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Crítica | Smallville – 1X01: Piloto

por Davi Lima
1059 views (a partir de agosto de 2020)

Bem-vindos ao Plano Piloto, coluna dedicada a abordar exclusivamente os pilotos de séries de TV.
Número de temporadas: 10
Número de episódios: 217
Período de exibição: 16 de outubro de 2001 – 13 de maio de 2011
Há reboot? Não.

Além de ser um dos super-heróis mais conhecidos, Superman ainda teve uma década de 90 consideravelmente prolífica em produções nas variadas mídias, seja na TV, nos quadrinhos ou nos desenhos animados. No final da mesma década, o canal The WB Television Network buscou construir um cenário televisivo focado em jovens, como as produções Charmed, Buffy e Dawson ‘s Creek. Dessa forma, quando os produtores e roteiristas Alfred Gough e Miles Millar (Homem-Aranha 2, Eu Sou Número Quatro, Into the Badlands) sugeriram uma série sobre o Superman com influências televisivas do público juvenil, especialmente de Dawson ‘s Creek, e o que se generalizou do conceito do heroísmo de Clark Kent após tanta profusão do alter ego do azulão “noventista”, gritam alto na concepção do que é a série Smallville. Esse grito, ao mesmo tempo que contribuiu para um desenvolvimento artístico único e marcante para o piloto em 2001, também criou uma indecisão entre a objetividade e a didática para se reinterpretar Clark Kent para um novo público após o 11 de setembro.

O cenário de lançamento do piloto apresentou uma ambiguidade efetiva para o sucesso do primeiro episódio. A chegada de Kal-El é tratada com um realismo de desastre na cidade de Smallville, no Kansas, com meteoros matando dramaticamente uma família, destruindo milharais e mudando a nomeação da cidade do milho. Enquanto isso possa soar realmente assustador após o acontecimento com as torres-gêmeas, a narrativa de Martha (Annette O’Toole) e Jonathan Kent (John Schneider) almejando ter um filho, e o encontro pacífico de uma criança em meio aos destroços, é “iconizada” por um movimento vertical da câmera auxiliado por uma grua, mostrando Jonathan Kent olhando para o céu cada vez mais distante do foco do público, criando um sentimento de grandiosidade e esperança do céu. Nisso se constrói a efetividade nos primeiros minutos, em que pelo contexto da época, aliado à qualidade da direção de David Nutter (ER, Band of Brothers, Gangues da Noite, Game of Thrones), que consegue relacionar o realismo com sci-fi sem perder o tom rural do Kansas, a introdução clássica do Superman é preservada em grandiosidade e representada em drasticidade simultaneamente. 

No entanto, mesmo que haja essa objetividade dramática, em que é possível ser captada fora do contexto americano do 11 de setembro, a sequência da história do piloto estranhamente parece subestimar seu público, enquanto sugere destinos juvenis (juvenil com conotação negativa) para seus personagens como legitimação da mitologia do Superman, como justificativa didática de aplicar na verossimilhança da vida na cidadezinha de Smallville. Cada passo da construção audiovisual narrativa da juventude de Clark, seja em casa ou na escola, parece fazer parte de um complexo de coincidências, rimas que se justificam, não se justapõem, formando uma trama previsível tanto em objetividade quanto em simbologia. Essa linguagem do piloto se torna feliz, em aparência, porque consegue introduzir de maneira bastante acessível qualquer espectador, especialmente os jovens e os conhecedores da mitologia do azulão, porém, perde-se a imersão criada nos primeiros minutos. 

Na compensação de entregar um piloto de quase uma hora de introdução, apenas nesse conceito, de forma bem executada, a objetividade rege as direções da história e a montagem das cenas, em que num comparativo com o piloto original, que não foi ao ar na TV, vários dramas explicativos são substituídos para manter a exposição a partir de algo subentendido. Embora isso seja natural de uma produção, em que há várias versões de roteiro até a definição do que se quer trazer para TV, se explicita, mesmo assim, a indecisão de como introduzir sendo objetivo e didático. Isso se expõe quando a previsibilidade não advém do que o público já sabe sobre o final do episódio, e sim sobre como todas as peças e símbolos vão criar o conflito do episódio. 

