Crítica | Shazam: O Mundo do Seu Amanhã e Outras Histórias

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Ao longo de oito edições, publicadas entre 1941 e 1943, a antologia America’s Greatest Comics trouxe as histórias do Capitão Marvel (Shazam) juntamente com a de outros populares heróis (na época, claro) da Fawcett Publications, como Minute-Man, Spy Smasher, Mr. Scarlet, Commando Yank e Bulletman. Com roteiro e arte de C.C. Beck e Dave Berg, em diferentes edições, essa passagem do Shazam pela AGC dividiu-se entre aventuras muitíssimo divertidas e outras que, por exigirem demais da nossa capacidade de aceitar insanas explicações para a transformação do herói — e acreditem, são muitas — acabam não ficando tão divertidas assim.

Este é o ponto que realmente me incomoda nessa antologia e que faz com que as histórias caiam bastante de nível. Sim, existem outros fatores, sobre os quais falarei mais adiante, mas eles são menos irritantes porque conseguimos ver algum tipo de explicação, mesmo que “conveniente demais” para a sua existência. O mesmo não acontece com Billy Batson se transformando em Shazam inadvertidamente, em qualquer lugar, sem que ninguém perceba ou fale alguma coisa. Pior ainda, parece que os personagens se fazem de bobos, perguntando “onde está Billy?“, “como foi que você chegou aqui?“. Sério, não dá para engolir isso. Num primeiro momento achamos que o garoto tenta guardar a sua identidade, mas em cada um dos contos nos deparamos com ele gritando SHAZAM! em plena rua, surgindo como o super-herói na frente de todos e sem maiores problemas ou implicações para isso, por parte do roteiro, o que não dá para deixar passar, mesmo se tratando de uma história da Era de Ouro.

Uma das coisas que percebemos em todas essas histórias é o humor adolescente de Billy, mesmo quando transformado em Capitão Marvel. Suas gracinhas diante dos vilões e sua forma dele encarar determinados perigos demonstram um misto da sabedoria de Salomão que ele recebe ao gritar a palavra mágica, mas também o peso da imaturidade, o que para mim é uma das coisas mais legais do personagem, uma boa dualidade que sempre exige bastante do roteiro. No meio dessas oito aventuras temos o Dr. Silvana (claro!), alguns outros cientistas malucos, nazistas e gângsters servindo de saco de pancadas para o heroico protagonista, sempre passando por algumas dificuldades e desentendimentos antes de conseguir salvar o dia.

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A arte de C.C. Beck e Dave Berg (especialmente desse último) fornece todo o aparato visual que uma “revista infantil” dos anos 40 poderia ter, e claramente tem um enorme apelo de “fofice” diante do leitor. Com um personagem extremamente carismático e histórias que, no todo, são muito divertidas, temos o pacote completo para uma boa leitura, mesmo que passemos por Deus Ex Machinas, transformações e explicações sem sentido, condução de narrativas que nos fazem rir pela inocência com que são vendidas e certos clichês que são engraçados só de a gente pensar.

Para quem gosta desse período da História da nona arte e para quem quer ver um pouco do Capitão Marvel em aventuras nos seus primeiros anos de existência (a minha favorita aqui é quando os Deuses do Olimpo vêm para a Terra e Zeus se recusa a mandar o raio que transformará Billy em Shazam), esses oito contos são uma boa pedida. Não são perfeitos, mas são muito gostosos de ler.

America’s Greatest Comics Vol.1 #1 a 8 (EUA, novembro de 1941 – agosto de 1943)
Editora original: Fawcett Publications
Roteiro:
 C.C. Beck, Dave Berg
Arte: C.C. Beck, Dave Berg
Capas: Mac Raboy, C.C. Beck, Pete Costanza
Editoria: Ed Herron, Otto Binder, C.C. Beck
24 páginas (cada edição)

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.