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Crítica | Sharp Objects – 1X07: Falling

por Luiz Santiago
110 views (a partir de agosto de 2020)
FALLING SHARP OBJECTS PLANO CRITICO

  • Há SPOILERS do episódio. Para ler as outras críticas, clique aqui.

Dentre os muitos assuntos que Sharp Objects elencou para narrar o drama de Camille, Adora e Amma — tríade da qual emana todos os outros blocos narrativos do show — um dos que se mantém vivo até agora é a noção de que tanto a mãe quanto as filhas deixam o comportamento uma da outra afetá-las — uma das partes desenvolvendo um patológico desejo de ter o controle sobre a outra. Chama-se codependência essa imensa ligação emocional viciosa e destrutiva com alguém, visão que se esparrama por dependências coadjuvantes (psicológicas e também físicas) tanto ao indivíduo-fonte do qual se depende, quanto às muitas drogas que de alguma forma podem distrair o dependente, fazendo-o se esquecer de sua angústia. Em nível máximo — embora apresente resistência, considerando a idade — esta é a posição de Amma em relação a Adora. E embora “superada” com sequelas, também é a íntima posição de Camille, que sublima isso para outros setores de sua vida, com outros vícios, outros comportamentos, eles mesmos influenciados por outros traumas e eventos de seu passado.

Mas nem só de codependência vive o trio. E sim, mesmo que algo nesse sentido possa ser lido em Adora, o caso dela é psicologicamente mais grave. Neste penúltimo episódio da minissérie, Falling, temos a primeira parte de uma verdade que, vista assim, parecia estar lá o tempo inteiro. Adora não é apenas codependente das filhas (nesse caso, de Amma e do luto da filha falecida) para ser vista como heroína, como uma boa mãe, boa cidadã, boa mulher, importante cuidadora. O caso dela é diferente. E para fazer uma leitura mais límpida a respeito de seu comportamento nesses roteiros, é preciso, antes, entender o transtorno factício do qual deriva o seu real problema: a Síndrome de Münchhausen.

A definição dessa doença psiquiátrica é bem simples: trata-se de um indivíduo que, de forma abusiva e deliberada, finge ou inflige a si mesmos doenças ou traumas para chamar atenção, cuidado e simpatia dos outros. O ciclo é rapidamente identificável: o indivíduo “sofre” de alguma dor/doença/trauma e recebe os cuidados e a atenção de todos. À medida que a cura vem, essa atenção se dissipa e a pessoa volta a criar ou fingir outra doença, porque está viciada na atenção e cuidados externos. Existe, no entanto, uma variação desse distúrbio mental, a chamada Síndrome de Münchhausen por Procuração, que é um tipo de abuso infantil. Ela se define quando um cuidador (em 85% dos casos esse cuidador é a própria mãe) utiliza-se de remédios ou mesmo venenos e outros produtos químicos para fazer com que a criança fique doente, e então, duas coisas aconteçam: tanto a criança/adolescente se torne imensamente dependente do cuidador, quanto as outras pessoas vejam o tal cuidador como uma pessoa devota, responsável e dotada de bom coração, dedicando toda sua vida, amor e energia para cuidar da pobre criança frágil e enferma. Esta é Adora.

A forma como Jean-Marc Vallée apresenta essa problemática é aplaudível. Partimos da ressaca da selvagem noite vista em Cherry e chegamos às consequências imediatas, com Camille resistindo e Amma entregando-se, mesmo a contragosto, aos cuidados criminosos da mãe. A inclusão da trilha sonora aqui entra como gritos esporádicos de socorro, toda vez que uma nova revelação ou algo notadamente ruim está para acontecer. Neste ponto, o espectador começa a redirecionar suspeitas e redefinir os papéis sociais. Os doentes. Os dependentes. Os dominadores. Os cúmplices. Notem que a relação de codependência é cimentada em Wind Gap por uma convenção social mascarada pela ideia de que bons cidadãos cristãos e pais/mães de família jamais fariam mal a alguém. Bem… a gente já viu noticiário demais para saber que esse é um ideal que está muito, muito longe da verdade. E na série isso ainda tem um bônus crítico imenso, porque joga na cara do espectador o fato de ter “colhido informações” e atribuído culpa a determinados indivíduos, com seus estereótipos peculiares (fazendo valer esse julgamento pelas mais racionais justificativas) e se esquecido de algumas obviedades. Agora sabemos.