Desde do prelúdio da calvície de Lex Luthor (Michael Rosenbaum) até o vilão da semana, junto com a referência a Friedrich Nietzsche de Lana Lang (Kristin Kreuk) sobre Clark ser homem ou super-homem, e seu colar esverdeado de kryptonita, que faz Clark ficar bobo diante dela por mais um motivo além da paixonite; tudo isso é levado como introdução e foco narrativo da história. Lendo assim soa a base perfeita para um efeito harmonia pura para proveito do espectador, porém, tratar com o audiovisual, até mesmo na TV, quando alguns aspectos são simplificados na gravação, esse didatismo prejudica o efeito de progressão do episódio, como se houvesse uma redundância de introdução a cada cena.

Diante disso, parece que Tom Welling, o ator que interpreta Clark Kent, em toda essa trama de jovens, consegue entregar inicialmente uma jovialidade nua do vislumbre de Superman, como se sua atuação irregular servisse para um personagem cheio de segredos, como ele diz para Lana. Entretanto, a compensação e o complexo de coincidências começam a destinar o personagem a ser o Superman, em que toda a clara evidência de que tudo mudou em Smallville com ele precisasse urgentemente remeter a todas as conexões que a sua amiga jornalista Chloe (Allison Mack) coloca numa parede. Ou seja, o efeito precisa ser justificado, tudo precisa ser administrado dentro de um limite de introdução, como sugestões neutras para um público novo, mas significantes para o fã do Superman. Nisso se consta a indecisão de apresentação, como um reflexo temeroso da cobrança da produção midiática dos anos 90, seja das séries juvenis (não como conotação negativa) ou da mitologia do Superman. 

Logo, Clark precisa se tornar o herói do episódio com um vilão da semana investigado na última hora pelas milhares de conexões possíveis a um milharal. Além disso, o episódio precisa ter o espírito escolar da cidadezinha do Kansas, em um milhão de alternativas de tornar esse espaço importante. Um exemplo disso é a bonita cena em que, de maneira bem ensaiada, Tom Welling se coloca na frente de uma estátua no cemitério de Smallville para parecer que ele tem asas. Outro exemplo, dentro dessa mesma linha, é a simbologia cristã imbricada no Superman ser transformada numa tradição do colegial de Smallville, em que o calouro é colocado pendurado numa cruz, sem blusa, pintado com um S no peito, como um espantalho na plantação. E mesmo que isso seja uma adaptação minimamente criativa para mistificar realisticamente o Superman em Clark Kent jovenzinho, estilo Dawson’s Creek, acaba também por expor as fragilidades do piloto de Smallville em conseguir simbolizar, objetivar e didatizar sem perder o efeito de quebrar a primeira barreira da introdução.

Apesar da conhecida função do piloto de uma série ser introduzir, ele também tem a função de imergir o espectador. O desafio de iniciar uma produção televisiva prolongada sem dúvida precisa de aspectos didáticos de construção de personagens e objetividade para tratar com os conflitos em um curto espaço de tempo. Mas isso não dá a chave de usar coincidências como linguagem de maneira exacerbada, como justificativa legitimadora de uma cidade pequena ou de ajustar mais facilmente símbolos e conceitos de uma mitologia para se tornar mais realista. Não necessariamente o piloto tenha ficado datado. Apesar do efeito de sua época possa soar mais aliviante e esperançoso após o 11 de setembro, nem mesmo questões qualitativas dizem sobre sua primeira temporada, quiçá a série toda, em vista que o efeito intrigante do piloto quanto ao trio Lex, Clark e Lana é alcançado com louvor. Mas com certeza esse primeiro episódio de Smallville mostra como trabalhar com símbolos conhecidos pode criar um vácuo de indecisão entre o subentendido e o explicado como mote de uma previsibilidade narrativa difícil de assistir com gosto.   

Smallville: As Aventuras do Superboy (Smallville) – 1X01: Piloto – EUA, 16 de outubro de 2001
Criação: Alfred Gough, Miles Millar
Direção: David Nutter
Roteiro: Alfred Gough, Miles Millar
Elenco: Tom Welling, Kristin Kreuk, Michael Rosenbaum, Allison Mack, Annette O’Toole, John Schneider, John Glover
Duração: 50 min.

