Crítica | Serpentes a Bordo

Mescla de humor e horror, Serpentes a Bordo é um filme repleto de exageros no desenvolvimento de sua história, mas apresenta uma narrativa verossímil quando comparamos o material ficcional com notícias da vida real, tangenciadas pela abordagem fílmica. Em 2018, por exemplo, um homem entrou num avião para a Rússia com vinte cobras compradas numa feira na Alemanha. Noutro caso, uma serpente viajou sete mil quilômetros na mochila de um rapaz que se surpreendeu ao terminar o voo, semelhante ao caso de uma mulher que encontrou uma python em sua mala, sem sequer saber que o animal tinha adentrado em sua bagagem. São situações exóticas, semelhantes ao mote de Serpentes a Bordo, lançado em 2006, produção que informava ao longo de sua campanha de divulgação, informava que espectadores deveriam “apertar os cintos, relaxar e aguardar o terror que estava prestes a dor o bote”. Plano Crítico.

Mescla de humor e horror, Serpentes a Bordo é um filme repleto de exageros no desenvolvimento de sua história, mas apresenta uma narrativa verossímil quando comparamos o material ficcional com notícias da vida real, tangenciadas pela abordagem fílmica. Em 2018, por exemplo, um homem entrou num avião para a Rússia com vinte cobras compradas numa feira na Alemanha. Noutro caso, uma serpente viajou sete mil quilômetros na mochila de um rapaz que se surpreendeu ao terminar o voo, semelhante ao caso de uma mulher que encontrou uma python em sua mala, sem sequer saber que o animal tinha adentrado em sua bagagem. São situações exóticas, semelhantes ao mote de Serpentes a Bordo, lançado em 2006, produção que informava ao longo de sua campanha de divulgação, informava que espectadores deveriam “apertar os cintos, relaxar e aguardar o terror que estava prestes a dor o bote”.

Guiado pelo roteiro escrito pela dupla formada por John Heffernan e Sebastian Gutierez, inspirados pela história de David Dalessandro, o cineasta David R. Ellis nos apresenta em Serpentes a Bordo a rocambolesca trajetória de Neville Flynn (Samuel L. Jackson), agente do FBI que embarca num voo do Havaí para Los Angeles, tendo como missão salvaguardar a vida de Sean Jones (Nathan Phillips), um jovem que corre sérios riscos depois de ter sido testemunha de um crime. O líder do grupo testemunhado pelo rapaz, ciente do perigo que envolve a sua facção, resolve colocar um conjunto de bagagens com serpentes de diversas espécies, alucinadas diante dos hormônios borrifados nos colares havaianos utilizados pela tripulação e demais passageiros. O leitor pode se perguntar: mas por qual motivo não eliminar apenas o rapaz?

O filme até nos demonstra essa tentativa, mas o personagem de Jackson age como um verdadeiro ninja e salva a vida do rapaz que agora será testemunha que prestará depoimento assim que o avião aterrissar. Na primeira classe e sob a proteção policial, Sean circula diante de vários tipos, personagens caricaturais que divertem, mesmo sendo excessivos em vários momentos. Em um nicho temos Flex Alexander (Three G’s), Big Leroy (Keith Dallas) e Troy (Alexander Kenan) viajam juntos e representam a celebridade e seus assessores, grupo tomado pelo estrelismo que não deseja ser incomodado. O rapper da comitiva detesta ser incomodado e, estereotipado aos extremos, mantém interesse em contato apenas com mulheres que podem lhe render algo sexual após o papo. A jovem Mercedes (Rachel Blanchard) é a passageira solitária que viaja com a sua cachorrinha, personagem adicional que também luta pela sobrevivência.

No comando do voo temos a comissária veterana Karen (Lin Shaye) e os seus colegas mais jovens, Claire Hiller (Julianna Margulies) e Ben (Bruce James). Há também as crianças que viajam sozinhas, sob a supervisão da personagem de Margulies, juntamente com um arsenal de passageiros que são colocados no voo para servir de vítimas para o ataque das serpentes transformadas em super animais assassinos. Em seus requisitos técnicos, a produção conta com a direção de fotografia de Adam Greenberg, eficiente dentro dos espaços limitados de uma aeronave, erguida pela equipe do design de produção também muito competente de Jaymes Hinkle, setor que contou com a boa direção de arte e cenografia, assinadas por John Alvarez e Erin Boyd, respectivamente. Todo horror ecológico que se preze depende de uma boa trilha sonora, bem como um design de som que funcione e deixe os espectadores imersos no espetáculo de horror concebido pelo campo da visualidade. Trevor Rabin assumiu a condução sonora sem grande inspiração artística, material bastante burocrático, atento às demandas industriais de um filme com muita ação.

O trabalho de Tom Bellfort na produção de sons funciona melhor, empregando às serpentes presentes e onipresentes uma permanência sonora em tela, mesmo quando os seres rastejantes não são explicitados pela equipe de efeitos visuais comandada pelo supervisor Erik Henry.  Ademais, ao longo de seus 105 minutos, Serpentes a Bordo deixa claro para os espectadores que não há intenção alguma em estabelecer debates científicos fajutos ou manter a estrutura comum do horror ecológico para fazer a história se desenvolver. Aqui, o que importa são as cenas de ação constantes, os personagens caricatos para nos divertir, as serpentes que aparecem a todo momento, fruto de um filme com orçamento que possibilitou o investimento em efeitos visuais, além das cenas de insinuação sexual, em especial, a vulgar passagem com a senhora Bova (Anna Warm Pegg), dona de uma passagem bastante peculiar envolvendo a sua sexualidade e as serpentes alucinadas, turbinadas por feromônios que deixaram os quatrocentos répteis ainda mais selvagens do que são em seu estado natural nas matas e florestas fechadas.

Serpentes a Bordo (Snakes On The Plane) — Estados Unidos, 2006
Direção: David R. Ellis
Roteiro: John Heffernan, Sebastian Gutierrez
Elenco: Bobby Cannavale, Byron Lawson, Casey Dubois, Daniel Hogarth, Emily Holmes, Keith Dallas, Mark Houghton, Nathan Phillips, Samuel L. Jackson, Terry Chen
Duração: 101 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.