Crítica | Shadowhunters 1X10 e 11: This World Inverted / Blood Calls to Blood

estrelas 2,5

Spoilers!

Aos trancos e barrancos, Shadowhunters chega às portas do finale. Tendo sido renovada para uma 2ª Temporada, a série parece que resolveu mostrar um pouquinho de suas possibilidades e, em This World Inverted, mostrou de forma interessante os altos e baixos, laços de lealdade e interação entre mundos que este universo poderia oferecer. Desse duo formado pelos capítulos 10 e 11, o décimo é o que representa melhor a possível face da série caso houvesse a intenção de elencar personagens sombrios tentando livrar o mundo de demônios e equilibrar o poder entre diversas criaturas que normalmente atribuímos ao folclore ou unicamente à ficção.

Escrito por Y. Shireen Razack, o roteirista que também assinou o melhor episódio do show até o momento, Of Men and Angels, e dirigido por J. Miles Dale (do mediano Major Arcana), This World Inverted é um misto de ficção surrealista e fantasia baseada em Alice Através do Espelho e O Que Ela Encontrou Por Lá, mistura somada à mitologia de Shadowhunters, o que deu um aspecto completamente diferente ao conteúdo do episódio. Em nenhum momento o foco central foi deixado de lado e, paralelo a isto, outras tramas foram construías; um novo universo foi visitado e os protagonistas foram empurrados para encontrar ou ajudar a encontrar coisas importantes.

Vemos ali Simon ser aproveitado como devia e, enfim, o início de uma retomada de juízo por parte de Alec. Y. Shireen Razack definitivamente deveria pegar mais episódios da série para escrever. Por suas mãos, é quase certeza que a linha de abordagem sombria não seria colocada em último lugar e coisas divertidas apareceriam em cena, sempre organizadas de maneira cíclica e bastante competente.

Alguns espectadores podem achar preguiçoso o aspecto estético de This World Inverted, especialmente o filtro de luz branca ou a saturação de roxo e rosa que a festa do “mundo de Alice” nos traz, mas se olharmos para outras investidas desse setor em contextos do passado, em grande estilização de um cenário, este aqui é o exemplo mais interessante, mais exótico e que mais alterna paletas e intensidade de luz — assim como angulações — e faz com que essa sopa de opostos dê certo. Eu concordo que em exercício de técnica é sim uma escolha preguiçosa da direção de fotografia mas não posso deixar de admitir que funcionou bem no episódio.

E de algo interessante passamos para o insosso Blood Calls to Blood, que nos faz revirar os olhos umas 15 vezes, principalmente a cada diálogo entre Jace e Clary (esses atores não se consertam mais nem com mágica de Magnus Bane) ou na revelação completamente insana de Valentine, na reta final. Este é um exemplo de como NÃO se fazer um bom capítulo em Shadowhunters: clichês amorosos e clichês de conflitos hierárquicos, aqui marcados pelo julgamento de Isabelle, um ponto notável da história (cenas de julgamento são sempre interessantes e aqui são mesmo bem dirigidas) mas que não é aproveitado para dar origem a outras boas subtramas. Este é o que chamamos de “episódio de oportunidades perdidas”, e é de se lamentar, porque há muita coisa acontecendo e estamos colando na dupla de capítulos finais da temporada. Impossível não se irritar com as decisões tomadas neste ponto.

A dúvida para o que será do final da saga paira no ar. Com os novos rumos que alguns personagens tomaram a partir daqui, certos arranjos precisarão ser feitos (e de forma muito cuidadosa) para dar sentido ao que está por vir. Agora falta pouco para sabermos como será.

Shadowhunters 1X10 e 11: This World Inverted / Blood Calls to Blood (EUA, 2016)
Direção: J. Miles Dale / Mairzee Almas
Roteiro: Y. Shireen Razack / Marjorie David
Elenco: Katherine McNamara, Dominic Sherwood, Alberto Rosende, Matthew Daddario, Emeraude Toubia, Isaiah Mustafa, Harry Shum Jr., Alan Van Sprang, Adam Harrington, Maxim Roy, Stephanie Bennett, Jade Hassouné, David Castro, Jon Cor, Shailene Garnett, Mimi Kuzyk
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.