Home TVEpisódio Crítica | Sense8 – 2X04: Fear Never Fixed Anything

Crítica | Sense8 – 2X04: Fear Never Fixed Anything

por Luiz Santiago
111 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 4

  • Contém spoilers. Leiam, aqui, as outras críticas de Sense8.

Acontecida como lição para os sensates, a (aparente) morte de Jonas, indicada no final de Polyphony é sentida pelo grupo no início deste episódio, embora não sejam dadas informações sobre qual o verdadeiro objetivo da BPO com tudo aquilo. O que temos, no lugar, é um tipo de “saída da toca” para ambos os lados da moeda. Whispers aparentemente não tem mais nada para esconder, já que assumiu um dos cargos mais altos dentro da BPO, ou pelo menos é isso que ele quer que Will saiba. Já o cluster de Angelica procura se livrar de suas prisões em diversas categorias, com Lito chegando à conclusão de que deve aceitar o convite da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (isso não é dito, mas aludido na cena do bar, com as 8 tequilas); Will e Riley arriscando sair para uma balada a fim de buscar novos sensates; e os outros membros do grupo movendo-se para quebrar suas prisões mais adiante.

Mesmo que o episódio seja menos intenso em ações e sofra um pouco o peso de um roteiro reflexivo, o resultado final é uma bela passagem pelos sentimentos de cada um dos sensates e das pessoas ao seu redor, como Bug; o barman do lugar onde Lito vai; o pai de Kala. Não é novidade para nós esse tipo de linha narrativa, mas é bom ver como a série avança com os destinos dos personagens de maneira coesa, colocando não só os protagonistas, mas também os coadjuvantes na linha de mudança. Algumas faltas, porém, incomodam, como a ausência da mãe de Capheus e do lado criminoso da cidade (ambos supridos no episódio seguinte), que tanta importância tiveram na temporada anterior ou mesmo no Especial de Natal.

Elementos de desconfiança para os quais chamei a atenção em Polyphony já podem ser vistos nesse episódio, acrescidos de mais perigos ou compromissos intensos para o futuro, como Rajan desconversar com Kala sobre as falcatruas nas contas da empresa e controle de qualidade dos laboratórios e Nomi receber de um Anonymous a chave para sua E-Death. Notem que quando não estamos falando de elementos científicos, entramos na seara da tecnologia, lembrando um pouco o final da 1ª Temporada, mas neste ponto da história, já em um sólido desenvolvimento de personagens e ampliação das linhas vilanescas. A BPO também deixa de ser parte de uma maquinação unidimensional (vide Obligate Mutualisms) e ganha tons difusos no meio de uma escala cada vez mais ampla de cores, que nos surpreende aos poucos  que pode gerar inesperados aliados.

O bom de episódios mais reflexivos é a ótima oportunidade para se investir em impasses menores, desenvolver personagens secundários ou apresentar outros personagens e conceitos de maneira breve, uma vez que o nosso foco está disperso. O destaque maior aqui é o Detetive Mun (Sukku Son), que apareceu na ótima sequência de perseguição a Sun no episódio anterior e se revelou alguém do passado da sensate. Aqui o vemos aparecer no templo/casa onde o Mestre de Sun a está escondendo e, indicando saber que a fugitiva está lá, oferece ajuda. Ainda é cedo para definir seu papel na série, mas perece ser algo interessante, tendo ainda o mérito de mais um bom ator ser incluído no elenco de coadjuvantes.

Ainda sobra tempo para uma exposição de preconceito sexual pelos colegas da jornalista Zakia; a primeira chamada de Capheus por membros de um partido político, indicando futuros impasses nessa área; a crítica à tipificação de um ator diante de seu modo de vida, pulsões e escolhas pessoais; e uma discussão sobre políticas sociais entre o pai e o sogro de Kala que foi ao mesmo tempo hilária e provocante. Exceto a desnecessária cena de Wolfgang com Lila (que poderia aparecer “vestida com as mesmas roupas novas do rei” durante toda a série, mas com diálogos que servissem de alguma coisa para o andamento de seu núcleo), Fear Never Fixed Anything serve bem ao seu propósito de mostrar ações de coragem. Em outras palavras, as constantes “saídas do armário” que temos que fazer de tempos em tempos em nossas vidas.

