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Crítica | Servant – 2X05: Cake

por Ritter Fan
838 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Apesar de comida e bebida serem partes essenciais de Servant, os episódios mais diretamente culinários da série são particularmente bizarros. Tudo começou com Eel, na 1ª temporada, com o uso de enguias sendo evisceradas para criar imagens nojentas, mas ao mesmo tempo fascinantes no contexto, seguido de Pizza em que os Turners criaram todo um decididamente inverossímil serviço de entregas da guloseima para localizar Leanne e, agora, é a vez de Cake, focado, claro, no processo de assar um bolo. Sim, um episódio inteiro girando ao redor dessa premissa pode parecer estranho e com certeza é, mas ele funciona.

Se no sensacional 2:00 vimos Dorothy ultrapassar todos os limites quando ela literalmente enterra Leanne viva no misterioso buraco nas fundações de sua casa ao não conseguir extrair da ex-babá qualquer informação sobre o paradeiro de Jericho, em uma excelente inversão de papeis, agora é a vez de a mesa ser virada novamente, com Leanne preparando lentamente o que parece ser sua vingança contra a ex-patroa. Mas a misteriosa figura trancafiada no sótão não faria nada diretamente físico contra Dorothy, claro, e parte para usar sua recém-obtida semi-liberdade graças ao remorso de Dorothy para conseguir a miniatura de um bebê – como Cristo na manjedoura – de forma que possa usá-lo na confecção do tal bolo que certamente terá propriedades mágicas ainda não reveladas.

E é interessante como o roteiro de Tony Basgallop e Nina Braddock faz rodeios e mais rodeios para chegar no ponto, inclusive trazendo Tobe de volta como entregador dos ingredientes para o bolo e, claro, ajudante de Leanne no processo misterioso enquanto Dorothy e Sean se viram para conseguir 200 mil dólares para o suposto pagamento de resgate pelo bebê, outra parte do plano da babá. Sem dúvida alguma, Cake anda de lado em termos narrativos, algo que é uma surpresa se considerarmos que se trata do episódio que marca a metade da temporada, momento normalmente utilizado para algo “grande”. Mas o grande, aqui, vem nos segundos finais apenas, com o “simpático” tio George retornando à série e Leanne, sozinha, engolindo o bolo todo e, lógico, o pequeno bebê de plástico (ou porcelana, sei lá), com todo o restante parecendo realmente o que é: uma preparação cuidadosa sob o ponto de vista estilístico para manter o espectador em parte iguais tenso e confuso (ok, mais confuso do que tenso).

Mas isso faz parte de uma série como essa. Não podemos esperar que a narrativa avance constantemente, ainda que seja perfeitamente justo cobrar resoluções para os mistérios que só vão sendo acumulados, com pouquíssimas respostas efetivas ainda. Claro que, se levarmos em consideração o acanhado número e duração dos episódios, há ainda espaço para episódios como Cake que, sem trocadilho, comem pelas beiradas e, sem trocadilho novamente, cozinham o espectador em banho maria para justificar a classificação da criação de Basgallop como série. Há que preparar cada passo adiante, por vezes com um ou dois para trás antes de forma que tudo mantenha a lógica interna razoavelmente intacta, o que, aqui, significa estabelecer todos os personagens – todos mesmo, inclusive Tobe – como pessoas para lá de estranhas, com comportamentos passivos demais diante das maiores loucuras.

E é curioso como, pelo fato de o grande mistério sobre Leanne perdurar – a ideia geral que tenho é que até o tio George a teme – fica difícil imaginar o próximo grande passo nessa história. Alguns comportamentos são claros, como a espiral obsessiva de Dorothy, a atitude passiva de Sean e a paranoia crescente de Julian, mas a ex-babá é um gigantesco ponto de interrogação, especialmente quando lembramos que ela parece ter “ressuscitado” o bebê como um ato de bondade, talvez de pena mesmo pela situação de Dorothy, mas sem saber do passado tenebroso sobre o morte da criança. Estamos no 15º episódio da série e o que vem pela frente ainda não está escrito no que o passado determinou, algo muito, muito raro de acontecer em séries de TV e que é ao mesmo tempo refrescante e problemático, já que permite que Basgallop faça absolutamente o que quiser e eu sei lá o que isso pode significar.

Seja como for, mesmo que Cake não resulte em mais do que um preparativo para o que parece ser a vingança de Leanne e a chegada do tio George, o episódio acaba funcionando bem justamente por criar aquele desespero no espectador que olha para a tela sedento por respostas que simplesmente não são dadas. Até quando isso poderá ser mantido sem ser frustrante, não faço a menor ideia, mas que Servant tem ficado cada vez mais interessante exatamente por isso, ah isso tem.

Servant – 2X05: Cake (EUA – 12 de fevereiro de 2021)
Criação e showrunner: Tony Basgallop
Direção: Lisa Brühlmann
Roteiro: Tony Basgallop, Nina Braddock
Elenco: Toby Kebbell, Lauren Ambrose, Nell Tiger Free, Rupert Grint, Phillip James Brannon, Boris McGiver
Duração: 32 min.

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