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Crítica | Servant – 2X10: Josephine

por Ritter Fan
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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Sinto uma certa vergonha em confessar que não estava preparado para Josephine. Servant, apesar de ser uma série de horror, nunca foi uma série que dependia de sustos para funcionar. Ao contrário, tudo sempre foi uma questão de clima, de atmosfera e, claro, de bizarrices variadas, muitas delas relacionadas com comida. Mas eis que no derradeiro episódio da 2ª temporada, dirigido e escrito por Ishana Night Shyamalan – olha o nepotismo do célebre produtor executivo aí de novo! -, somos brindados com um típico terrorzão à moda antiga de casa mal assombrada com direito a jump scares e uma natureza interessantíssima de slasher. O resultado? Uma diversão só.

A chegada quase aleatória da tia Josephine, vivida, debaixo de um assustador véu preto, por Barbara Sukowa, é o catalisador da coisa toda, já que ela exige ver Leanne antes de devolver Jericho aos Turners, algo que ela dá a entender que fará para a desesperada Dorothy, mas que muito claramente não tem intenção alguma de fazer. Depois que conhecemos o hilário conteúdo da fita Betamax que tio George trouxera, basicamente um vídeo do tipo “faça você mesmo” do culto que quer Leanne de volta sobre a recuperação de gente que “se perdeu”. Seguindo o padrão dessa temporada, que flertou mais abertamente com a comicidade, o momento funciona muito bem para fazer o espectador de certa forma relaxar, mesmo considerando a figura estranha da tia Josephine perambulando pelos cantos, entregando roupinha de bebê para Dorothy uma hora e trancando Sean no quarto outra hora no melhor estilo Sexta-Feira 13.

Mas o relaxamento dura pouco e o terror estilo anos 80 começa para valer logo em seguida, com Josephine, vendo que Leanne realmente não tem salvação, começa o tal ritual da fita Betamax jogando algo nos olhos da moça e sumindo de vista somente para reaparecer de tempos em tempos no frenesi do episódio para fazer o espectador ter pequenos ataques cardíacos (eu sei que eu tive pelo menos uma meia dúzia e olha que nunca fui de pular no sofá vendo filme de terror…). Não é que a diretora tenha se provado uma grande cineasta, pois não é nada disso. Apesar de ela ter sem dúvida conseguido trabalhar belos tracking shots que alteram a perspectiva de comprimento dos corredores da casa dos Turners e criado boas oportunidades de jump scares sem ajuda de música eleva ao volume 11, o que realmente faz o episódio funcionar como ele funciona é o quanto ele quebra as expectativas de quem acompanha a série. Sai pela janela o horror mais sutil, a narrativa lenta em que muito pouco acontece para que, de repente, a meia hora do episódio seja uma espécie de resumo de clichês de horror, mas aglutinados com qualidade e não aleatoriedade.

E, com isso, o que acontece é que o episódio compensa a queima lenta que veio anteriormente com o assassinato de Josephine por Leanne com faca incandescente no olho e incineração do corpo (como ela fez aquilo tudo tão rapidamente eu não sei) que é escondido atrás da parede de seu quarto (novamente, não faço ideia como ela conseguiu isso), o retorno de Jericho – ou seja lá que bebê for aquele – para Dorothy e Sean, a formação de uma “feliz” família de quatro, não de três, a indicação, pela própria Leanne, que ela pode ser “do mal” e que, com o assassinato que cometeu, ela convidou o começo de uma guerra. Se Tony Basgallop mantiver-se fiel à premissa – o que espero – e decidir permanecer confinado na casa dos Turners com um número reduzido de personagens, será muito interessante ver como ele fará uma “guerra” divina acontecer.

Josephine é um baita de um encerramento de temporada que sacoleja qualquer espectador que estivesse achando a série parada, de quebra alterando todo o status quo e anunciando coisa grande para a próxima. Mas agora chega de escrever, pois meu coração está fraquinho, coitado, depois de ter que lidar com a tenebrosa nova tia dando de assombração pelos corredores da série. Ainda bem que foi o último episódio, dando-me tempo de recuperar-me até o próximo ano da série.

Servant – 2X10: Josephine (EUA – 19 de março de 2021)
Criação e showrunner: Tony Basgallop
Direção: Ishana Night Shyamalan
Roteiro: Ishana Night Shyamalan
Elenco: Toby Kebbell, Lauren Ambrose, Nell Tiger Free, Rupert Grint, Todd Waring, Katie Lee Hill, Daisy Galvis, Barbara Sukowa
Duração: 29 min.

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