Crítica | Senhor Destino: Este Imortal Destino (Origem Secreta)

Este Destino Imortal é uma (nova) história de origem. Ela foi publicada originalmente na revista DC Special Series #10, juntamente com os contos da Canário Negro e Magtron (ou Solis ou Lightray). Esta série especial trazia tanto enredos originais quanto reimpressões, levando em consideração que o que interessava no título era o formato gigante, o que atraía bastante gente.

A trama começa com Inza Nelson, esposa de Kent, escrevendo em seu diário e se lamentando pelo fato de ter um esposo que sai para batalhar contra inimigos místicos e que ela só queria ter uma vida normal. Como não existe nenhum background para a mulher — o roteiro de Paul Levitz foca unicamente na origem de Fate –, o leitor tem a impressão de que Inza é uma mulher chata que, depois do que parece ser um tempo considerável, ainda não entendeu que é casada com um homem que tem uma entidade mística guardiã no corpo, fazendo-o muito poderoso e imortal (bom, a não ser que o guardião nele decida o contrário e o permita tirar o elmo). Isso, porém, pode ser interpretado de uma forma mais humana, embora o texto realmente cause a impressão negativa, não dá para negar.

Fala-se aqui dos Lordes da Ordem e dos Lordes do Caos lutando no Multiverso, e também de Nabu, que adotou a forma humana e esteve no Egito, acabando em animação suspensa e sendo revivido por Kent Nelson criança, quando explorava a região com seu pai, que morreu no lugar. Algo que não havia na versão original e que aparece aqui é o fato de Nabu retirar o luto da mente do pequeno Kent e substituir pelo conhecimento de magia. Isso é interessante.

Inza lamenta demasiadamente nessa nova história de origem do Senhor Destino.

Analisando bem, esta não é uma atitude moralmente comum, normal para um personagem do lado dos mocinhos, porque ela interfere diretamente nas escolhas de vida/memórias/sentimentos de um indivíduo. Todavia, como estamos lidando com seres místicos, levar decisões difíceis em conta não parece grande coisa para eles, uma vez que seres místicos não pensam ou possuem valores morais como os dos humanos comuns e é isso que faz a atitude de Nabu ser interessante.

Com uma arte graciosa de Joe Staton, boa diagramação de páginas — que homenageia a tipologia dos quadrinhos clássicos, procurando colocar o Senhor Destino “invadindo” um quadro ao lado ou abaixo –, esta história termina com um lamento de Inza, logo após ela lembrar-se, ainda cheia de dúvidas, do caminho que fez de seu esposo um dos heróis mais interessantes da DC Comics e, cá para nós, um que não tem toda a atenção que merece.

This Immortal Destiny (DC Special Series #10) – Janeiro de 1978
DC Comics

Roteiro: Paul Levitz
Arte: Joe Staton
Arte-final: Michael Netzer
Cores: Adrienne Roy
Letras: Shelly Leferman
Capa: Walt Simonson
Editoria: E. Nelson Bridwell, Nicola Cuti
10 páginas

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.