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27 comentários

Henrique Braga 1 de abril de 2021 - 12:46

Que nostalgia essa critica, me lembro até asstistindo esse piloto pela NET, tv a cabo da época.
Você diz muito, o grande pecado de smallville foi eles começarem a série pensando “vamos ver o que vai dar”
é acabou tendo vários rumos, a demora dele assumir o manto, os vilões semanais que nada acrescentavam.
Se essa série fosse feita hoje, teria sido fantástica, Quem não se arrepia com aquela abertura, aquela música.
outros tempos, outra visão.

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Elton Miranda 21 de março de 2021 - 13:25

Piloto de the shield por favor

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Davi Lima 23 de março de 2021 - 02:14

Opa! Boa pedida.

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Comediante 20 de março de 2021 - 19:53

Falar de Smallville pra mim é.. no mínimo polêmico. Estou a terminar algumas séries pra fechar um pouco definitivo top 10 e nele.. Smallville não pode estar ausente, nem que seja como menção honrosa. Há muito de CW na série (obviamente), porém mesmo com alguns grandes pesares (dramas enrolation infindáveis com a Lana que nem sempre funcionavam, a maldita 8° temporada, o esticamento da duração da série… fazendo com que Clark tenha enfrentado quase toda sua galeria e alguns outros “detalhes”) ela é muito especial para mim, não tendo possibilidade de comparação nenhuma com qualquer outra série da emissora (O que também não é grande coisa) e também ficando na frente de séries de peso (Black Sails, Boardwalk Empire e outras) nas listas que eu faço mentalmente sobre os seriados que eu já vi. Mesmo com o risco de ser sacrilégio afirmar o que eu disse, Smallville me fez gostar do azulão e acredito que por ter muito mais tempo para explorar, fez um ótimo Superman, com uma incrível relação da família Kent e o ponto mais forte da série pra mim é o Lex.
Vou até separar outro parágrafo aqui, porque considero esse a melhor versão do Lex Luthor fora dos quadrinhos, simplesmente incrível a vilania construída e as relações dele com Clark e principalmente seu pai, Lionel. A família Luthor me dava ânimo para continuar assistindo (assim como a abertura, pense numa boa) e mesmo com aqueles efeitos que hoje em dia são bem questionáveis tenho muito respeito e carinho pela série. Mesmo discordando um tanto quanto o episódio piloto, ótima crítica e contextualização histórica.

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Davi Lima 23 de março de 2021 - 02:17

Obrigado, Comediante. Não poderia estar mais feliz com seu testemunho sobre o elencar de séries. Eu acho uma série, só pelo legado de nos fazer gostar do azulão uma baita importância, especialmente focando no Clark Kent, o que torna tudo ainda mais surpreendente.

Concordo plenamente quanto a família Luthor e o Lex Luthor, e o resto que descreveu da série. E obrigado, fico feliz pelo elogio final, gratíssimo.

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Marcel Borges 17 de março de 2021 - 13:34

Ótima crítica heim!
Tenho 43 anos e sou fã do Super-Homem desde criancinha (geração 80). Sendo fã, assisti todas as temporadas de Smallville conforme os episódios iam sendo lançados. Considero a primeira e a segunda temporada muito boas( apesar de vc ter torcido o nariz para esse piloto, eu o adoro! Principalmente toda a sequencia inicial), mas o resto da série é pura decepção! Muito ruim!
Os motivos são vários: o arrastar dos episódios não indo a lugar nenhum; plots repetitivos, pobres; roteiros “fórmulinha”; deturpação de persongens; deturpação dos eventos canones do Super-Homem; etc, etc. Muita coisa errada por n motivos. Ruim como série e ruim como adaptação do Superman.
MAS, a primeira e a segunda são boas pq as ideias ainda eram novas, depois virou uma reciclagem eterna da mesma coisa e se somavam deturpações de conceitos do cânone.
Não tenho nostalgia, nem afetividade pela série porque já não era criança nem adolescente na época(para mim o 11 de setembro foi semana passada hehe), além dela me fazer passar muita raiva por esses motivos que já mencionei.
Conclusão, o inicio foi ótimo, pena que se perdeu.

