Crítica | Shadowhunters 1X08 e 9: Bad Blood / Rise Up

estrelas 1,5

Percebam, caros leitores, que o vírus da “novelização” toma conta de Shadowhunters sem nem disfarçar e cada vez mais e mais fortemente.

A impressão que temos é que quanto maior for a possibilidade de tornar a série interessante e cheia de intrigas que podem sim sobreviver sem essas idas e vindas de amor reprimido e sentimentos ocultos sublimados com “fascilização” de alguém, maior é a orientação da produção da série (embora esta não seja a única a sofrer com esse tipo de visão, vide The Flash e Legends of Tomorrow) para que o romance e as frases de efeito tomem conta de tudo.

Já na reta final da temporada, os capítulos Bad BloodRise Up nos mostram um mundo em pé de guerra. Forças de diversas camadas da hierarquia de mundos se unem ou se atacam. Prisões arbitrárias, paranoia, desconfiança e traições vem à tona. A sempre funcional e sempre interessante, sem bem utilizada, dinâmica da ascensão de indivíduos ou grupos de caráter fascista é aplicada aqui de forma sistemática e que funciona de maneira aceitável em alguns aspectos, mesmo que na totalidade dos dois episódios não tenhamos algo muito bom. Nesses casos, tanto o lado dos mocinhos quanto dos bandidos sofrem baixas e crises internas, tendo consequências drásticas para alguns seguidores.

Normalmente os roteiros desse tipo de obra mais sombria — e isto deveria aparecer aqui em Shadowhunters — optam por uma sequência crua e ágil de eventos (lembram-se de Of Men and Angels?), já que qualquer outro tipo de inserção nessa preparação para a guerra tomaria tempo demais e diminuiria o impacto necessário do plot de conflito, ao menos em episódios de TV (em filmes esse tipo de prática pode funcionar porque a duração permite alguns desvios, desde que sejam coerentes). Percebam como é difícil suportar os lamentos do novo vampiro Simon; a relação forçada e insuportável entre Jace e Clary — piorado pela tenebrosa atuação de McNamara e Sherwood; o comportamento incoerente de Alec; a estranha mudança que deram para Magnus (por que modificar o personagem a essa altura?); a presença anticlimática de Valentine, o vilão que causa menos impacto do que todos os sub-vilões da série.

Pelo menos é possível ver que nos dois episódios os diretores tentaram contornar as besteirinhas dos roteiros e dar nuances do merecido impacto épico que esse final de temporada merece. Evidente que, por força da estrutura fraca dos argumentos e de um elenco bastante inconstante em qualidade de atuação (poucos se salvam), os episódios não divertem como deveriam. Na verdade, eles nos deixam cada vez mais irritados. As frases de efeito e as estranhas demonstrações de emoção à flor da pele que são colocadas a cada dupla de cenas atrapalham  a nossa apreciação e muitas vezes estão ali para esconderem buracos que de outra forma seriam facilmente percebidos, como a colocação questionável de outros antagonistas (ou suspeitos) nesse momento de crise.

Não é difícil gostar de alguns momentos de luta, da maquiagem dos monstros que atacam o instituto ou de alguns efeitos, coisas que tornam Bad BloodRise Up parcialmente interessante em termos técnicos, mas uma dupla de episódios estragados quase que unicamente pelo rumo que os roteiros estão dando à saga. Francamente, seria mais fácil suportar Katherine McNamara se ela tivesse bons diálogos… E se Ed Decter não estivesse firmemente engajado em transformar a série em uma novela emo para adolescentes.

Reviradas de olhos: 116 (contando os dois episódios)

Shadowhunters 1X08 e 9: Bad Blood / Rise Up  (EUA, 2016)
Direção: Jeremiah S. Chechik / J. Miller Tobin
Roteiro: Allison Rymer / Hollie Overton
Elenco: Katherine McNamara, Dominic Sherwood, Alberto Rosende, Matthew Daddario, Emeraude Toubia, Isaiah Mustafa, Harry Shum Jr., Alan Van Sprang, Maxim Roy, David Castro, Jon Cor, Stephanie Bennett, Kaitlyn Leeb, Nicola Correia-Damude, Paulino Nunes, Jade Hassouné
Duração: 42 min. (cada episódio)

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.