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Crítica | Sítio do Picapau Amarelo (1977) – 1X01: O Sítio

por Luiz Santiago
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Bem-vindos ao Plano Piloto, coluna dedicada a abordar exclusivamente os pilotos de séries de TV.

Número de temporadas: 10
Número de episódios: 69 (mas a partir da 6ª Temporada, cada episódio era formado por inúmeros capítulos. O episódio com maior número de capítulos (65) foi Barba Azul, O Cara de Coruja. Ao todo, a série contou com pouco mais de 600 capítulos).
Período de exibição: 1977 – 1986
Há continuação ou reboot?: Sim.

Esta versão de O Sítio do Picapau Amarelo, exibida pela Rede Globo entre 1977 e 1986, não foi a primeira adaptação da icônica obra de Monteiro Lobato para a televisão. Esta honra se deve à série da TV Tupi, adaptada por Tatiana Belinky e dirigida por Júlio Gouveia, sendo originalmente exibida entre 1952 e 1963, durando um total de 360 episódios e chegando ter, entre 1955 e 1956, duas versões sendo exibidas, uma em São Paulo, com o elenco principal da série, e outra no Rio de Janeiro, com um elenco secundário (exceção a Lúcia Lambertini, a Emília, que viajava de um Estado para outro para aparecer nas duas versões — e vejam que estamos falando da época da TV ao vivo!).

No entanto, essa versão de 1977 foi a mais popular adaptação do Sítio e uma das mais queridas do público brasileiro, tanto em relação ao elenco, quanto em relação às histórias e à trilha sonora do programa, com a clássica e inesquecível abertura composta e interpretada por Gilberto Gil, e também as muito populares Narizinho, de Ivan Lins e Vítor Martins, interpretada por Lucinha Lins; Pedrinho, de Dori Caymmi e Paulo Cesar Pinheiro, interpretada pelo Aquarius; Passaredo, de Francis Hime e Chico Buarque, interpretada pelo MPB4; e A Cuca Te Pega, composta e interpretada por Dori Caymmi e Geraldo Casé. Isso porque estamos falando das muito populares! Mas a trilha ainda contava com outras coisas fantásticas como a experimental Peixe, de Caetano Veloso, interpretada pelos Doces Bárbaros; Visconde de Sabugosa, de João Bosco e Aldir Blanc, interpretada por Bosco; e Emília, composta e interpretada por Sérgio Ricardo.

Criada a partir de um acordo entre a Rede Globo, a TVE Brasil e o Ministério da Educação e Cultura (MEC), O Sítio de 1977 foi uma produção que atraiu a atenção de crianças e adultos, contendo inúmeros elementos nostálgicos para o público mais velho e um forte elemento de escapismo e fantasia que mexia com a imaginação do público mais jovem, fazendo desse um dos primeiros grandes programas para toda a família no Brasil, em se tratando de produção televisiva bem distribuída.

Nesse primeiro episódio, o roteiro faz uma oposição entre a vida na cidade (onde mora Pedrinho) e a vida no campo, onde vive Dona Benta, Narizinho e Tia Nastácia, as personagens apresentadas nesse capítulo. Aqui, Emília é apenas uma boneca de pano e o Visconde de Sabugosa um sabugo de milho seco “que parece gente”. Ambos são nomeados, mas estão em sua forma inanimada. A vida no sítio é retratada com a paz bucólica esperada, mas não existe muita coisa acontecendo que chame a atenção do espectador, afora a bela execução da canção Ploquet Pluft Nhoque (Jaboticaba), que mostra Narizinho passando horas em cima de um pé de jabuticaba comendo as frutas e olhando as redondezas.

O grande foco de ação do enredo ocorre no bloco da cidade. O problema é que este é um bloco essencialmente desnecessário e com duas tramas secundárias que não possuem absolutamente nada de relação com o que vemos no decorrer da trama. Se fosse algo que envolvesse Pedrinho e suas travessuras, a gente até que poderia entender o por quê mostrar esse tipo de atalho narrativo, mas a meu ver é algo que só ocupa tempo do episódio, tirando da gente coisas bem mais interessantes como os detalhes na vida no Sítio e um pouco mais de características para Pedrinho.

Independente do tropeço na camada urbana, O Sítio é um episódio de estreia cativante. E isso é tão verdade que, mesmo sem um bom cliffhanger, o espectador fica com vontade de conhecer mais sobre as aventuras que estão por vir, sobre a chegada de Pedrinho ao sítio e sobre a aparição das diversas outras figuras icônicas de nosso folclore e que povoam o Universo de Monteiro Lobato, aqui carinhosamente representado. Uma série que, já em seu começo, cheirava a lembranças de um Brasil que quase não existe mais. Um Brasil entre o desenvolvimento urbano, a paz do campo e a fantasia da mente das crianças, adolescentes e de adultos que ainda guardam a sua essência exploradora dos primeiros anos de suas vidas.

Sítio do Picapau Amarelo – 1X01: O Sítio do Picapau Amarelo (Brasil, 7 de março e 8 de julho de 1977)
Direção: Geraldo Casé
Roteiro: Paulo Afonso Grisolli, Wilson Rocha, Giuseppe Ghiaroni
Elenco: Zilka Salaberry, Jacyra Sampaio, Dirce Migliaccio, Rosana Garcia, Júlio César, André Valli, Samuel dos Santos, Ary Coslov, Ana Maria Miranda, Cacá Silveira, Cecília Loyola, Claudioney Penedo, Carmem Palhares, Édson Silva, Flávio São Thiago, Francisco Nagen, Germano Filho, Hélio Guerra, Ivan Senna, Jayme Barcelos, Zezé Macedo
Duração: 25 min.

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3 comentários

Wagner 20 de abril de 2021 - 22:28

Só umas correções na ficha técnica

Sítio do Picapau Amarelo – 1X01: O Sítio do Picapau Amarelo (Brasil, 7 de março e 8 de julho de 1203)
Direção: Ritter Fan
Roteiro: Ritter Fan
Elenco: Ritter Fan, Zimmer Tan, Ligger Can, Digger Lan, Cipper Gan
Duração: 25 rit.

Responder
Luiz Santiago 20 de abril de 2021 - 23:19

Simplesmente perfeito! É isso aí mesmo!

Responder
planocritico 20 de abril de 2021 - 23:22

Acho que tem uma dupla de salafrários que está merecendo uma coça…

Abs,
Ritter, o Rancoroso.

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