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Davi Lima 17 de março de 2021 - 13:34

Obrigado! Primeiramente, feliz pelo seu testemunho com a série. 😅Eu sinceramente adoro isso. Uma outra pessoa me disse exatamente o contrário, que não curtia as duas primeiras temporadas e gostava até a sétima ou era quinta temporada.

Adorei isso que você disse sobre o 11 de setembro, tá bem relacionado com o que disse sobre ter visto já numa idade avançada, criando outra temporalidade bem diferente.

O exercício de escrever sobre um piloto de 2001 no presente de 2021 (quase 20 anos) não é uma tarefa fácil, mas comentários como o seu valorizam o trabalho (meio historiográfico) de se tentar colocar na época, mas sem perder os questionamentos da experiência de ver no presente.

Mais uma vez, obrigado.

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Marcel Borges 17 de março de 2021 - 13:39

Hehe, de nada! Que bom que gostou!

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Luiz Lima 16 de março de 2021 - 00:11

Velho, eu simplesmente detesto essa série. Detalhe, eu assisti fielmente esperando que um dia fosse perder esse sentimento, mas cada temporada me deixava com mais antipatia por todos que estavam nela. Nunca aceitei que o Superboy chegaria na idade adulta já tendo despachado metade da galeria de vilões…kkkkkkkkkkkk sobrou até pro Doomsday.

Só que não tiro o crédito que ela teve em praticamente formar uma geração de fãs do personagem.

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Davi Lima 16 de março de 2021 - 00:13

kkkkkkk super entendo. Sem dúvida esse seu sentimento não nadica isolado. Eu achava estranho ver o Superman jivem, evoluindo, mas ao mesmo tempo parecer está na mesma. Eu tinha esse sentimento quando via quando criança, embora gostasse, apesar também que não me considerava o público da série.

E por fim, é isso que você disse, formou uma geração de fãs. Nesse sentido acho louvável, especialmente depois dos anos 90.

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O Gambit dos X-Men 16 de março de 2021 - 00:11

Boa crítica! Você cumpriu as minhas expectativas pois já sabia que você não iria gostar! kkkkk

Responder
Davi Lima 16 de março de 2021 - 00:13

KKKKKKK aff! Mas pelo menos deu pra entender porque não gostei?

Responder
O Gambit dos X-Men 17 de março de 2021 - 13:34

Sim!

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Cley 15 de março de 2021 - 10:44

Smallville foi uma das minhas séries favoritas na juventude.
E na última vez que eu revi a série tinha lá suas falhas, mas a nostalgia falou mais alto.

Responder
Davi Lima 16 de março de 2021 - 00:11

Nostalgia é a nossa kryptonita kkkkkkk.

Responder
Fernando JG 15 de março de 2021 - 00:37

Gosto muito de Smallville, e acho que para a época foi bem bom. Assistia sempre aos domingos no SBT.

Responder
Davi Lima 15 de março de 2021 - 01:49

Também assistia no SBT, só não lembro qual horário kkkk porque era criança demais. Apesar de não ter curtido o piloto (que não lembro se vi quando criança), eu achava bem bom para a época, e ainda acho que é bom. Talvez só o início da primeira temporada ainda estavam algumas coisas desajustadas.

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Starr-Lord 15 de março de 2021 - 00:36

Eu tenho um carinho estranho por Smallville, foi a primeira série que eu acompanhei mesmo quando mais novo, mas nunca revi tudo, só os episódios que me marcaram. Por mais que tenham vários episódios ruins espalhados, gosto muito de acompanhar a relação do Clark com o Lex e especialmente com o Jonathan, que tem a minha adaptação favorita aqui. Inclusive só de pensar em Smallville, já me lembro de ver alguns episódios com minha mãe, como o do Cyborg, o do Jimmy deixando a Chloe e o Jonathan morrendo.. Obrigado pela crítica, trouxe boas lembranças.

Responder
Davi Lima 15 de março de 2021 - 01:49

De nada! Fico feliz que tenha te trazido boas lembranças. Eu que agradeço pelo testemunho. Eu também tenho um carinho por Smallville quando assistia com a minha irmã, e sim, gosto bastante das relações que citou. Pra mim a relação do Lex e do pai dela talvez seja um dos melhores dramas da série.

