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Crítica | See – 2X01: Brothers and Sisters

por Ritter Fan
3.502 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios. 

Uma das séries do pacote original de lançamento do Apple TV+ que mais sofreu atrasos com a pandemia, o épico pós-apocalíptico See, criado por Steven Knight e estrelado por Jason Momoa que imagina uma Terra em que toda a população é cega, retorna com força total para tentar compensar a decepção que foi o final da temporada inicial. Com uma nova e ainda mais bela abertura que já dá o tom de grandiosidade que, pelo visto, permeará o novo ano, Brothers and Sisters expande bastante o universo original e introduz novos e potencialmente ótimos personagens prometendo não cometer os mesmos erros anteriores.

Mas isso, claro, é só suposição casada com um forte desejo de a série funcionar em razão de sua premissa intrigante que leva a sequências de batalha memoráveis como a que abre o episódio, com Baba Voss e seu filho Kofun atacando uma tropa avançada da cidade de Trivantis, para aonde Haniwa foi levada para servir de isca para atrair Baba de volta às garras de seu vingativo irmão Edo Voss (Dave Bautista basicamente fazendo uma ponta e quase sempre mantido nas sombras, mas imediatamente estabelecendo a ameaça que ele representa). See tem todo o potencial de ser interessantíssima de verdade, se o caminho que o showrunner seguir deixar de lado toda aquela construção messiânica relacionada aos filhos adotivos de Baba Voss.

O roteiro do episódio carrega com bastante facilidade sua carga introdutória de um novo status quo. De um lado, temos Baba Voss invadindo Trivantis e, claro, sendo capturado ao final depois de ser traído e de matar muita gente, o que garante toda a dose necessária de violência sanguinolenta e, de outro, temos a Rainha Sibeth Kane, acompanhada de sua irmã Maghra e de Boots, outro filho que enxerga de Jerlamarel, chegando à cidade fortificada de Pennsa, parte de seu reino Payan de forma a reafirmar seu status. Essa segunda linha narrativa é a que oferece os vislumbres das intrigas palacianas que foram tão mal abordadas na primeira temporada, com a introdução de Lorde Harlan (Tom Mison), regente da cidade que muito claramente não está confortável com o retorno de sua rainha, especialmente diante das dúvidas do que aconteceu em Kanzua, antiga capital do reino.

Há, portanto, muito material para ser desenvolvido ao longo da temporada já a partir destes dois elementos macro, especialmente depois que a rainha, sem avisa ninguém, de forma a não nos deixar pensar que ela mudou, consagra Pennsa como a nova capital dias antes da cerimônia formal organizada por Harlan e, ainda por cima, descaradamente diz que está grávida de uma criança que enxerga, o que tende a criar a cizânia em seu reino em razão das gerações que viveram temendo quem consegue ver. E, claro, já nesse início, ela estabelece o que claramente será a convergência narrativa entre Pennsa e Trivantis, ao afirmar que a destruição de Kanzua se deu por um ataque dos “trivantianos” para desespero de Maghra e Harlan.

No lado “micro” do episódio, foi particularmente notável a revelação de que a existência de pessoas que enxergam não fica limitada à linhagem de Jerlamarel. Tudo bem que o garoto que serve de olheiro para a tropa de Edo Voss que caça seu irmão provavelmente é filho do agora cego semeador de visão, mas a revelação de que a tenente do general-comandante também vê, abre os horizontes da série para outras pessoas que precisam esconder seus dons em um mundo em que enxergar é no mínimo um pecado.

Novamente, a direção de arte dá um show, com a criação de cenários e figurinos que, seja em Trivantis ou em Pennsa, facilitam o mergulho do espectador nesse universo. Ajudado por um bom CGI usado para literalmente expandir horizontes e a costumeira belíssima fotografia que faz muito uso bucólico da natureza que cerca os personagens, See é, apesar de toda a violência bárbara, uma série lindíssima de se ver.

Talvez agora livre das amarras que construíram esse futuro distópico e, principalmente, do mistério sobre Jerlamarel, a série mais uma vez mostra que tem um bom potencial inexplorado, exatamente como no começo da temporada inaugural. Só resta esperar que Steven Knight consiga manter a lógica interna e saiba explorar significativamente a expansão que ele estabelece aqui com Brothers and Sisters.

See – 2X01: Brothers and Sisters (EUA – 27 de agosto de 2021)
Criação: Steven Knight
Direção: Simon Cellan-Jones
Roteiro: Jonathan Tropper
Elenco: Jason Momoa, Sylvia Hoeks, Hera Hilmar, Archie Madekwe, Nesta Cooper, Alfre Woodard, Dave Bautista, Franz Drameh, Tom Mison, Jessica Harper, Luke Humphrey, Hoon Lee, Eden Epstein
Duração: 62 min.

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