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Crítica | Sharknado

por Ritter Fan
467 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 5

Um filme de tubarão. Um filme de desastre natural. Tudo em um mesmo pacote.

O resultado é Sharknado, que redefine completamente o conceito de filme trash, assim como Shakespeare redefiniu o conceito de teatro.

O que mais eu posso escrever sobre esse filme que já não foi escrito por aí? Se alguém senta em frente à televisão para assistir a alguma coisa que tenha esse título, sabe o que esperar e não vai se importar com qualquer coisa que um crítico chato tenha a dizer.

Mas, para você que viu e se divertiu com Sharknado, saiba que, apesar de eu ser crítico – e, portanto, no imaginário popular, também um chato – eu adorei o resultado final. Não é que Sharknado seja “tão ruim que é bom”. Não, nada disso. Sharknado é uma das melhores comédias nonsense que vi nos últimos anos e tudo feito com um TK85, três barbantes e dois clipes. Somado a isso, a produção tem um elenco completamente decadente, com pérolas como Ian Ziering (de Barrados no Baile – a série original!!!), Tara Reid (que viveu Vicky, uma das personagens menos importantes da série American Pie) e, por incrível que pareça, John Heard que é um costumeiro coadjuvante de dezenas de filmes famosos (Esqueceram de Mim, Quero Ser Grande e Tempo de Despertar, por exemplo),  e que ou (1) estava precisando de uma grana urgente; (2) perdeu uma aposta; (3) foi enganado pelo seu agente; (4) estava bêbado na hora de assinar o contrato ou, como seria o meu caso se estivesse na posiçao dele, não resistiu à proposta apresentada.

Mas o conceito absurdamente surreal do filme não é a graça dele. Pelo menos não a principal. A graça está no fato de que somente tubarões são pegos pelos tornados (cadê as lulas, polvos, baleias e peixes em geral?); eles se mantêm vivos e famintos durante o “voo”, que não é curto; caem de alturas incríveis e continuam vivos e famintos e os humanos são infinitamente mais burros que os peixes, além de completamente insensíveis com as mortes de outros humanos ao seu redor…

Impagável. Simplesmente impagável.

Mas não é só isso! Além de todas as características acima que já tornam Sharknado um clássico instantâneo, há mais. E, agora, entra a parte voltada para os críticos de cinema e de todas as três ou quatro pessoas que se preocupam com aspectos mais técnicos: nada, absolutamente nada em Sharknado é feito com cuidado ou funciona cinematograficamente. É como se alguém tivesse se esmerado na arte do anti-cinema (ou anti-televisão, já que se trata de uma produção para TV do canal Syfy que, em um arroubo de insanidade, um dia, foi responsável pelo sensacional reboot de Battlestar Galactica).

Sabem aquela coisinha chamada comumente de continuidade, que impede que um personagem esteja em uma cena ferido e, na outra, minutos depois, já completamente curado? Isso não existe em Sharknado. E quando eu digo “não existe”, levem essa expressão completamente ao pé da letra. Não existe mesmo continuidade alguma nesse filme. Em um momento tem vento, noutro não tem. Em uma sequência tem água, noutra está tudo seco. Vemos gente fugindo, corta para os protagonistas e volta para onde estavam as pessoas e elas foram teletransportadas para a salvação pela Enterprise. Uma hora o tempo está nublado com nuvens pesadas, outra hora (na verdade no outro segundo) o sol está a pino (e as roupas de todos bem sequinhas).

Mas calma aí que, assim como as facas Ginsu e as meias Vivarina, TEM MAIS! Sharknado faz uso constante de stock footage, que são aquelas imagens de arquivo comumente usadas em diversas produções mais baratas. Assim, o mar que vemos provavelmente é de algum documentário sobre surf ou pescaria (ou sei lá o quê) e os atores aparecem ou em close up ou têm suas imagens sobrepostas às outras. Isso é normal. Acontece nas melhores famílias de filmes B e trash. Mas é exatamente por isso que Sharknado não pode ser chamado de filme B ou mesmo trash. Existe uma técnica por detrás que impede até mesmo essas cenas relativamente simples de funcionarem. A montagem só pode ter sido feita por um chimpanzé com problemas mentais.

Um exemplo clássico dessa técnica de uso de imagens de arquivo seguido de montagens símias se dá com as rêmoras.

Não sabem o que são rêmoras?

São aqueles peixinhos espertos que nadam grudados aos tubarões e outros animais marinhos de grande porte e que se alimentam de restos da comida deixada pelos predadores, além de se beneficiarem de transporte e de proteção gratuita. Já visualizaram?

Pois bem, as rêmoras estão presentes em Sharknado. É só aparecer um tubarão nadando (às vezes eles nadam no filme, quando cansam de voar) que as rêmoras estão juntas. Mas não tem mais nenhum tipo de animal marinho. Só os tubarões e as rêmoras. Não é uma coisa linda essa relação simbiótica e como ela é mostrada no filme de maneira orgânica? Deixei rolar algumas lágrimas nesses momentos.

Os efeitos especiais não são especiais e nem podem ser chamados de efeitos.  Aliás, podem, pois eles têm o efeito imediato de levar qualquer um ao riso histérico, daqueles que causam câimbras estomacais e tornam necessário pausar o filme para evitar que se perca alguma parte importante da história. A destruição do píer de Santa Monica por apenas uma onda e com tubarões voando pela janela como peixes voadores, além da roda gigante saindo dos eixos entrará para os anais das sequências mais hilárias que eu vi na minha vida.

