Crítica | Sinfonia Interrompida

estrelas 3,5

A relação do cinema de Douglas Sirk com os longas de John M. Stahl já havia sido marcada de forma notável em 1954, com Sublime Obsessão (versão da obra dirigida por Stahl em 1935) e contaria com mais duas investidas, uma neste Sinfonia Interrompida, remake de Noite de Pecado (1939) e outra em Imitação da Vida (1959), refilmagem do filme de mesmo título lançado por Stahl em 1934.

Sinfonia Interrompida é um dos melodramas menos intensos de Douglas Sirk em sua fase áurea, um filme onde se percebe um pouco menos a mão do diretor na trama – talvez porque o roteiro, baseado na obra de James M. Cain, seja pouco atrativo – mas onde se pode, como nunca, desfrutar a excelente trilha sonora de Frank Skinner, que não só nos recebe com uma bela canção (com letra de Paul Francis Webster e interpretado pelas The McGuire Sisters), mas também nos leva para um belíssimo passeio musical baseado em nuances mozarteanas e explosões dramáticas que ganham um excelente papel na fita.

Sinfonia Interrompida teve um significado todo especial para Sirk, que novamente voltou a trabalhar na Europa, tendo como locações algumas cidades da Alemanha e da Áustria. Sob a fotografia de William H. Daniels, o filme ganhou tons esmaecidos e algumas vezes cheios de sombras, um padrão completamente diferente de outros melodramas em cores de Sirk fotografados por Russell Metty, como Sublime Obsessão (1954), Tudo o que o Céu Permite (1955) e Palavras ao Vento (1957).

É claro que podemos facilmente identificar as características centrais da filmografia do mestre do melodrama, como as belas tomadas de carros em movimento (destaque para os planos dianteiros), a elegante movimentação dos atores no set e o uso meticuloso de espelhos e escadas como parte do processo de identificação das personalidades. Aqui, destacamos a excelente apresentação de Reni (Marianne Koch), primeiramente mostrada como um reflexo no piano e só muito tempo depois colocada como alguém real em cena, muito embora o diretor ainda investisse em uma interrogação sobre ela “ser alguém de verdade ou não”, talvez uma forma diferente de demonstrar o desequilíbrio mental da personagem através de nosso próprio ponto de vista.

À parte os bons pontos técnicos recorrentes na filmografia de Sirk e a sempre presente relação narrativa entre fortes emoções embaladas pela música (elemento de destaque aqui), Sinfonia Interrompida possui um encadeamento raso, com um final que não chega a ser totalmente clichê, mas é mal orquestrado pelo diretor e, principalmente, mal exposto pelo roteiro.

A obra tem uma beleza estética que se destaca sem esforços (principalmente a direção de arte), mas possui repetições de planos ou motivos cênicos que nos chateiam, cenário que não melhora quando o encerramento chega e nos faz esperar por mais, como se ainda tivesse algo muito importante a ser dito, algo a ser mais bem desenvolvido ou um maior significado para o drama encenado. Nada disso nos vem e ficamos com a impressão de que o bom e belo filme que vimos poderia (e deveria) ser muito melhor, especialmente na conclusão dada para o triângulo amoroso. Fugir da simplicidade trágica, alienadora e quase totalmente espetacular que encerra o longa poderia, talvez, dar ao todo um pouco mais de substância. Não estamos falando de um filme ruim, mas para o padrão irônico e crítico de Sirk, este Sinfonia Interrompida acaba sendo apenas uma interessante novela.

Sinfonia Interrompida (Interlude) – EUA, 1957
Direção: Douglas Sirk
Roteiro: Daniel Fuchs, Franklin Coen, Inez Cocke (baseado em um roteiro inicial de Dwight Taylor e na obra de James M. Cain)
Elenco: June Allyson, Rossano Brazzi, Marianne Koch, Françoise Rosay, Keith Andes, Frances Bergen, Lisa Helwig, Herman Schwedt, Anthony Tripoli, John Stein, Jane Wyatt
Duração: 90 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.