Crítica | Shazam: Os Sete Reinos Mágicos – Parte 1

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Quando foi anunciado, em meados de 2018, que o Shazam ganharia um novo título solo na DC, eu fiquei bastante animado. Este estágio emocional, no entanto, durou bem pouco, até eu ver quem seria o autor do título: Geoff Johns. E não me entendam mal, eu gosto bastante do autor. A questão é que ao mesmo tempo em que escreve esta aventura ambientada nos Sete Reinos Mágicos, ele também escreve O Relógio do Juízo Final, série excelente mas com um número imensurável de adiamentos, algo que obviamente também aconteceria com Shazam se Johns assumisse o título. Dito e feito. No momento em que escrevo esta crítica (agosto de 2019) a novela de empurrar edições da revista 4 ou 8 semanas para frente avança firme e forte. Talvez ainda em nossa geração tenhamos a oportunidade de conhecer o final desta saga e de Doomsday Clock, não é mesmo? Vai saber…

Composto pelas edições #1 a 6 de Shazam! Vol.3, este arco é uma curiosa recolocação do personagem na linha de publicações da editora, após a sua versão dos Novos 52, na saga também escrita por Geoff Johns chamada Com Uma Palavra Mágica. O estilo de trabalho com o personagem continua interessante, principalmente na edição #1, a melhor do volume e onde temos a reapresentação da família Vasquez e uma excelente sequência que se passa em um museu, durante uma saída pedagógica de alunos. O destaque inicial para Billy e Freddy foi um acerto do autor, e a partir deles temos tudo o que precisamos para nos conectar com a história, que tem ação, uma fantástica linha cômica que condiz com a faixa etária dos personagens mostrados e outros aspectos da trama se desenvolvendo paralelamente.

A partir da segunda edição há uma considerável mudança de tonalidade no texto e a aventura começa não só abordar a magia de uma outra forma como também colocar perigos e laços familiares no jogo, tornando a saga um pouquinho mais pessoal e com cara perigosa, levando-nos para os Reinos Mágicos que, fora a Terra (Earthlands) são os seguintes: Funlands, Gamelands, Wildlands, Darklands, Monsterlands e Wozenderlands. O primeiro desses reinos que a Família Shazam visita é o Reino da Diversão e a soberba arte aqui, misturando coisas macabras com alegria infantil, me lembrou Happyland, um parque de diversões sádico construído por DeSaad em The Kingdom of the Damned, na revista do Povo da Eternidade, com arte de Jack Kirby. A jornada dos irmãos mágicos nesse Reino é inicialmente interessante, mas a premissa de exploração acaba se tornando um drama de mistério onde o King Kid mostra quem verdadeiramente é. E aí a história começa a perder um pouco da força que inicialmente nos chamou a atenção.

plano critico capítulo 3 shazam e os reinos mágicos

Eu realmente não comprei a ideia de os maiores de 18 anos precisarem trabalhar na manutenção do Reino, uma vez que tudo ali era produto de magia. Se o texto tivesse explorado isso ao menos de maneira rápida, sem problemas, mas não é o caso. Já os outros dois reinos visitados (Jogos e Selvagem) acabam recebendo um tratamento mais coeso. Embora eu não tenha gostado muito da dinâmica das Gamelands, narrativamente, a saga de Pedro e Eugene ali fez sentido. Por outro lado, os perrengues de Darla e Freddy nas Wildlands são interessantíssimos, para mim, o melhor dos três Reinos em termos de construção narrativa. Há um bom aspecto de crítica por parte do roteiro e a história consegue ser bem mais do que a visita de crianças com poderes mágicos a um reino mágico. E vale dizer que se o roteiro não segue bem azeitado ao longo do arco, a arte faz isso com muito louvor, especialmente nas Funlands e Wildlands.

Embora ainda esteja em andamento — esta é apenas a primeira parte da saga — existem dois eventos que não se conectaram bem ao drama da Família Shazam e à descoberta dos Sete Reinos. O primeiro deles está ligado ao drama do Dr. Silvana. Até a chegada do Adão Negro, as coisas estavam organicamente ajustadas. Depois de Silvana, porém, tudo pareceu solto demais e nem a ideia geral de que o Sr. Cérebro quer dominar os Sete Reinos consegue estabelecer um link interessante. A segunda delas é a chegada de uma certa pessoa à casa dos Vasquez, querendo falar com Billy. Eu vou esperar para ver o desenvolvimento desse plot no arco seguinte, mas aqui foi apenas algo chateante para mim. A despeito de todas essas coisas, Os Sete Reinos Mágicos – Parte 1 é uma saga e tanto. Certamente vale ser acompanhada e com certeza deu uma boa roupagem para o Shazam desses novos tempos.

Shazam! Vol.3 #1 a 6: The Seven Magic Lands (EUA, 2018 – 2019)
No Brasil:
Panini, 2019
Roteiro: Geoff Johns
Arte: Dale Eaglesham, Marco Santucci, Mayo Naito, Scott Kolins
Arte-final: Dale Eaglesham, Marco Santucci, Mayo Naito, Scott Kolins
Cores: Michael Atiyeh
Letras: Rob Leigh
Capas: Dale Eaglesham, Alex Sinclair
Editoria: Brian Cunningham, Andrea Shea, Jamie S. Rich
160 páginas

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Mary

plano critico mary shazam

Mary é uma história curta e secundária que vem juntamente com a primeira edição de Os Sete Reinos Mágicos e onde temos contada a história de Mary Bromfield (Lady Shazam, que antes chamávamos Mary Marvel). O roteiro é de Geoff Johns e os desenhos em estilo mangá são de Mayo Naito, cujo trabalho delicado combina bem com o tipo de história familiar narrada.

Toda vez que temos um enredo triste envolvendo crianças ficamos emocionados, e é por este caminho que Geoff Johns guia este belo e terno conto, começando com a rejeição familiar de Mary, sua fuga e diversos aspectos de sua personalidade desde quando pequena até a sua adoção pelo casal Vasquez. Como o leitor já conhece bem o passado e os caminhos de introdução de Billy à família, torna-se bem interessante a escolha do autor em adicionar mais esse capítulo na mitologia do novo Universo Shazam, que ainda conta com uma lindíssima aventura (a primeira, como crianças levadas) entre Freddy e Mary e um salto temporal que, embora traga problemas de organização da história, mantém a aura de fofura e calor familiar em alta.

Para além dos primeiros contatos e experimentação do que é uma família, o que é ser amado e ter um porto seguro, temos nessa história uma citação ao Dr. Silvana, a explicação de como Mary adotou Hoppy e como o coleho ganhou os seus poderes. Como disse no parágrafo anterior, o final do conto tem um probleminha de ritmo dado o salto temporal, mas o conteúdo da história é fantástico e fecha bem a primeira edição com informações novas sobre esta fase do Shazam (a partir de 2018) e de Família nos quadrinhos da DC.

Shazam! Vol.3 #1B: Mary (EUA, 2018)
No Brasil:
Panini, 2019
Roteiro: Geoff Johns
Arte: Mayo Naito
Arte-final: Mayo Naito
Cores: Mayo Naito
Letras: Rob Leigh
Editoria: Brian Cunningham, Andrea Shea, Jamie S. Rich
10 páginas

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.