Na dramaturgia, o grande show é dado por Amy AdamsPatricia ClarksonEliza Scanlen, as três entregando performances absurdamente louváveis para o tipo de problemas (físicos, psíquicos, emocionais) que carregam. Ao longo dessas exposições vemos a ação da polícia na prisão de John Keene (Taylor John Smith) — a história fingida dele no bar e a demora em falar que não matou as garotas foi… irritante — e a chegada de Richard no hotel para uma conversa que, diante de todas as emoções e revelações do episódio, pareceu inteiramente deslocada, especialmente quando ele justifica a investigação que fazia sobre Camille. Este, na verdade, é o único ponto fora da curva que experimentei no episódio, justamente porque destoa da linha de investigação, conversas e revelações entregue no decorrer da narrativa. Ao menos existe uma boa consequência dessa presença de Richard, com Camille recebendo os relatórios médicos, indo conversar com Jackie (Elizabeth Perkins) e encontrando-se com mais verdades inconvenientes. Se o lugar parecia apodrecido e negativamente influenciador de pessoas, este final da série mostra que as raízes da maldade não estão fora. Estão dentro. Tanto dos fazem quanto dos que se calam.

Sharp Objects – 1X07: Falling (EUA, 19 de agosto de 2018)
Direção: Jean-Marc Vallée
Roteiro: Gillian Flynn, Scott Brown (baseado na obra de Gillian Flynn)
Elenco: Amy Adams, Michael Andrew Baker, Kaegan Baron, April Brinson, Violet Brinson, Patricia Clarkson, Matt Craven, Henry Czerny, Madison Davenport, Annie Fitzgerald, Daisy Garcia, Barbara Eve Harris, Joy Jacobson, Demarcus Laney, Sophia Lillis, Therese McLaughlin, Chris Messina, Elizabeth Perkins, Eliza Scanlen, Taylor John Smith
Duração: 52 min.

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39 comentários

Luiz Santiago 24 de agosto de 2018 - 00:51

Pode escrever à vontade!
A série nos faz pensar em uma série de possibilidades. Eu não posso comentar coisas relacionadas a pistas porque eu li o livro, aí posso dar spoiler até sem querer, só de ficar brincando de hipóteses. Também tem aquela, a gente nunca sabe se a série vai seguir exatamente o modelo de resolução geral do livro ou não. Eu espero que sim, porque gostei como foi. Vamos ver.

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MayB 23 de agosto de 2018 - 22:28

Eu quero que a Camille ferre com todo mundo daquela cidade! Parece até coronelismo, a mãe tem a síndrome e os outros? E o bananão do pai? E que merda de xerife.
E o que foi aquela cena da Camille descobrindo que a mãe matou a irmã e tá fazendo de novo?!!! Meu Deus!!
Ainda acho que não foi a Adora, pra mim a parte dela é com as filhas. Vai ter um plot twist ainda, e acho que a assassina é a Amma com os coleguinhas dela(todos fazem o que ela manda). A menina gostava de morder, Ashley e a Amma tem mordidas. Tem uma hora nesse episódio que ela vê as fotos das meninas mortas e não tem reação NENHUMA; ela ficou com ciúmes da mãe com as meninas e planejou, tipo uma seita, saca? e aquele frame dela com rosas de coroa no escuro, que assustador. E a música no final falando de um envenenamento, puta merda! Ainda tô incomodada com esses ventiladores e tem coisa naquela casa de boneca que a Amma não deixa ninguém tocar!
Ou eu posso estar viajando e ser alguém previsível ahahaha
Depois do último episódio acho que vou ter que rever a série e ver se tava na minha cara e não percebi hahaha
Obs: desculpa o textão, mas é que não tenho com quem comentar e discutir sobre as séries!

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Junito Hartley 28 de agosto de 2018 - 12:57

Ce leu o livro nao é possivel kkkkkkkkkk

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MayB 30 de agosto de 2018 - 01:16

Pior que não li, pode acreditar em mim.

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leo liçarassa 23 de agosto de 2018 - 20:27

