Home TVMinisséries Crítica | Small Axe – 1X03: Red, White and Blue

Crítica | Small Axe – 1X03: Red, White and Blue

por Davi Lima
189 views (a partir de agosto de 2020)

Nesse terceiro filme da minissérie Small Axe, a música de Bob Marley, também chamada de Small Axe, que cita o provérbio sobre a grande árvore e o pequeno machado – if you the big three, we are the small axe – é mais enfatizada na metáfora da transformação estrutural contra o racismo. A história real do protagonista Leroy Logan, que se torna um oficial da polícia, único homem negro entre sua equipe, melancoliza a crença na representatividade da polícia civil pela citação que o personagem diz do Primeiro Ministro britânico Robert Peel: a polícia é o público, e o público é a polícia. Em outras palavras, a polícia deve servir e interagir publicamente, da mesma forma ao contrário. E o desafio do diretor Steve McQueen é contemplar, não apenas ilustrar, a conclusão plausível e realista desse conto policial fundamentado no ideal de mudar um sistema por dentro.

A partir disso, nessa locução realista e plausível no audiovisual para uma história verídica, o diretor por vezes parece mais evidenciar em imagens silenciosas, muito significativas da opressão da injustiça social, do que progredir dramaticamente. Essa é a grande diferenciação dessa história, em que não há idealização no cuidado de gravar o filme, há apenas melancolia e intimismo familiar do protagonista. Porém, isso não infere automaticamente lentidão, em vista que não parece haver linearidade impulsionadora na narrativa. Pelo contrário, há uma objetividade que impede que a experiência se torne fadigada. Desde da infância, o conflito do pai Ken Logan (Steve Toussaint) e o filho Leroy Logan (John Boyega) envolve a polícia, o que persiste durante toda a história, da mesma forma o diretor Steve McQueen, muito acostumado em espacializar seus dramas, investe na ilustração precisa de como Leroy não se sente satisfeito em ser cientista de um laboratório, mostrando seu isolamento no grande espaço laboratorial. Além disso, o fator familiar em suas nuances, seja da esposa apoiadora e crítica, do pai resistente e conservador, do primo artista e inspirador, ou da tia que trabalha com a polícia, é o espaço mais dramático, não físico, que McQueen usa para trabalhar o desconforto do indivíduo no particular e o indivíduo no público.

Dessa forma, a idealização de articular com a academia policial por dentro não vem apenas da família, especialmente sua tia, e com seu pai sendo veementemente opositor ao filho ser policial, como o intimismo familiar desenvolvido incita uma antítese ainda maior na segunda parte do filme quando Leroy não tem mais cenas com sua família na mesma medida que no começo. Sua vida se torna mais pública de fato, e o melancolismo, a raiva contra o racismo e a pressão transmitida na face do ator John Boyega no canto direito da tela é bastante impressivo. Mas Mcqueen e Courttia Newland, roteirista do episódio, possivelmente não escrevem com objetividade apenas para que a direção e a montagem não se tornem fatigadas, e sim fixam a história do pai ser espancado pela polícia para que haja sempre espelhamento repetitivo na história, como um drama que precisa ser mastigado. O diretor é mais criativo do que usar verbalizações que martelam na mente do espectador, traduzindo o espelhamento de maneira literal de Ken Logan sempre com reflexos em espelhos, ou até modificando o reflexo da fotografia na memória de Leroy do pai diante do espelho para indicar movimento na narrativa, mudança de pensamento do filho quanto a polícia. 

Assim, nisso se consta a melancolia e a contemplação, não apenas ilustração de Steve McQueen para uma história verídica de idealização, mas realista. A movimentação narrativa não se vale nem de evidência transformação de uma estrutura, nem mesmo de uma constatação do protagonista da impossibilidade imediata de uma revolta sua para conseguir algo. O desenvolvimento audiovisual busca o público e o particular, dentro da dinâmica da música de Bob Marley de maneira bem implícita. A conclusão de Leroy é o provérbio cantado na música de Small Axe a partir da posição dele de policial, não de pequeno machado, mas de melancolizar que é necessário nascer uma nova árvore. Na plausibilidade do serviço público, de um homem negro na polícia servir a sua comunidade, assim como sua família, na intimidade, ser apoio de resistência pela sua posição; a resolução realista é nada mais nada menos que assumir a insuficiência de um indivíduo mudar um coletivo que mais determina a pluralidade social britânica do que de fato a assume em prol do serviço público.

Small Axe – 1X03: Red, White and Blue (Inglaterra, 29 de Novembro de 2020)
Direção: Steve McQueen
Roteiro: Courttia Newland, Steve McQueen
Elenco: John Boyega, Steve Toussaint, Joy Richardson, Antonia Thomas, Seroca Davis, Liam Garrigam, Tyrone Huntley
Duração: 80 min.

Você Também pode curtir

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais