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Crítica | Servant – 2X07: Marino

por Ritter Fan
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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Já disse algo parecido antes, mas vale reafirmar aqui que Servant é uma daquelas séries que muito claramente seria mais beneficiada por uma análise por temporada e não uma por episódio como venho fazendo desde seu início. Tudo conspira para isso, seja o número limitadíssimo de personagens, seja o cenário quase único na casa dos Turners, seja toda a cuidadosa construção de um suspense claustrofóbico que traz informações a conta gotas, realmente sem pressa de lidar com revelações mesmo as de natureza sobrenatural. Marino é um episódio que reitera essa questão, pois ele é, basicamente, uma “dobradinha” com Espresso, continuando-o exatamente de onde parou: a notícia, nos telejornais, sobre um massacre na mansão dos Marinos onde Leanne trabalhava.

Um exemplo claro de como tudo anda bem devagar – e não, não considero isso um ponto negativo, pois é algo que faz parte do DNA da série – é que a revelação de que Leanne tinha uma função na casa de onde foi tirada à força pelos Turners, trabalhada no episódio anterior, é repetida aqui sem que absolutamente mais nada seja acrescentado, além das consequências diretas da ciência de que uma tragédia aconteceu justamente – ao menos o Tio George assim indica – por ela não estar lá quando era preciso que estivesse. Vemos George entrando em uma espécie de catatonia religiosa e Leanne cada vez mais desesperada com o ocorrido, especialmente o desaparecimento do garoto Sergio, de 10 anos, com quem costumava brincar. É em volta desses dois crescendos de desespero que o episódio é construído.

Do lado do “congelamento” do Tio George, o roteiro de Ishana Night Shyamalan flerta com o pastelão, mas sem mergulhar de cabeça no estilo para não tirar a tensão da narrativa ou destoar da atmosfera da série. E essa pegada é muito bem executada por Nimród Antal, que retorna à série depois de dirigir Bear e Cricket, da 1ª temporada, usando Julian como uma espécie de alívio cômico grotesco em sua tentativa de esconder George e, depois, de tapar sua boca quando ele começa a chamar por Leanne, enquanto a policial Stephanie Reyes visita o casal para investigar o panfleto da pizzaria deixado na casa dos Marinos e para genuinamente ver como Dorothy está. Há um bom equilíbrio entre o desespero de Julian e a forma como a oficial vai vagarosamente ampliando o escopo de sua visita até transformá-la em praticamente uma batida policial.

Do lado de Leanne, por sua vez, vemos a jovem literalmente torturar-se diante do ocorrido e, magicamente achando um reservatório de palha em seu sótão-prisão (e aquele computador, de onde ele veio?), criando em velocidade vertiginosa dezenas daquelas cruzes que já vimos na temporada anterior como um instrumento xamânico de proteção provavelmente em relação a Sergio e não a ela, algo que infelizmente falha em razão da descoberta do corpo do menino. Mas não há mais pistas de sua função. Seria ela a única de seu culto com o objetivo de proteger casas que precisam de proteção ou há outras pessoas assim? E o que exatamente a presença dela nessas casas significa? Seria ela mesma um amuleto de proteção? Além disso, repetindo a pergunta que fiz na crítica anterior, para que afinal serviu o bolo que ela assou em Cake?

Fica sem dúvida aquela impressão constante de que há muito mais perguntas do que respostas em Servant, algo que costuma ser um problema em séries de mistério pela possibilidade de pouco ou nada ser respondido a contento. São nada menos do que 17 episódios até agora que, no agregado, muito mais construíram e desenvolveram do que responderam, o que de forma alguma é um problema sério se for possível sentir que há um caminho claro sendo seguido, o que até agora não aconteceu. Mas tenho a distinta impressão que é a análise por episódio que amplifica esses questionamentos e cria uma névoa de desapontamento quando nenhuma resposta é oferecida para saciar um pouco da curiosidade, pois, em todo o resto, especialmente atmosfera e suspense, a série vem inegavelmente aumentando em qualidade. Resta só saber se, nos três episódios que faltam para o fim da temporada, Tony Basgallop se dignará a dar alguma esmola contextualizadora a seus fieis espectadores.

Servant – 2X07: Marino (EUA – 26 de fevereiro de 2021)
Criação e showrunner: Tony Basgallop
Direção: Nimród Antal
Roteiro: Ishana Night Shyamalan
Elenco: Toby Kebbell, Lauren Ambrose, Nell Tiger Free, Rupert Grint, Phillip James Brannon, Boris McGiver, Victoria Cartagena
Duração: 29 min.

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4 comentários

Bruno 10 de março de 2021 - 12:20

Achei o episódio no limite da comédia. Quase me incomodou e um pouco mais de graça poderia fazer perder um pouco do clima, pelo menos pra mim. A primeira temporada inteira foi mais contida, talvez por isso eu tenha achado melhor. Julian serve praticamente pra fazer graça nesses últimos episódios

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planocritico 10 de março de 2021 - 12:21

Entendo, mas eu gostei justamente pela ousadia de se fazer pastelão em meio a um clima tenso como esse. Achei muito bem conduzido. E estou gostando bem mais dessa temporada do que da primeira.

Abs,
Ritter.

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Victor Martins 28 de fevereiro de 2021 - 21:02

A questão do bolo é a seguinte: A mãe dela dizia que quem achasse o boneco primeiro, era a pessoal especial, e a mãe dela trapaceava e sempre achava primeiro e obrigava a Leanne a repetir que a mãe dela que era especial, num exercício de abuso psicológico.

Ela fez o bolo e comeu ele na frente do manequim, que deveria representar a mãe dela, e mesmo assim não conseguiu achar rapidamente, apenas depois de destroçar o bolo inteiro.

Acho que foi algo mais simbólico do que propriamente relevante para a trama como um todo.

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planocritico 28 de fevereiro de 2021 - 21:04

Gostei! Já me sinto então satisfeito, ainda que um episódio inteiro dedicado a simbolismo sem maiores consequências me parece demais…

Abs,
Ritter.

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