E o que são as cenas de ação? A água parece um ser vivo que só inunda determinados lugares e só derrubam determinadas casas. Os protagonistas fogem do perigo o tempo todo, mas não resistem à tentação de pegar um helicóptero para jogar bombas em tornados, digo sharknados, para acabar com eles. Sim, bombas para matar tornados. Nunca ouviram falar nisso, seus iNgnorantes? E claro, a já clássica cena final de sacrifício deixará qualquer um de queixo caído e gerará aplausos entusiasmados, além de copiosos choros.

Eu podia ficar aqui infinitamente descrevendo as qualidades dessa obra prima, mas eu prefiro sugerir que você, leitor fiel do Plano Crítico, pare tudo o que está fazendo e vá se contorcer de tanto rir assistindo a essa perfeição da televisão. Mas agora! Vejam e deleitem-se. E vejam novamente.

Syfy: aguardamos ansiosamente pelo já anunciado Sharknado 2: The Second One.

Ah, já ia me esquecendo: só dei 5 estrelas, pois fui proibido pela gerência de dar 10 estrelas…

Sharknado (Idem, EUA, 2013)
Diretor: Você quer mesmo saber?
Roteiro: Hã? Como assim?
Elenco: HAUAHAUHAAUAHAUAUAHAUAUAUHAUIAUUAAHUAHAUAHAUAHAUAUAHAUAAUAHAUAUAHU
Duração: Pouco demais.

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18 comentários

Zé Higídio 22 de fevereiro de 2018 - 20:20

Mano, como assim eu só conheci esse filme agora na minha vida? CAAAAARAAAA, eu estou profundamente emocionado com essa obra-prima!!! Você disse tudo! Eu preciso urgentemente continuar a saga!

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planocritico 23 de fevereiro de 2018 - 11:36

Cara, eu vi esse filme com minhas filhas e nós três morríamos de rir como uns malucos e minha esposa só nos olhando com aquela cara de reprovação…

Abs,
Ritter.

Responder
Zé Higídio 24 de fevereiro de 2018 - 13:36

Kkkkkkkkkk

Responder
Zé Higídio 24 de fevereiro de 2018 - 13:36

Kkkkkkkkkk

Responder
Gabriel 5 de janeiro de 2018 - 00:37

O melhor é que no próprio trailer de Sharknado 5 foi dito que o filme não tem absolutamente nenhum sentido!!! kkkkkk eu tenho que ver todos os 5 filmes da franquia

Responder
Gabriel 5 de janeiro de 2018 - 00:37

O melhor é que no próprio trailer de Sharknado 5 foi dito que o filme não tem absolutamente nenhum sentido!!! kkkkkk eu tenho que ver todos os 5 filmes da franquia

Responder
planocritico 5 de janeiro de 2018 - 01:04

Nada faz sentido mesmo. Nada!

Abs,
Ritter

Responder
Káren Santos 8 de abril de 2017 - 00:33

Estou assistindo agora e não estou aguentando de tanto rir, aí vim dar uma olhada nas críticas sobre esse filme para ter certeza que eu não era a única a estar achando esse filme extremamente hilário HAHAHAHAH…. GOSTEI DA CRÍTICA 👏👏👏👏

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planocritico 8 de abril de 2017 - 00:35

Eu quase morri de rir vendo esse filme! HAAHAHAHHAHAAHHAHAHAAHAHA

Manda mais tubarão voador que tá pouco!!!!

Abs,
Ritter.

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Rafael Santos 15 de fevereiro de 2017 - 14:29

o cara que escreveu esse filme fumou maconha estragada

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planocritico 15 de fevereiro de 2017 - 14:52

Muito estragada!!!

– Ritter.

Responder
Rene Had 18 de novembro de 2016 - 15:38

como assim? esse filme é um lixo, nem como comédia funcionou para mim. Está na lista dos piores filmes que já tive o desprazer de assistir

Responder
planocritico 18 de novembro de 2016 - 15:42

Eu me diverti demais. Aliás, eu e minha família toda. Momentos impagáveis de comédia.

Mas as 5 estrelas são brincadeira, claro.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 18 de novembro de 2016 - 15:42

Eu me diverti demais. Aliás, eu e minha família toda. Momentos impagáveis de comédia.

Mas as 5 estrelas são brincadeira, claro.

Abs,
Ritter.

Responder
Rene Had 18 de novembro de 2016 - 15:38

como assim? esse filme é um lixo, nem como comédia funcionou para mim. Está na lista dos piores filmes que já tive o desprazer de assistir

Responder
Valença Aline 12 de março de 2014 - 15:25

Concordo em gênero, número e grau. O filme é simplesmente maravilhoso! Minha comédia mais autêntica e favorita! The Asylum pra sempre no meu coração. rs

Responder
Alessandro Dias 25 de novembro de 2013 - 17:16

HAHAHAHAHA Sensacional! Fiquei pensando aqui, porque esse filme não tem o Vin Diesel? É tão cristalino p/ mim quanto água, que ele e Sharknado foram feitos um para o outro…

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planocritico 25 de novembro de 2013 - 20:30

Quando fizerem um reboot de Sharknado e lançarem no cinema, tenho certeza que Vin Diesel será um candidato forte para ser um dos tubar… digo, protagonistas… – Ritter.

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