Home FilmesCríticas Crítica | Slender Man: Pesadelo Sem Rosto

Crítica | Slender Man: Pesadelo Sem Rosto

por Ritter Fan
176 views (a partir de agosto de 2020)

Deveria haver um monumento qualquer em homenagem a elencos desperdiçados em filmes tenebrosos. Sei lá, algo que os ajudasse a lidar com a constatação de que participaram de porcarias homéricas e os impedisse de desistir de atuar para sempre e enfurnar-se em alguma caverna bem profunda em um misto de vergonha e culpa. George Clooney, que viveu algo que lembra assim de longe um tal de Batman em Batman & Robin, certamente apreciaria algo nessa linha, da mesma forma que Tom Hanks, Bruce Willis e Melanie Griffith em A Fogueira das Vaidades e, claro, todo mundo em Para Maiores, dentre tantas outras manchas da Sétima Arte (e nem vou começar a falar do Nicolas Cage, pois esse parece deliciar-se em procurar diligentemente lixos nucleares para atuar).

Slender Man: Pesadelo Sem Rosto é apenas o mais recente exemplar dessa categoria de filmes que tem como seu único ponto alto (e nem tão alto assim, se eu quiser ser sincero) seu elenco, que parece completamente perdido e absolutamente sub-aproveitado em uma coleção de clichês rasos e mal costurados de praticamente todo filme de terror vagabundo por aí. E olha que eu sou o maior defensor do uso de clichês quando eles estão inseridos em um roteiro que sabe usá-los com o mínimo de sentido, o que certamente não é o caso do trabalho de David Birke (que, inacreditavelmente, escreveu o roteiro do sensacional Elle), com base em personagem/meme/creepypasta criado por Eric Knudsen (também conhecido como Victor Surge) no já longínquo ano de 2009 e que gerou um horrível incidente quase fatal entre crianças em 2014.

O tal “homem esguio” do título é, como não poderia deixar de ser, mais um bicho-papão do Cinema de Terror de Quintal (sim, é uma categoria) que bebe erroneamente das mais clássicas e variadas fontes. É a amálgama de tudo o que conhecemos em um sujeito que até pode parecer estranho e, arrisco dizer, interessante, em um primeiro momento, mas que, não demora (e, por não demorar, quero dizer uma questão de segundos), torna-se algo puramente genérico cuja existência o espectador esquecerá assim que os créditos (finalmente e misericordiosamente!) começarem a rolar. A estrutura cansada de monstro invocado por jovens em cidadezinha americana que tentam provar que o bicho não existe é preguiçosa e completamente anti-climática, já que, diferente de, por exemplo, O Mistério de Candyman, o pouco de ritual que existia é trocado por algo banal como uma busca no Google ou algo do gênero, em uma tentativa fracassada de “modernizar conceitos” e mostrar-se antenado com a cultura do smartphone a toda hora.

O que segue a partir dessa “invocação do mal” (não resisti…) é uma sucessão constante de sustos fáceis que o roteiro de Birke atira na parede para ver se cola e que a direção de Sylvain White não faz muito esforço para criar algo visualmente interessante ou, no mínimo, diferente. É como se os dois estivessem conspirando para ver até que ponto eles poderiam montar um filme a partir do nada, ou seja, a partir de um “personagem” (as aspas são necessárias, pois de personagem esse bicho-papão não tem nada) pouco inspirado jogado em fórum de internet e que, por alguma razão difícil de compreender exatamente, assustou um bom número de pessoas a ponto de justificar um longa-metragem de cinema – ou seja, que tem a pachorra de ocupar salas destinadas a filmes de verdade – quase 10 anos depois de ser (des)imaginado. Sim, há sequências que até retiram o espectador do torpor e indiferença, mas elas são as famosas exceções que confirmam a implacável regra.

Sei que, até aqui, não cheguei nem de longe a justificar a generosa quantidade de estrelas de minha avaliação, mas a verdade é que dei a pista logo no começo. Por incrível que pareça, o elenco, composto praticamente de indigentes cinematográficos, funciona melhor do que o filme tinha o direito de merecer. Capitaneando o time, há Joey King (A Barraca do Beijo) que parece ser uma daquelas atrizes que não se importa com a qualidade do que está no papel e encara de frente suas personagens como se não houvesse amanhã. Ela pode não mostrar brilhantismo algum aqui – e, convenhamos, é impossível alguém despontar nesse roteiro modorrento -, mas seu potencial e seriedade estão lá, intactos apesar de praticamente tudo ao seu redor funcionar como a proverbial correnteza contra a qual ela e seus colegas de profissão precisam nadar.

