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Crítica | Shadowhunters 1X03: Dead Man’s Party

por Luiz Santiago
154 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 1,5

Depois do sequestro de Simon em The Descent Into Hell Is Easy, estava claro que o episódio seguinte seria uma missão de resgate, principalmente porque o roteiro não havia deixado dúvidas sobre uma antiga rivalidade entre vampiros e shadowhunters, agora aparentemente em estado de dormência devido a acordos do passado, mas que já dava sinais de que estava chegando ao fim. Com a quebra desse acordo pelos sugadores de sangue, Clary, Jace, Alec e Isabelle dividem-se em dois times para retirar o mundano do covil dos vampiros. E isso é tudo o que temos em Dead Man’s Party.

Reservar um episódio inteiro para essa missão de resgate foi a prova definitiva de que os showrunners da série estão nivelando pela mais baixa camada possível a inteligência dos espectadores. Simon até aqui foi apenas um elemento cômico, um “olhar externo” para o que estava acontecendo com sua melhor amiga, o que o torna necessário para aliviar a sequência de eventos sombrios retratados nos episódios. Mas o que acontece quando toda a grande onda de eventos em fluxo é interrompida para que o resgate de um alívio cômico aconteça?

Se era intenção fazer o personagem ganhar importância, que isso fosse apresentado de uma forma diferente para o público, não forçando uma situação e colocando um freio em um enredo que precisava urgentemente de mais acontecimentos, mais ação válida e com uma história que a contextualizasse, não apenas a demonstração de brigas randômicas entre forças do bem e do mal em defesa ou busca de alguma coisa. Em três episódios, a sensação que nós temos é que os roteiros estacionaram no degrau de “apresentação de personagens” e de lá não saíram mais. E o pior de tudo é que estão fazendo isso muito mal.

Katherine McNamara definitivamente se mostra uma atriz com extensão dramática de um palmo e isso não contribui em nada para a série, que usa o olhar da personagem como matéria-prima. Os lamentos, imposições e demonstrações de amizade por parte dela parecem afetações grotescas que pioram consideravelmente a cada cena. Dominic Sherwood também não ajuda muito em seu papel de “defensor misterioso” de Clary. O episódio só encontra em Alberto Rosende (Simon) e Emeraude Toubia (Isabelle) boas atuações, dentro daquilo que é esperado para seus personagens. Matthew Daddario (Alec) também faz um trabalho aceitável, mas como o roteiro não lhe dá ações realmente destacáveis, fica difícil afirmar muita coisa além do básico.

A pergunta que o espectador faz é: o que de útil esse episódio trouxe para o andamento da série? A semi-transformação de Simon em um semi-vampiro? Sério? O pai de Clary, as alianças para ver quem está do lado de quem e a busca pelo Mortal Cup são definitivamente mais importantes neste ponto da história do que a criação de uma subtrama sem nenhuma necessidade. A fragilidade do texto, a colocação de um péssimo elemento romântico e a perda da oportunidade de apresentar mais seres/criaturas desse universo — nota-se que uma das melhores cenas do episódio, em configurações como fotografia e direção de arte ocorreram na sequência de Isabelle com Meliorn — certamente são incômodos que afetam qualquer maior identificação do espectador com a série. As coisas não estão melhorando para Shadowhunters. Espera-se, ao menos, que os próximos episódios deixem essas bobagens de lado e realmente desenvolvam a história que precisa ser contada.

Shadowhunters 1X03: Dead Man’s Party  (EUA, 26 de janeiro de 2016)
Direção: Andy Wolk
Roteiro: Marjorie David
Elenco: Katherine McNamara, Dominic Sherwood, Alberto Rosende, Matthew Daddario, Emeraude Toubia, Isaiah Mustafa, Harry Shum Jr., David Castro, Jon Cor, Kaitlyn Leeb
Duração: 43 min.

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