“Algumas vezes se você deixa as pessoas fazerem coisas a você, na verdade você está fazendo a elas” – Amma. Essa fala é do ep anterior mas é um foreshadowing fudido para esse, Amma sabe o que a mãe está fazendo com ela, sem dúvidas,as duas precisam se sentir amadas e importantes, principalmente a Adora que é capaz de envenenar a própria filha e, a filha que deixa isso acontecer por temer perder o amor(?) da mãe. E temos que bater palmas para essa adaptação perfeita do livro, pra quem leu o livro é ainda até mais divertido do que quem não leu, você consegue ver o que os personagens estão pensado, um exemplo disso é no ep passado quando o detetive está falando com a Jackie sobre a amiga da Camille que morreu e que ela está cercada de meninas mortas e quando a Jackie pergunta do que ela morreu, ele fala que ela bebeu veneno, dá pra perceber no olhar dela o que ela pensou: ela não está cercada só de meninas mortas mas sim de meninas mortas envenenadas, FODA DEMAIS. E sobre quem perguntou o que a minha amiga
estudante de psicologia descobriu, é essa sindrome Munchausen por procuração, e as cenas que fez ela desconfiar, é uma cena que a Amma está doente e a Adora está com ela, eu acho que é no ep 2 ou 3 e a cena que a Amma dá um chilique por causa da casa de bonecas e a Adora fala pra Camille que ela só está um pouco doente. E ela tbm me contou um caso brasileiro que aconteceu em 2012 em Brasilia, é perturbador o caso.

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MayB 23 de agosto de 2018 - 22:38

é esse caso aqui: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-43978166
é claro que eu fui pesquisar depois do episódio né?!!
Tua amiga é fera, hein!
eu desconfiava que ela não tinha morrido de uma doença, mas nem imaginava que foi assim!

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Flavio Batista 23 de agosto de 2018 - 08:07

Preciso ver essa série.
Mas entrei aqui por um assunto totalmente off: vai ter critica de Castle Rock?
Mano q série!

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Luiz Santiago 23 de agosto de 2018 - 10:11

Eventualmente teremos sim, mas não deve ser algo muito por agora não.

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Flavio Batista 23 de agosto de 2018 - 10:43

Vc ta vendo, Luiz? Mano esse ultimo episodio eu terminei em lagrimas. Foi uma vibe tipo The Constant, de Lost

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Luiz Santiago 23 de agosto de 2018 - 11:46

Não estou. Eu IA ver, mas eu já tava com Preacher e Sharp Objects na grade, fora as outras coisas (agosto é um mês corrido no trabalho) aí tive que deixar de lado. Mas eu quero vê-la no futuro. Se alguém aqui não pegar pra escrever, bem mais pra frente eu vejo e escrevo sobre.

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Flavio Batista 23 de agosto de 2018 - 15:51

Vou aguardar ansiosamente. N demore pq vc sabe q existe um histórico de usurpação aqui no site hahaha
Enquanto isso vou ver Sharp Objects

planocritico 23 de agosto de 2018 - 16:57

Eu dei TODAS as chances para esse tal de @luizsantiago:disqus , mas ele recusou todas… Depois, não tem choramingo…

Abs,
Ritter Castelo Pedra.

Flavio Batista 24 de agosto de 2018 - 08:43

Se brincar, ate eu me candidato e fazer

Flavio, o aprendiz de usurpador

Flavio Batista 23 de agosto de 2018 - 10:53

Sissi Spacek esta MARAVILHOSA nessa serie. Da vontade de pegar ela no colo. velho to aqui chorando so de lembrar. PQP

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Teco Sodre 23 de agosto de 2018 - 10:41

Mano q série!²

To amando também, doido pra ver o ep 7.

Outra que tô acompanhando, gostando, beeeem intrigado e ainda não vi resenha aqui ¬¬ ~The Sinner Season2 ~

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O Homem do QI200 22 de agosto de 2018 - 20:25

Cara, louvado seja a HBO, que série boa e o melhor episódio, sem dúvidas. Parabéns pela crítica, está excelente. Eu só fiquei puto com uma coisa: errei quem era o assassino, mesmo tendo hipóteses para acertar, já que enfatizavam demais que fora cometido por um homem (eu geralmente ao ouvir sempre associo a uma mulher automaticamente), porém dessa vez, mantive minha escolha e errei. Pensei realmente que o assassino fosse o Alan Crellin pq o jeito tranquilo dele e a música dava um tom misterioso, mas o que me revoltou mesmo, foi ter errado mesmo sabendo quem era a pessoa que sabia de tudo. Desde que a Camille disse lá nos primeiros episódios que a cidade de Wind Gap estava protegendo o suspeito, eu disse a mim mesmo: A Jackie sabe quem é o suspeito, ela conhece cada um da cidade e parece não leva a vida muito sério, bebendo bastante e se drogando, talvez para tentar esquecer algo grave. Poxa, ao mesmo tempo que cheguei perto, estava longe. Agora vem cá, eu entendi certo, o Alan sabe de todo ocorrido e parece sofrer, mas ainda assim consenti com a situação?