Mesmo com seu conceito carregando exatamente zero de originalidade, o personagem estranho ma non troppo de Slender Man poderia ter resultado em um longa que trouxesse algum tipo de prazer que não fosse exclusivo de masoquistas se o roteirista e o diretor não estivessem atrás apenas de um chegue para pagar as contas. A única sorte é que o elenco parece minimamente preocupado em construir carreiras. Fica difícil dizer, porém, se o bicho-papão comprido que não mete medo em ninguém terá conseguido fazer com que essas pretensões de futuro desapareçam como outras vítimas de sua existência, caso em que minha proposta de Monumento Para os Elencos Desperdiçados tornar-se-á ainda mais relevante.

Slender Man: Pesadelo Sem Rosto (Slender Man, EUA – 2018)
Direção: Sylvain White
Roteiro: David Birke (baseado em personagem criado por Eric Knudsen/Victor Surge
Elenco: Joey King, Julia Goldani Telles, Jaz Sinclair, Annalise Basso, Alex Fitzalan, Taylor Richardson, Javier Botet, Jessica Blank, Michael Reilly Burke,  Kevin Chapman, Miguel Nascimento
Duração: 93 min.

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61 comentários

Alex Lordelo 7 de maio de 2019 - 22:53

Voces tem a Critica: “O Mistério de Candyman” 1992?

Responder
planocritico 8 de maio de 2019 - 11:02

Não temos, infelizmente. Mas até anotei aqui como uma sugestão.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 30 de agosto de 2018 - 14:06

Pois é. Foi um dos melhores filmes de 2017!

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 28 de agosto de 2018 - 16:10

Passeie mais por aqui, pois nós são somos tão bonzinhos assim! HAHAAAHAHAHAHAAHHAAH

Abs,
Ritter.

Responder
Anônimo 2 de setembro de 2018 - 12:50
Responder
planocritico 28 de agosto de 2018 - 16:10

A solução é realmente rir para não chorar…

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 28 de agosto de 2018 - 16:09

Não é sem querer! Hollywood gosta de destruir filmes fazendo suas continuações mequetrefes… Agora já pensou Slender Man 2? HAHAHAHAHAHAAHAHHAH

Abs,
Ritter.

Responder
Agenor Silva Junior 28 de agosto de 2018 - 10:41

eu to rindo da hora que o “monstro” vira uma aranha de arvores bem mal feita…. A galera daquela vila devia gastar uns 15 reais de luz, pq tudo era muito escuro o tempo todo… Triste por ter gasto 28 reais pra ver isso

Responder
planocritico 27 de agosto de 2018 - 20:50

Cogitei não dar estrela alguma, mas, em um arroubo de coração misericordioso, pensei no pobre elenco e me compadeci com ele!

HAHAHAHAHAHAHAHHAHAHA

Abs,
Ritter.

Responder
Artur Montenegro 27 de agosto de 2018 - 19:32

Gente, que coragem de dar uma estrela para essa bomba atômica! Particularmente, achei que apenas 10% do elenco realmente se esforçou para entregar algo bom, mas com um roteiro desses fica bem difícil, né? Excelente texto!

Responder
Anônimo 27 de agosto de 2018 - 15:31
Responder
planocritico 27 de agosto de 2018 - 15:51

He, he. Mas não é a mais baixa não. Temos uma boa quantidade de meia estrela e zero estrela e até uns três ou quatro “lixos atômicos” como Alien vs Predador 2.

Abs,
Ritter.

Responder
Anônimo 27 de agosto de 2018 - 23:56
Responder
JC 28 de agosto de 2018 - 13:42

Meus piores filmes são sempre número 2…curioso:
Exorcista 2
Bruxa de Blair 2
Alien vs Predador 2

Sério.

Responder
Oingo Boingo 28 de agosto de 2018 - 18:51

Tem também Blade Runner “2”.

Por Blade Runner ser um dos meus filmes favoritos, a decepção foi proporcional ao amor.

Responder
planocritico 28 de agosto de 2018 - 19:02

Que isso! Para mim, Blade Runner 2049 está para Blade Runner assim como O Poderoso Chefão II está para o primeiro!

Abs,
Ritter.

JC 30 de agosto de 2018 - 11:13

Caraca, eu pensei a mesma coisa, quer dizer, eu adoro o 2049, achei espetacular.

Anônimo 7 de setembro de 2018 - 15:07
Responder
vc falou em pipoca? 29 de agosto de 2018 - 19:19

Sem contar o creme de chocolate em emojis

Responder
Alisson Coelho 27 de agosto de 2018 - 13:40

Bom,eu gostei do filme essa minha opinião e quem não gostou eu vou respeitar a opinião dos outros

Responder
planocritico 27 de agosto de 2018 - 13:44

Maravilha!

Abs,
Ritter.

Responder
Tiaguin 28 de agosto de 2018 - 14:21

Eu li esse “maravilha” soletrando não sei pq..kkkkkkkkk

Responder
Huckleberry Hound 27 de agosto de 2018 - 13:24

Seria melhor se Slender aparecesse em alguma temporada da série “Channel Zero”!

Responder
planocritico 27 de agosto de 2018 - 13:43

Sem dúvida!

Abs,
Ritter.

Responder
Elessar 27 de agosto de 2018 - 13:01

Valeu, Ritter! Considerando o apreço que tenho por suas críticas você me fez um bem ao evitar que eu tenha alguma expectativa ao assistir esse filme!

Responder
planocritico 27 de agosto de 2018 - 13:44

Se for assistir, baixe mesmo a expectativa!

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 27 de agosto de 2018 - 12:22

Eu nem consegui chegar na fase do “gostando”…

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 27 de agosto de 2018 - 12:22

Chances grandes de ser melhor mesmo…

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 27 de agosto de 2018 - 12:10

Não há nada melhor do que conferir filmes/livros/séries para chegar a uma conclusão própria. Críticas não são guias espirituais.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 27 de agosto de 2018 - 12:09

Fogueira das Vaidades é um excelente filme. – sua opinião.

Fogueira das Vaidades é um fraquíssimo filme. – minha opinião.

Eu não acho sua opinião uma merda, mas sinta-se livre para achar a minha uma merda. Faz bastante sentido.

Abs,
Ritter.

Responder
antonio jorge fernandes da cun 27 de agosto de 2018 - 14:39

Peço desculpas se te ofendi mas o que não faz sentido é você querer ser um crítico de cinema com uma postura como essa: arrogante e desrespeitosa para com filmes e atores que muitos podem curtir e gostar. Ao dizer que Bruce Willis e Tom Hanks deveriam ter vergonha de ter participado deste filme você errou feio. E por tabela ofende gente que como eu curte bastante a película. Tom Hanks em início de carreira mas já mostrando a que veio. Fora a crítica à sociedade que permanece bastante atual. Nesse sentido o considero ainda mais impactante e importante.

Responder
planocritico 27 de agosto de 2018 - 14:48

Você não me ofendeu. Eu não consigo me sentir ofendido por comentários assim, muito sinceramente.

Minha surpresa é você se sentir pessoalmente ofendido quando alguém fala mal de um filme que você gostou. Cara, isso não faz sentido algum e sua vida será um inferno se você se deixar afetar por causa disso. Se eu tivesse dito que quem gosta do filme X é burro, ok, vá lá, mas eu falei DO FILME APENAS.

Eu poderia dizer que, ao dizer que esse filme é excelente, você errou feio, mas isso não é verdade assim como o contrário também não é. Trata-se de opinião. Algo que deve ser mais exercitado.

Abs,
Ritter.

Responder
Leonardo Lima 11 de setembro de 2018 - 09:37

Já vi gente se doer por causa de time de futebol e ultimamente tô vendo bastante gente se doendo por políticos. Agora gente se doendo por causa de filme é a primeira vez, rsrsrsrs.

Responder
planocritico 11 de setembro de 2018 - 10:37

Acontece bastante, infelizmente.

Abs,
Ritter.

antonio jorge fernandes da cun 27 de agosto de 2018 - 11:17

Fogueira das Vaidades é um excelente filme. Falou merda em minha opinião.

Responder
Duque Leto 27 de agosto de 2018 - 10:59

Prefiro assistir o último filme do sharknado

Responder
Juca Lima 27 de agosto de 2018 - 10:42

De início tava até gostando + lá p/ metade do filme já tava chato, nunca tinha ninguém pela cidade, as meninas saiam a hora que queriam, gritavam e nunca aparecia ninguém kkkkkkkk(kkkkkkkkkkkkkkkk. Meio tosco

Responder
julio cesar costa junior 27 de agosto de 2018 - 10:04

Se o filme está sendo negativamente criticado quer dizer que é bom. Irei assistí-lo

Responder
Teco Sodre 27 de agosto de 2018 - 08:37

Esse eu não corro o risco de querer desver.

Responder
planocritico 27 de agosto de 2018 - 08:42

Sorte sua… Eu estou escovando as retinas com água sanitária até agora…

Abs,
Ritter.

Responder
Teco Sodre 27 de agosto de 2018 - 09:30

hahahahaha

Responder
Éder Araujo 27 de agosto de 2018 - 12:33

kkkkkkk, achei legal seu humor, kkkk

Responder
Ruqui 27 de agosto de 2018 - 02:45

Será que Nick Antosca conseguiria aproveitar bem esse personagem conceitualmente genérico numa temporada de Channel Zero?

Responder
planocritico 27 de agosto de 2018 - 08:33

Considerando que ele não tem pudores de modificar e acrescentar o necessário às creepypastas para torná-las mais perturbadoras e “cinematográficas”, diria que sim.

Abs,
Ritter.

Responder
J França 27 de agosto de 2018 - 10:44

Acho que sim, viu.

Responder
vanderlei furlan 26 de agosto de 2018 - 23:32

Filme bosta, fraquíssimo…

Responder
planocritico 26 de agosto de 2018 - 23:38

Juro que não sei como um script desses passa pela produção na boa…

Abs,
Ritter.

Responder
Leonardo Lima 11 de setembro de 2018 - 09:38

Será que por lá tb tem esquema de lavagem de dinheiro??

Responder
Jesus Te Ama 26 de agosto de 2018 - 21:40

Amei o filme. Espero ansioso pela sequência…

Responder
planocritico 26 de agosto de 2018 - 23:07

Nossa, se tiver sequência espero que mandem direto para vídeo…

Abs,
Ritter.

Responder
Jesus Te Ama 26 de agosto de 2018 - 23:28

Kkkkk. Blz mano, é nóis…

Responder
Canal Universo Bardog 27 de agosto de 2018 - 09:40

Este Jesus está sendo irônico….hehhehe

Responder
Jesus Te Ama 27 de agosto de 2018 - 11:39

Que nada. Já entrou pros meus favoritos junto com Crepúsculo e Sharknado…

Responder
planocritico 27 de agosto de 2018 - 12:08

Um trinca IMBATÍVEL, hahahahahahhahhha.

Sugiro acrescentar aí A Reconquista!

Abs,
Ritter.

Responder
Jesus Te Ama 27 de agosto de 2018 - 16:19

Opa! Adoro essa linda obra…

Juca Lima 27 de agosto de 2018 - 10:43

Tbm te amo

Responder
Elton Miranda 26 de agosto de 2018 - 20:00

Curiosidade: porque o Ritter fica sempre com as criticas dessas bombas? kk

Responder
planocritico 26 de agosto de 2018 - 20:49

Simples, meu caro @andrsinqueira:disqus : porque eu ao mesmo tempo sou o mais injustiçado e o mais corajoso aqui desse site!

HAHAHHAHHAHAAHHAHAHAHAHA

Abs,
Ritter.

Responder
Cesar 26 de agosto de 2018 - 22:49

auahuahauhauhauhauahu

Ritter, entao deixa eu te perturbar e te indicar uma série que eu so conheci essa semana e ja foi pra minha lista de melhores do ano: Yellowstone, da uma pesquisada rapida e vê o elenco absurdo dessa série, a premissa e tal. Coisa fina, e que passou despercebida por boa parte da critica especializada.

Responder
planocritico 26 de agosto de 2018 - 23:08

Já ouvi falar. Vou dar uma olhada!

Valeu!

Abs,
Ritter.

Responder
juliano 27 de agosto de 2018 - 08:53

Estou vendo essa,e realmente é muito boa.

Responder

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