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Crítica | Slugs – Morte Viscosa

Lesmas hispano-americanas ao ataque!

por Leonardo Campos
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Se na década de 1970, A Noite do Terror Rastejante conseguiu comprovar que as minhocas podiam ser assassinas em potencial após uma forte descarga elétrica atingir o solo e as transformar, por qual motivo as lesmas deveriam ficar de fora? Nativas do continente europeu, as lesmas pretas são um pouco maiores que as normais, podendo atingir 15 centímetros e ganhar a coloração escura apenas na fase adulta, sendo alaranjada nas primeiras fases de sua vida. Hermafroditas, gostam de locais com umidade elevada e são conhecidas por decompor matéria orgânica. Visualmente asquerosas, as lesmas podem ser ameaçadoras se a olharmos pelo viés de alguns aspectos da jardinagem, mas no geral, não causam danos diretos aos humanos, tais como as minhocas e sanguessugas, outros seres rastejantes e invertebrados que foram antagonistas de narrativas cinematográficas predecessoras ao relativamente divertido, mas um pouco arrastado, Slugs – Morte Viscosa, lançado em 1988.

Produzido entre a Espanha e os Estados Unidos, este horror ecológico ganhador do Goya na categoria de Melhores Efeitos Especiais narra a história da mutação de lesmas pretas após o contato com determinada quantidade de lixo tóxico despejado numa zona específica da cidade onde a narrativa se desdobra. Situada numa região rural, por isso, distante da agitação dos grandes centros urbanos, a localidade será assolada por lesmas que espalham o medo e o terror entre os seus habitantes. Quem vai sacar o centro nervoso do conflito é Mike Brady (Michael Garfield), homem que descobre o que há por detrás de algumas mortes misteriosas na cidade, no entanto, como parte da cartilha das histórias do segmento horror ecológico, as pessoas não acreditarão em suas afirmações e só prestarão a devida atenção quando for tarde demais e a trilha de corpos já estiver bastante extensa. Ridicularizado pelas autoridades e por algumas pessoas de renome na cidade, Brady trava uma batalha com outros poucos.

Depois que a verdade é estabelecida, um especialista em lesmas chega ao local para investigar a tal possibilidade e constata que ele pode estar certo no que diz. Sob a direção de Juan Piquer Simón, Slugs – Morte Viscosa tem como roteirista, Ron Gantman, profissional que transformou a novela homônima de Shaun Hutson numa história graficamente interessante, mas arrastada com seus diálogos pretensiosamente científicos e estrutura muito focada numa suposta seriedade que sabemos, não é coerente com a proposta absurda de lesmas mutantes e assassinas. Ao longo de seus 89 minutos, o xerife Reese (John Battaglia) não parece muito paciente em buscar a resolução para os crimes que tem como marca, um rastro asqueroso de limo cobrindo a cena. A primeira abordagem ocorre quando o xerife vai até a casa do bêbado Ron Bell (Stan Schwartz) cobrar uma dívida e realizar o despejo, mas nem consegue efetivar a missão, pois o encontro morto envolto numa massa viscosa que sequer dá para reconhece-lo direito. Depois dele, as demais mortes são similares, como mencionado anteriormente.

Assim, o filme segue o seu fluxo, com a habitual luta de um grupo pela investigação, análise e contenção das criaturas. Um agente de saneamento, um professor de ciências da escola local e um inspetor de saúde tomam a frente para resolver a crise. Destaque para a cena em que um casal se relaciona sexualmente e sofrem com o ataque das lesmas assassinas, também presentes na salada de um homem que as ingere e explode internamente, numa passagem asquerosa, mas que surte pouco efeito, pois ao longo de todo o filme, mesmo com o curto tempo de duração, impera uma quantidade generosa de tédio para o espectador. Com exceção dos efeitos especiais que funcionam adequadamente, a direção de fotografia de Julio Bragado é razoável, focada em fechar por diversos momentos o quadro, tendo em vista ressaltar as lesmas pretas como ameaças convincentes. A trilha sonora, assinada por Tim Souster, brinca com a febre dos sintetizadores da década de 1980 e a maquiagem de Carlo De Marchis cumpre o seu devido papel na exibição de mortes verdadeiramente viscosas. Fosse menos pretensioso e mais dinâmico, Slugs – Morte Viscosa seria uma diversão rastejante bem mais empolgante.

Slugs (Slugs, Muerte Viscosa, Espanha/EUA – 1988)
Direção: Juan Piquer Simón
Roteiro: Juan Piquer Simón, José Antonio Escrivá, Ron Gantman, Shaun Hutson
Elenco: Alicia Moro, Concha Cuetos, Frank Braña, John Battaglia, Kari Rose, Kim Terry, Kris Mann, Michael Garfield
Duração: 92 minutos

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