Crítica | Shazam! – 1X01: The Joyriders

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Após o cancelamento da série Batman e Robin (1966 – 1968) Shazam! foi o primeiro live-action de um super-herói que chegou à TV americana, abrindo as portas (através de estudo e comportamento de audiência) para outras séries live-action como The Secrets of Isis (1975), Wonder Woman (1975), The Amazing Spider-Man (1977) e The Incredible Hulk (1977), isso sem contar a versão japonesa baseada no Homem-Aranha e iniciada em 1978, produzida pela Toei Company. E notem que eu citei apenas as séries que estrearam nos anos 1970, que de olho no sucesso que Shazam! teve diante do público infantil, trouxe para as telas uma preocupação diferente em relação à estrutura dos programas, destinados não apenas (ou necessariamente) para uma faixa etária menor. Em pouco tempo, os adultos passaram a ser contemplados nos plots e o horário de exibição de algumas séries de heróis que viriam no futuro é a maior prova disso.

Shazam!, no entanto, não negava suas intenções. Era exibida aos sábados de manhã e, pelo menos até a 2ª Temporada, foi marcada por histórias destinadas principalmente a crianças e adolescentes, com lição de moral e tudo. De cara, olhamos para este piloto da série, The Joyriders, exibido pela CBS em 7 de setembro de 1974, como um produto de seu tempo, em produção e trama. É amplamente sabido que o orçamento para esse tipo de série era curto e por isso mesmo os efeitos especiais não têm absolutamente nenhum grama de aceitabilidade. São muito ruins e, no caso desse episódio, colocados de maneira repetitiva e sem uma preocupação da montagem em fazer com que as cenas que se seguem aos “momentos super” compensassem de alguma forma a barbaridade técnica vista anteriormente.

Por um lado, essa linha de abordagem é compreensível. O retorno para a emissora ainda era incerto, então era lícito que jogassem com valores baixos. No roteiro, escrito por Len Janson e Chuck Menville, temos também um pé atrás. A valorização da ação e a cara de “show perfeito para os filhotes” é o que mais os autores tentam valorizar aqui, então temos, como premissa, a seguinte linha: um jovem rapaz deve descobrir o que fazer quando seus amigos insistem em roubar carros e dirigir perigosamente pela cidade. Sendo o episódio piloto de um programa de super-herói, vejam só o que temos. Esqueçam a história de origem de Shazam! Esqueçam o Mago, a Pedra da Eternidade, os Sete Pecados Mortais do Homem.

Aqui, Shazam luta contra uma “gangue” de garotos que roubavam carros para dirigir pela cidade. Mas essa frase dá uma impressão de grandiosidade das ações dos meninos, algo que realmente não existe em The Joyriders. Roteiro e direção são muito simples e esses meninos pegam os carros que estão com as chaves e saem guiando por aí. O mais engraçado é que eles usam a mesma jaqueta preta com mangas brancas, dando a impressão de que fazem parte de uma gangue [só porque] estão com roupa combinando. É engraçado, mas como disse, reflete um tipo de pensamento de época que é bem fácil compreender. No mais, o episódio passa a maior parte do tempo colocando Billy Batson (Michael Gray, até que em uma atuação legal) correndo para cima e para baixo em busca do garoto da “gangue” que não queria pegar os carros. O chamado de covarde pelos colegas.

A óbvia lição de moral exposta repetidamente no roteiro durante o desenvolvimento do episódio — inclusive no contato de Billy com os Imortais, num horrendo efeito de animação em mural — volta no fim do episódio, com o Capitão Marvel (Jackson Bostwick, aqui, bem insosso e com mínima participação) olhando diretamente para a câmera e falando a seguinte frase para as crianças: “É importante fazer o que você sabe que é certo e não ser enganado para fazer algo estúpido só porque alguém te apelida maldosamente. Muitas vezes é preciso ter mais coragem para fazer o que é certo do que para ir junto com a multidão“.

Em The Joyriders encontramos todo o Universo de Billy e seu Mentor (Les Tremayne) já estabelecido e não há absolutamente nenhuma explicação (ou sequer um ensaio) para isso. Mentor e Billy têm contato com os Imortais (os Deuses), recebem um aviso através de uma máquina cheia de coisinhas que brilham e… é só. Somando isso ao fato de logo no primeiro episódio o Capitão Marvel impedir meninos de pegarem carros com a chave dando sopa, certamente entende-se o por quê deste não ser um Piloto que nos explode o cérebro. Mas para uma criança ou mesmo adolescente de 1974, a coisa parece que realmente funcionou, visto que o show teve três temporadas e foi um empurrão de produção, como expus no início do texto, para iniciativas super-heroicas em live-action na TV dos anos 1970.

Shazam! – 1X01: The Joyriders (EUA, 7 de setembro de 1974)
Showrunners: Norm Prescott, Lou Scheimer, Dick Rosenbloom
Direção: Hollingsworth Morse
Roteiro: Len Janson, Chuck Menville
Elenco: Michael Gray, Les Tremayne, Jackson Bostwick, Kerry MacLane, Barry Miller, Ty Henderson, Lee Joe Casey
Duração: 30 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.