Crítica | Shazam: Minha Semana em Valhalla

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Se tem uma coisa que realmente funciona neste Minha Semana em Valhalla, arco de quatro edições publicado na Action Comics, entre outubro e novembro de 1988, é o seu conteúdo sociopolítico. História de Roy Thomas e Dann ThomasValhalla critica abertamente o surgimento de grupos neonazistas nos Estados Unidos, bem como os ideais de supremacia racial e controle estatal por esse tipo de indivíduos. Por ser uma história mais curta (cerca de 10 páginas por edição), os roteiristas não tinham muito tempo para desenvolver a temática em todos os seus aspectos, então já começa com uma ação do Capitão Marvel impedindo um ataque terrorista anti-ZOG (Zionist Occupied Government), criando aí a deixa para a “semana em Valhalla” do Shazam.

O termo ZOG, utilizado no texto, tem um verdadeira peso histórico para os EUA (eu disse que o que realmente funciona aqui é o conteúdo sociopolítico, não?) e se refere a uma real teoria da conspiração de que existe um governo de ocupação sionista na terra do Tio Sam, cujo governo é um fantoche mantido para encobrir a mão dominadora dos judeus, os verdadeiros controladores da nação. No momento em que esta história foi publicada, não havia muito tempo desde a popularização do termo, que teve uma de suas primeiras aparições conhecidas no artigo Welcome to ZOG-World (1976) e ganhou extensa popularidade em 27 de dezembro de 1984, quando um artigo do The New York Times falou sobre uma sequência de roubos cometidos pelo grupo The Order, nos Estados da Califórnia e em Washington.

Toda a ideologia do grupo Aryan Nations é colocada no acampamento que Billy vai visitar como um repórter infiltrado. Eu fico besta com certas coisas ligadas à suspensão da descrença que a gente precisa ter para algumas ocasiões em que Billy se mete, e esta de colocar um adolescente como espião em um acampamento neonazi é certamente uma delas. No entanto, o incômodo para o roteiro não vem daí. Não sei se poque estou acostumado com a jornada cheia desse tipo de coisa, já vista em versões anteriores das histórias do Shazam, mas o fato é que a maneira como essa estadia é desenvolvida até que funciona bem porque Billy (com nome falso) passa o tempo inteiro em “treinamento” junto com outros garotos de sua idade, então por mais irresponsável que seja, faz algum sentido. E no mais, ele tem como se defender — se bem que isso é algo bastante questionável e está sujeito a condições bem particulares pensadas pelos roteiristas, como veremos no final dessa mesma história.

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Talvez pelo fato de ter bem pouco tempo os autores procuraram fazer algo objetivo, o que torna certos personagens rasos, mesmo que suas ideias políticas e raciais estejam colocadas de maneira bem clara. Ao mesmo tempo, o roteiro traz algo que encontra implicações além da trama principal, com a introdução do Capitão Nazi nesse novo Universo pós-Crise (ao menos temporariamente, já que 6 anos depois, Shazam e seus vilões teriam uma terceira “origem definitiva”, sob a pena de Jerry Ordway), o “inimigo dentre os inimigos” nessa história e que protagoniza uma pequena cena de luta com um final altamente anticlimático.

Rick StasiRick Magyar assinam a arte e a finalização respectivamente, e fazem um trabalho adequado às limitações do arco, sem nenhum grande momento que mereça destaque. Nem mesmo os amplos quadros mostrando Shazam em ação nós temos aqui, o que torna a trama um pouco decepcionante no aspecto visual, embora o trabalho artístico não seja ruim, no máximo, mal diagramado. Os desenhos trazem diversos easter-eggs ligados à típica propaganda nazista, dando um bom suporte visual para o roteiro. Embora termine de modo amargo para o herói, Minha Semana em Valhalla é aquele tipo de história que a gente entende que foi importante para o crescimento do protagonista, em diversos campos de sua vida. Uma história de relevância política grande que, apesar de ser boa, numa visão geral, não faz jus ao herói que a protagoniza.

Action Comics Vol.1 #623 a 626: Shazam: My Week in Valhalla (EUA, outubro – novembro de 1988)
No Brasil: Super-Homem, 1ª Série #88 (Abril, 1991)
Roteiro: 
Roy Thomas, Dann Thomas
Arte: Rick Stasi
Arte-final: Rick Magyar
Cores: Nansi Hoolahan
Letras: Jean Simek
Capas: Brent Anderson, Alan Davis, Eduardo Barreto, Paul Chadwick
Editoria: Mike Gold
40 páginas

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.