Crítica | Shazam!: Freddy’s Guide to Super Hero-ing, de Steve Behling

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Bem-vindos ao mundo de Freddy Freeman e Billy Batson! Neste simpaticíssimo, divertido e curtinho livro de Steve Behling, com ilustrações de Leslie Design, temos uma baita viagem pelo mundo dos super-heróis através dos olhos (bem… das palavras, desenhos e fotos) de um grande admirador desse Universo de maravilhas, um olhar que representa o do leitor de quadrinhos ou fã dos filmes de super-heróis. Publicado em fevereiro de 2019 pela HarperCollins, este “guia” é, na verdade, o diário de Freddy, que começou a registrar as suas muitas experiências ao lado do melhor amigo e novíssimo (em seu Universo) super-herói. O meninão Shazam.

Lançado para capitalizar em cima do hype de Shazam! (2019), longa-metragem de David F. Sandberg, com Zachary Levi dando vida ao Grande Queijo Vermelho, Freddy’s Guide to Super Hero-ing é o tipo de livro infantojuvenil vindo de uma outra mídia — no caso, cinema e quadrinhos — que sabe aproveitar muitíssimo bem as oportunidades que tem em mãos, dando uma boa abertura para seu Universo, ajudando a destacar um personagem (Freddy), trazendo a tiracolo informações de “entrelinhas” referentes à produção maior (o longa-metragem) e permitindo ao leitor um contato mais íntimo com o mundo desses indivíduos, através dos olhos de seu maior fanboy. É uma experiência instigante pelo formato que adota, nos capturando pelo acesso a algo pessoal e pelo tom de confidência do texto. E sim, estamos falando de uma leitura rápida com linguagem fácil, divertida e meio bobinha, até porque os adultos não são o seu público-alvo.

E o caso desse livro é bastante peculiar, porque ele foi lançado dois meses antes da estreia do filme e, a despeito da óbvia questão marqueteira envolvida, não se entrega à facilidade de reproduzir fotografias aleatoriamente, fazendo um comentário espirituoso aqui e ali ou enchendo as páginas de curiosidades sobre o processo de produção, quase como se fosse um dos nossos Entenda Melhor de easter-eggs, só que você precisa pagar para ter acesso. Não é o caso. Behling realmente cria um legítimo diário, com entradas que mostram a percepção de mundo de Freddy, seu entendimento em relação aos super-heróis e, justamente porque ele é um adolescente nerd e “expert em supers“, um volume cheio de teorias, listas de quem é melhor ou pior dentre os heróis, além de aventuras ao lado do Capitão Marv… Shazam.

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Nessa experiência de observar, classificar e colecionar coisas de heróis, Freddy ainda faz citações frequentes a figuras de destaque em seu Universo, como Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Aquaman, Flash e Cyborg. Alguns vilões também aparecem, assim como momentos de Freddy e de seu amigo Billy que vão desde comer irresponsavelmente até os mais engraçados testes de alcance de poderes. Podemos até ver o livro como um tipo de preparação para o filme, mas na verdade é mais um complemento, uma expansão, já que revela coisas que a gente sabe que não serão mostradas no longa ou que no máximo foram mostradas no trailer.

Com diversas brincadeiras ligadas ao mundo dos quadrinhos e com entradas sérias sobre a importância da família, dos bons amigos e do encorajamento para se fazer coisas, este diário é um verdadeiro charme, explorando uma atmosfera familiar e cômica, manipulando algumas informações dos quadrinhos e entregando um produto que é capaz de divertir até mesmo os nerds velhos e chatos, como eu. Mais uma boa oportunidade de mergulhar no Universo cinematográfico (e discutir uma coisa ou outra sobre o Universo das HQs) de Shazam!

Freddy’s Guide to Super Hero-ing (EUA, 26 de fevereiro de 2019)
Autor: Steve Behling
Ilustradora: Leslie Design
Editora original: HarperCollins
144 páginas

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.