Crítica | Short Trips 5X05: The King of the Dead

estrelas 3,5

Equipe: 5º Doutor, Tegan, Nyssa
Espaço: Londres, Reino Unido
Tempo: 1982

The King of the Dead refere-se a um espetáculo teatral interativo que dá a motivação dramática para esta história do 5º Doutor. Enquanto o Time Lord levava Tegan e Nyssa para uma Olimpíada, a TARDIS, como [quase] sempre, chega ao lugar errado e faz seus tripulantes testemunharem uma experiência de dominação mental visualmente assustadora para os atores e organizadores do espetáculo.

Há uma tremenda semelhança entre este episódio e um conto com o 12º Doutor lançado em 2014, chamado Behind You. A estrutura narrativa é exatamente a mesma — com o Senhor do Tempo imerso em uma situação teatral que o incomoda e que tem um forte lado claustrofóbico –, mas aqui, o clima da Série Clássica e a atmosfera emprestada das Companion Chronicles dão uma impressão completamente diferente à aventura.

Não demora muito e descobrimos que toda a força alienígena em ação tem a ver com um cultivado sentimento de vingança e escava memórias de um passado conturbado dos personagens, com a morte do pai de um dos membros do grupo teatral (envolvido com a UNIT) e os links que o roteiro de Ian Atkins faz com uma das companions do Doutor — não vou aprofundar nisso para não dar spoilers.

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Sarah Sutton durante a gravação de The King of the Dead, em janeiro de 2015.

De alguma forma, o clima e a citação da UNIT fazem esta história ecoar alguma coisa de Time Tunnel, que inclusive apresentou elementos de terror, embora bastante inferires ao de King of the Dead. Se partirmos deste ponto, a história que de fato traz maior similaridade, tanto em qualidade de produção quanto em componentes assustadores do roteiro, certamente é The Ghost Trap, o episódio anterior desta 5ª Temporada das Short Trips.

A produção é uma das melhores da temporada, ao lado da já citada história do 4º Doutor e, claro, da excelente trama do episódio de estreia da temporada, Flywheel Revolution. Caracterização de vozes, sons-ambiente, trilha e mixagem estão orquestrados de forma perfeita na história, dando um pequeno passo atrás na reta final do episódio, mas nada tão grave a ponto de estragar o bom trabalho realizado até ali. O que “estraga”, a rigor, é a forma arrastada com que Ian Atkins concebeu a trama e a direção frouxa de Lisa Bowerman, deixando as coisas presas a uma sutileza que não combina com o texto, tendo pouquíssimos pontos em que esse status é modificado.

O 5º Doutor volta a encontrar-se com “seres escondidos” ou “invisíveis”, mas desta vez em um palco e com plateia, o que torna tudo mais difícil de se resolver. Com uma ótima leitura de Sarah Sutton e produção que faz jus ao gênero do episódio, The King of Dead, apesar de arrastado, pode servir de aviso para todos aqueles que vivem cozinhando pensamentos intricados de vingança. Cuidado! Você pode estar sendo influenciado por tipo de aranha espacial psicótica!

Short Trips 5X05: The King of the Dead (Reino Unido, maio de 2015)
Direção: Lisa Bowerman
Roteiro: Ian Atkins
Elenco: Sarah Sutton
Duração: 33 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.