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Crítica | “Slippery When Wet” – Bon Jovi

por Iann Jeliel
480 views (a partir de agosto de 2020)

Slippery When Wet

Depois de muita rebeldia nos dois primeiros álbuns, Bon Jovi somente com três anos de existência já converteria a intensidade romântica jovial inteligentemente à maturidade do hard rock, sem, contudo, abandonar a extravagância idealizadora dos tempos da discoteca. Pelo contrário, a mistura alcançada em Slippery When Wet, é cirurgicamente precisa, no ápice estilístico e letrista da banda, montando a identidade definitiva que a marcaria.

Destrinchando parcialmente as características, temos uma narrativa interligada ao conflito de urbanização com natureza a temática do ultrarromantismo, sem, contudo, cada música deixar de constituir sua própria história, remetente ao primeiro álbum. Já sobre o segundo, é puxada a jocosidade organizada de refrãos intitulados, diversas músicas que planejam a repetição do título de forma impactante na troca de sonoridade entre solos e efeitos. Na mistura, as construções das letras tornam a chegada a estrofe principal mais apoteótica, seguindo uma linha própria a cada canção, às vezes puxando refrãos transicionais – como Wanted Dead or Alive –, ou desleixados de continuidade – como em Let it Rock. O álbum é bem livre, na verdade, sendo difícil taxá-lo numa fórmula específica como os dois primeiros, que manifestamente ficam numa linha oitentista baladeira.

Aqui existe o mesmo pressuposto recheado de baladas, mas com um teor mais detalhista e harmônico nas letras. Era o auge da dupla Jon Bon Jovi e Riche Sambora como letristas, mas que contou com ampla colaboração de Desmond Child – ex-Kiss – nas composições desse disco. A união traz um sentimento de evolucionismo contido, natural, que fala por si só nas músicas, hits únicos que corroboraram ainda mais com seu impacto. Estamos falando de um álbum com a trinca Livin’ on a Prayer, You Give Love a Bad Name e Wanted Dead Or Alive, três das obras-primas musicais mais influentes dos anos oitenta. Duas delas, as principais, feitas em parceria a Child. Ambas foram números um da “Top 10 Billboard Hot 100 hits”, a primeira banda de hard rock na história a ter dois singles consecutivos em primeiro e a ter quatro canções – incluindo às três mencionadas, e Never Say Goodbye, outra obra-prima – de um mesmo álbum figurando às dez maiores. Dois feitos inéditos que alavancaram a banda de uma vez por todas no hall das grandes na história

É difícil até descrever música a música com tamanho peso, porque não só o quarteto mágico, quanto as demais, são essencialmente, canções simples em lírica e instrumentalidade, mas possuem desenvolvimentos extremamente empolgantes. Em geral, trabalham uma forte aliança do teclado introdutório de David Bryan – mais econômico nos sintetizadores, embora mais presente na inserção de backings  –, abrindo caminho a guitarra mais pesada de Richie Sambora, transitando objetivamente os momentos chaves. Esse combo de sonoridade consegue ser criar um instrumental tão grudento quanto o título a ser consolidado no refrão. Uns mais e outros menos. Em canções com uma atmosfera mais hard rock, como Social Disease, Raise Your Hands e Wild In The Streets, a guitarra é mais enfática para dar os refrãos aquele apelo de palco clássico. Em canções mais melosas, como Never Say Goodbye, Without Love e I’d Die for You, a guitarra é reduzida para o teclado potencializar o caráter idealista do coro, torná-lo mais tocante.

Há claro, as equilibradas entre a utilização de ambos conforme a música, como You Give Love A Bad Name, que começa com o refrão sem nenhum acompanhamento instrumental e ainda consegue ter um impacto imediato com ele, sustentado sobre cada repetição de “Shot through the heart and you’re to blame // Darlin’ you give love, a bad name” pela crescente consciente da mistura. A abertura da subestimada Let it Rock e a gigante Livin’ on a Prayer como um todo, são os maiores exemplos do amadurecimento da mescla. É como se a junção se tornasse um instrumento só, tamanha a sincronia da utilização conjunto. A exceção, vai para minha favorita do álbum, Wanted Dead or Alive, que fica primordialmente no violão acústico para conceber uma atmosfera de faroeste inconfundível – talvez seja a canção no mundo que melhor te transporta para uma ambientação country de velho-oeste – e utiliza os outros instrumentos mais em separado para funções internas da música. O teclado ajuda a compor a atmosfera com efeitos sutis junto e a guitarra só aparece num momento oportuno do clímax música, onde encontramos um dos grandes solos da história do rock.

Slippery When Wet consolida o estilo de Bon Jovi, aquele que iria influenciar uma parcela de bandas posteriormente a adotarem o rock romântico, tais como Europe, Poison, Aerosmith, Whitesnake, dentre outras. Um disco marco, revolucionário em certa medida, um sucesso estrondoso que corresponde a fama, um clássico absolutamente obrigatório.

Curiosidade: Originalmente Jon Bon Jovi e seu grupo compuseram cerca de 30 músicas para o Slippery When Wet, mas acabaram selecionando apenas 10 para o final – e que seleção! – conforme a receptividade do público. Apenas duas delas, Borderline e Edge Of A Broken Heart, ganharam visibilidade em versões posteriores. Vale destacar isso, porque são duas excelentes músicas também.

Aumenta!: Livin’ on a Prayer, You Give Love a Bad Name, Wanted Dead Or Alive
Diminui!: Without Love
Minha Canção Favorita do álbum!: Wanted Dead Or Alive

Slippery When Wet
Artista: Bon Jovi
País: Reino Unido, EUA
Lançamento: 18 de agosto de 1986
Gravadora: Vertigo Records
Estilo: Rock, Hard Rock, Glam Metal

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