Sense8 – 2X04: Fear Never Fixed Anything — EUA, 2017
Showrunner:
 Lana Wachowski, J. Michael Straczynski
Direção: James McTeigue
Roteiro: Lana Wachowski, J. Michael Straczynski
Elenco: Doona Bae, Jamie Clayton, Tina Desai , Tuppence Middleton, Toby Onwumere, Max Riemelt, Miguel Ángel Silvestre, Brian J. Smith, Freema Agyeman, Terrence Mann, Anupam Kher, Michael X. Sommers, Sylvester McCoy, Sukku Son, Purab Kohli, Eréndira Ibarra
Duração: 52 min.

Você Também pode curtir

10 comentários

Ramon Vitor 12 de maio de 2017 - 18:42

Vivo para ver Sol e Lua na próxima temporada.

Responder
Luiz Santiago 12 de maio de 2017 - 19:50

AMO/SOU/QUERO

AHAUHAUAHUAHAUAHUAAHUAHAUAHUAHAUHA

Responder
Wesley Bruno 9 de maio de 2017 - 19:05

Temporada passada eu pensava em Sun+Capheus, mas já tô shippando sol e lua. Que todos consigam limpar seus respectivos nomes, amém Wolfgang.

Responder
Luiz Santiago 9 de maio de 2017 - 23:56

Amém Wolfgang!!! HAUHAUAHUAHAUHAUHAU

Eu pensei por um brevíssimo momento em Sun+Capheus também, mas Sol e Lua… putz, o melhor eclipse da paixão que você respeita! AHAHUAAUAHUAHUAHAUHAUAHUAHUAHAUHAUAHUA que nenhum dupla sertaneja veja essa série pra fazer música com o trocadilho!

Responder
Wesley Bruno 10 de maio de 2017 - 00:00

Sun bem mãe dos dragões mesmo, nascida da tormenta que é a família dela. https://uploads.disquscdn.com/images/a76ffc16bf1109665edd836547a2d3aab464d9f2a012e62eb11dc136c2876d85.jpg

Responder
Luiz Santiago 10 de maio de 2017 - 00:03

Demais!

Responder
Maitê 9 de maio de 2017 - 17:57

O destaque do Detetive Mun será fazer par romântico com Sun. Até agora, ela só está naquela fase do “ninguém me ama , ninguém me quer”. Todo mundo começa a se dar bem, até o marido da Kala. Nesse sentido, finalmente Capheus se deu bem. Linda cena do “fazendo amor” e voluptosa nádegas também! E desnecessária a cena do púbis de Lina desfilando “na passarela” ficou algo bem gratuito. Fiquei com a impressão até aqui que Lito está perdendo um pouco de seu protagonismo na série.

Responder
Luiz Santiago 9 de maio de 2017 - 18:21

Sim sim, Lito está deixando de ser um grande foco. Na verdade, em termos de atenção, eu to achando essa temporada bem mais equilibrada. Dá pra ver um pouco de cada um, e eles sempre muito juntos, isso tem me deixando feliz.

As cenas de sexo aqui são muuuuito bem filmadas, PQP!!! Não tem uma que eu veja e não goste. A interação entre os personagens também é muito bonita. Capheus e Zakia são demais, aquela cena de sexo super voluptuosa e interagindo com outras. Muito legal mesmo.

Eu entendo sua reclamação em relação à Lila. Eu também preferiria que a nudez dela fizesse sentido. Foi gratuito mesmo, embora eu não tenha me importado. ;D

E Sun e Mun! São as pessoas mais fofas. Sun é minha sensate favorita e Mun provavelmente vai pelo mesmo caminho. Meus pares favoritos até aqui são:

Lito e Hernando
Nomi e Amanita
Capheus e Zakia
“””Kala e Wolfgang”””
Will e Riley

Hors concours, por enquanto: Sun e Mun

Responder
Marta Souza 9 de maio de 2017 - 15:00

Quero só ver o que vc vai falar de Sol & Lua.

Responder
Luiz Santiago 9 de maio de 2017 - 16:30

SUN & MUN É MUITO AMOOOOOR! Já shippo tudo!!! Dois maravilhosos!

Responder

Escreva um comentário

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais