isso temos neste episódio. A literal estrada de lavanda – a contrapartida pós-apocalítica da estrada de tijolos amarelos de O Mágico de Oz – é, até seu finalzinho, pacífica e tão interessante quanto sua paisagem ao redor e nada mais do que isso. Não há desafios ou dificuldades, o que estabelece que o que vemos desenrolar diante de nossos olhos é um filler bem safado feito para a temporada alcançar seus oito episódios, mas não muito mais do que isso.

Até mesmo a promessa de pancadaria com o resgate da rainha Kane por Tamacti Jun e seus soldados é anticlimática, com uma ação stealth rápida e eficiente demais, sem que nenhum pingo de tensão seja criado e com uma execução que não a diferencia se fosse algo ocorrendo em um mundo normal, em que todos pudessem ver. Além disso, infelizmente, quer parecer que o fim da própria rainha chegou, já que a confissão da destruição de seu reino parece selar seu destino pelo menos no que se refere a seu leal escudeiro. Afinal de contas, depois do que ele diz para ela – sobre os soldados não terem mais para quem e para onde voltar depois de 20 anos a seu serviço longe de casa – não poderia existir nenhuma lógica que revertesse essa questão. Ou Kane morrerá, ou ela será banida. Qualquer coisa diferente disso, que não duvido que aconteça, será mais uma vez forçar a barra com invencionices retiradas da cartola da equipe de roteiristas.

Considerando tudo o que não aconteceu até agora, acho que eu já ficaria muito feliz se o oitavo e derradeiro episódio realmente encerrasse a série, transformando-a em uma minissérie. A não ser que o que venha pela frente seja surpreendente e abra horizontes que deixem entrever grande potencial, Steven Knight faria melhor se acabasse sua jornada por esse futuro distópico inicialmente muito intrigante por aqui mesmo, sem deixar os espectadores mais frustrados do que provavelmente já estão.

See – 1X07: The Lavender Road(EUA – 29 de novembro de 2019)
Criação: Steven Knight
Direção: Frederick E.O. Toye
Roteiro: Steven Knight, Robert Levine
Elenco: Jason Momoa, Sylvia Hoeks, Alfre Woodard, Hera Hilmar, Christian Camargo, Archie Madekwe, Nesta Cooper, Yadira Guevara-Prip, Mojean Aria
Duração: 54 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.