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Luiz Santiago 22 de agosto de 2018 - 21:08

O episódio realmente dá essa noção de que o Alan sabe das coisas que estão acontecendo. Sabe aquela cena que a Adora tava preparando o “elixir” pra Amma? Então… Ele olha, ele claramente sabe o que tá rolando. É angustiante.

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O Homem do QI200 22 de agosto de 2018 - 21:31

Foi exatamente essa cena que dei conta que ele sabia e a música é usada como distração do horror que ocorre dentro de casa.

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Cesar 21 de agosto de 2018 - 22:34

“É sempre a Família!” Essa frase do “Kansas City” Vulgo Richard foi perfeita para o episódio. E tambem acho que foi o melhor até agora.

Pra mim foi um pouco previsível, mas nem por isso deixou de ser espetacular. O trio de mulheres protagonistas estão matando a pau. Perfeitas! A Amma que é uma atriz Nova, tá arrasando.

E pela prévia do finale, a bizarrice vai comer solta.

Sharp Objects mantém o excelente nível de “minisséries” da HBO, como True Detective e Pretty Little Lies. Aprende Netflix…

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Luiz Santiago 21 de agosto de 2018 - 22:39

Essa série REALMENTE veio dar o que falar. Funciona perfeitamente como uma baita adaptação e como produto nova. Coisa fina mesmo!

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Junito 21 de agosto de 2018 - 22:28

Série top de linha! HBO né pai!

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Liege 21 de agosto de 2018 - 17:15

Tô chocada é com a passividade do marido em relação a Adora. Pra mim ficou claro nesse episódio que ele é cúmplice, MAS GENTE!!! Marian e Amma também são filhas dele! A Adora é doente e deixa todos ao redor dela doentes também, seja física ou emocionalmente (que é o caso da Camille), mas qual é a explicação pra esse comportamento do marido? Sem or, tô muito ansiosa pro desenrolar final da série.

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Luiz Santiago 21 de agosto de 2018 - 17:58

Eu tô mega curioso para saber se vão ou como vão abordar isso! O cara é um verdadeiro inútil!

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Jose Olyntho Ze 23 de agosto de 2018 - 21:14

Ele é um ze ninguém que vive as custas dela, acho que o tom será esse, de conivência mesmo.

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Adriana Santos 21 de agosto de 2018 - 16:08

Provavelmente vamos entender tudo no episódio final, mas eu fico em dúvida se a Amma sabe sobre essa doença da mãe e ainda assim se deixa ficar doente.
E se houver “justiça” no fim, a Jackie e o pai também tem que ir presos, porque botar fones de ouvido ou viver se drogando não tira o papel deles de cúmplice.

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Luiz Santiago 21 de agosto de 2018 - 16:14

Isso seria em um cenário ideal. Em Wind Gap, as coisas funcionam por um caminho diferente. Estou bastante curioso para ver como a justiça (e a injustiça!) serão feitas aqui.

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Cygne Noir 21 de agosto de 2018 - 15:30

Eu não sei o que dizer. Só sentir. A série é extremamente viciante, tanto que já sinto um luto pelo último episódio que se aproxima.

Responder
Luiz Santiago 21 de agosto de 2018 - 15:53

Todos nós entraremos nesse luto, viu…

Responder
Luiz Santiago 21 de agosto de 2018 - 14:48

@teco_sodre:disqus eu fiquei roendo unhas na leitura do livro e estou fazendo o mesmo com a série. É impressionante como esse tema é poderoso e como a aplicação dele pelas mãos do Vallée tem sido algo tremendamente bem feito. Baita série!

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Teco Sodre 21 de agosto de 2018 - 15:01

Fui pesquisar sobre a Eliza Scanlen, que faz a Amma, e fiquei pasmo ao saber que é sua primeira atuação. Pqp, vai ser demonha assim no quinto dos infernos. Que atriz boa, seu primeiro trabalho é muito bom. A Patricia e a Amy já têm carreiras mais sólidas, mas são duas monstras em cena.

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Teco Sodre 21 de agosto de 2018 - 14:35

Pra mim, o melhor episódio até aqui. A série tem uma direção absurdamente boa, eu tô realmente impressionado com o trabalho de Vallée, é muito delicado e intenso ao mesmo tempo, precioso demais! De fato, o trio central do episódio (mãe e filhas) estão muito boas em cena, são as “cerejas” deste bolo de loucuras. Também amei o roteiro e vale citar novamente a cena do John com a Camille, do bar até o motel: diálogos precisos de transparência, conexão, identificação com suas respectivas perdas, e por estarem também perdidos, sem saber o que fazer sobre suas vidas confusas e depreciadas. A cena da leitura das cicatrizes é monumental. Valeu o episódio inteiro.

