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Crítica | Shaun, o Carneiro: O Filme – A Fazenda Contra-Ataca

por Ritter Fan
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O segundo longa-metragem da fabulosa produtora Aardman Animations baseado na série britânica em stop-motion Shaun, o Carneiro, por sua vez spin-off da franquia Wallace & Gromit coloca o carneirinho titular (Justin Fletcher), seu rebanho e o cachorro pastor Bitzer (John Sparkes) envolvidos em uma história que, trocando em miúdos, uma adaptação de E.T. – O Extraterrestre. Bem diferente do longa de 2015, que lidava com ambientação essencialmente urbana, a continuação mantém a história na fazenda Mossy Bottom, com Shaun tentando devolver a simpática alienígena Lu-La (Amalia Vitale) a seu planeta enquanto a protege de uma organização governamental que quer capturá-la.

A premissa é batida e a execução não tenta sair do padrão de que se espera de um filme assim voltando principalmente para o público infantil. Ainda que haja muita coisa para os adultos apreciarem na forma de uma infinidade de referências principalmente à obras de ficção científica que são geralmente bem situadas, sem que o roteiro de Mark Burton e Jon Brown precise parar a história para inseri-los, não é perceptível um esforço maior para trabalhar temas que vão além do básico e que sempre são abordados nas obras que têm Shaun como protagonista. Com isso, temos o bom e velho valor da amizade servindo de pano de fundo para todas as ações, além de ser perceptível o investimento da produção em criar momentos de fofura extrema, mas sempre com muito coração, criando uma agradabilíssima sensação de conforto a cada fotograma dos 86 minutos da projeção.

Com isso, quero dizer que não há qualquer sinal da complexidade narrativa de A Fuga das Galinhas ou mesmo da esperteza de Wallace & Gromit, ainda que o longa (não pretendo escrever o desnecessariamente gigantesco título nacional da obra) não tenha os problemas de ritmo encontrados em O Homem das Cavernas. Ao contrário até, nesse aspecto o roteiro mostra grande agilidade, começando imediatamente a história e não a deixando esmorecer momento algum, mesmo que cada ato se valha de clichês do gênero que são facilmente reconhecíveis e utilizados de maneira correta, mas não exatamente original.

No entanto, é óbvio que a técnica de stop-motion, mais precisamente claymation, ou seja, o stop-motion com “massinha”, é, novamente, de cair o queixo. Sou confesso admirador profundo da técnica e um filme que a utiliza tem que ser abissal de ruim para eu não apreciá-lo de alguma forma (como, por exemplo, O Filho de King Kong) e a Aardman tem um um currículo imaculado nesse quesito. Desde a “boquinha lateral” dos carneiros, passando pela fazenda, o fazendeiro (Sparkes também), Bitzer e, claro, a adorável Lu-La, e desaguando na vilã, a Agente Vermelha (Kate Harbour) e seu assistente robótico Mugg-1N5 (David Holt), tudo funciona às mil maravilhas, valendo destaque para as complexas sequências na base secreta embaixo de um lava-carros e a climática pancadaria na fazenda que reúne um parque temático que o fazendeiro manda construir com a tentativa desesperada de devolver a alienígena para seu mundo.

A arquitetura sonora exemplar é outra característica em tudo que a Aardman faz e aqui não é diferente, com onomatopeias sendo usadas no lugar de palavras, o que é engraçado por si só, mas também com o uso extensivo de uma infinita biblioteca sonora que o trabalho de edição e mixagem de som capturam e inserem nos momentos perfeitos o que, com a trilha não intrusiva de Tom Howe, envelopa a obra em uma sonoridade que compete com o claymation pela atenção do espectador, mas sem que um atropele o outro. É como uma clássica animação da série Silly Symphony da Disney, mas usando uma técnica ainda mais fascinante.

A Aardman, portanto, acerta mais uma vez, mesmo não entregando um filme que se arrisque muito ou que desafie o espectador. Trata-se de uma diversão passageira, mas muito simpática, voltada para as crianças e para os adultos que apreciam seus embasbacantes aspectos técnicos.

Shaun, o Carneiro: O Filme – A Fazenda Contra-Ataca (A Shaun the Sheep Movie: Farmageddon – Reino Unido/França/Bélgica/EUA/China/Austrália/Japão/Finlândia/Alemanha/Irlanda, 2020)
Direção: Will Becher, Richard Phelan
Roteiro: Mark Burton, Jon Brown (baseado em ideia de Richard Starzak e personagens criados por Nick Park)
Elenco: Justin Fletcher, John Sparkes, Amalia Vitale, Kate Harbour, David Holt, Richard Webber, Simon Greenall, Joe Sugg, Emma Tate, Andy Nyman, Chris Morrell, Ron Halpern
Duração: 86 min.

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