Sobre Adora, mds, não sei nem o que dizer, só sentir… muito ódio daquela mulher louca. Gente, alguém interna aquela criatura… A Jackie, de certa forma, é uma cúmplice de tanta barbaridade. Coisa vai ser se a Amma morrer também. o_o’

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Hugo 21 de agosto de 2018 - 14:21

Não vi a série ainda, mas depois da sua critica vou assistir com certeza. Alias parabéns pela clareza com que você expõe a problemática da Síndrome de Munchhausen e, pior ainda, a variante por procuração. É assustador e angustiante as situações surgidas dessa condição. Se você não tiver alguma formação no tema, você fez a lição de casa direitinho. Rsrsrs. Abc e eu volto aqui para falar o que achei quando acabar de ver.

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Luiz Santiago 21 de agosto de 2018 - 14:41

Muito obrigado, @disqus_4lNcNZrmry:disqus! Minha formação não é necessariamente na área, mas eu tive isso em Psicologia da Educação, em uma sequência de aulas onde os professores falavam sobre questões extra-classe vividos por alunos. Foi assustador. E nunca pensei que veria isso retratado na TV…

Você tem formação na área? Tu vai gostar dessa série, cara! Veja!

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André Prado 21 de agosto de 2018 - 13:46

Tenho pena daqueles que desistiram da série e ou se queixaram do ritmo dela. Certo que a segunda justificativa é válida (dado a gostos pessoais de cada um) mas com esse episódio Sharp Objects atinge praticamente todo o seu potencial narrativo, compensando toda e qualquer teoria que tinha sobre aquela cidade.

E sim, aquela cidade. O foco não é o assassinato (queixa comum do público essa) e sim as feridas abertas dos habitantes daquela cidadezinha, que lentamente foram abrindo novamente. O assassinato era apenas consequência de uma cidade que vive de aparências.

E nada é o que aparenta, muito menos Adora; nem precisa ter formação de psicólogo pra entender que havia algo de muito estranho ali.

Um bom exercício do que é a série são a existência dos ventiladores e a “dedução” do xerife em busca de um assassino. Porque só homens são capazes de matar? Porque ventiladores só serviriam pra abafar o calor?!

Responder
André Prado 21 de agosto de 2018 - 13:32

Tenho pena daqueles que criticam e/ou largaram a minissérie por supostamente ela ser “lenta”. Esse foi o episódio-chave que premiou a visão apurada e me fez relembrar daquele meme do Futurama “ah agora tudo faz sentido, todas as peças se encaixam…”. Saca?

O assassinato fica em segundo, até (se há) um terceiro plano diante Wind Gap. Prestar atenção aos detalhes é indispensável, tanto que aqueles que se queixaram do ritmo da série se assemelham ao perfil desleixado e viciado do xerife da cidade (como de grande parte da população). Porque assassino e não assassina? Posto isso, vale a máxima “se não entendeu, assista de novo”, que em Sharp Objects, a meu ver, se aplica perfeitamente.

Reveja, sinta novamente; mude a percepção. Nada é o que aparenta, assim como deve-se compreender que Camille não é simplesmente “uma rockeira doente que anda de suéter na rua”. Por trás da bebida, há muitos traumas. Ninguém se droga “porque quer”.

Os ventiladores não estão lá a toa.

PS: E o que acha do marido da Adora? Muito suspeito não?!

Responder
Luiz Santiago 21 de agosto de 2018 - 14:43

Você tem razão. A série brinca com a nossa percepção o tempo inteiro e nos convida a olhar as coisas uma segunda, terceira vez. É um baita exercício de investigação para nós também!

Quero ver o que vão fazer com o marido no episódio final!

Responder
Vítor Rocha 21 de agosto de 2018 - 13:19

Episódio incrível, Amy Adams é mesmo uma atriz fora da curva. A cena do John Keene lendo suas marcas é fantástica e vc entende a importância daquele momento para a Camille, muito mais que uma questão meramente sexual.

Responder
Teco Sodre 21 de agosto de 2018 - 14:20

Super concordo, achei cena muito bonita, bem pensada e muito bem encaixada no desdobrar da história. Aquela conversa dela com John no bar lhes guiou para um dos momentos mais delicados do show.

Responder
Luiz Santiago 21 de agosto de 2018 - 14:28

Exato! Para ela, é como a conclusão de um processo terápico, algo que a cidade começou e aquela “leitura do corpo” ajudou a firmar. Achei a cena sensacional!

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