Responder
Haell 15 de março de 2021 - 00:36

Acompanhei Smallville do começo ao fim e a série tem muitas falhas. Acredito que pela época em que assisti e o fato de gostar bastante do Superman fizeram com que eu relevasse todas, mas ainda guardo com carinho. Uma coisa que eu reparei fazendo uma maratona recente é que geralmente todos os personagens são conhecedores de filosofia, política e literatura em um nível absurdo, a ponto de fazer referências a pensadores distintos nas situações mais triviais. TODOS os personagens com exceção do protagonista que sempre é o que precisa de alguma explicação de alguém. Acho que é meio que uma coisa da época (ou da WB). PS: A trilha sonora era excelente.

Responder
Fernando JG 15 de março de 2021 - 00:36

Na primeira temporada, eles fazem várias piadas com a Metamorfose, do Kafka! Acho que muuuuito legal, porque quem conhece as referências consegue abrir aquele sorrisão pela piada, mas quem não conhece, também não prejudica a narrativa. Acho bem legal.

Responder
Davi Lima 15 de março de 2021 - 01:49

No piloto em si a trilha sonora (a orquestral, não diegética) não me chamou atenção. Mas sei que houve um trabalho legal com a trilha mesmo ao longo da série, além, claro, da playlist de canções, que marcam desde da abertura até as seleções de músicas noventistas boas e as várias que vão acompanhando os anos.

Isso que você falou sobre os personagens saberem filosofia pode ser tornar bem interessante. Eu nunca vi a série toda, mas pelo menos nesse piloto não funcionou bem essa citação do Niet😅.

E independente das falhas, como você e o comentário do Starr-Lord mostram a série é marcante demais. Isso não denota qualidade mas com certeza deixa legados importantes.

Responder
Marcel Borges 17 de março de 2021 - 13:34

Essa sabedoria e conteúdo cultural não é exclusividade de Smallville. É uma característica de várias séries americanas, em especial de personagens adolescentes. Isso pode até enriquecer os roteiros mas eu odeio, pq tira minha imersão, soa muito artificial tantos personagens tão cultos assim. Por exemplo, além de Smallville, os personagens são mega cultos, citando referencias a torto e a direita em “GLEE”, em “13 reasons why”, entre outras e outras.

Responder
Filipe Isaías 15 de março de 2021 - 00:36

Smallville me fez ser fã do Superman. Assisti todas as temporadas umas 3 vezes quando criança junto do meu pai. Mas eu não me atrevo a reassistir porque eu tenho certeza que não passa na regra dos 15 anos. E por mais que a série seja limitada, acho que ela foi exemplar ao trabalhar o heroísmo, altruísmo e esperança, e faz isso melhor do que os filmes recentes.

SOMEBODY SAAAAAAAAAVE MEEEE

Responder
Davi Lima 15 de março de 2021 - 01:50

Pois é, gosto muito desse legado da série. No meu subconsciente teve o mesmo efeito, gostar do Superman por causa dessa série, já que assistia quando criança. Sobre isso do heroísmo, altruísmo e esperança concordo 100%. Por sinal, o piloto que não foi ao ar tinha uma cena semelhante a Man of Steel, do Clark se vingando do namorado da Lana destruindo o carro dele, mas felizmente essa cena foi retirada. Mesmo sendo um jovem Superman o trabalhado ao longo da série de fato constrói esse heroísmo bem bom com muito pouco.

Responder
Lucas Vila Nova 15 de março de 2021 - 10:44

Em Man of Steel, o caminhoneiro é um verdadeiro idiota, mas enquanto o Superman de Cavill resiste ao impulso de
machucar o caminhoneiro em vez disso, destrói seu caminhão com postes de telefone, o Superman de Reeve deixa o caminhoneiro socá-lo com força no
estômago, quebrando efetivamente todos os ossos de sua mão, então o senta em uma bandeja de comida e o desliza pelo balcão para bater em uma máquina de
pinball.
Não há dúvida de que é uma cena de vingança engraçada e Clark paga os donos da lanchonete pelo dano depois, mas a petulância com que ele faz isso,
novamente, parece colidir com a imagem do Superman como um farol de bondade moral.
O Superman não deveria estar acima da vingança, pelo menos qualquer dano corporal envolvendo um humano?
Que tal pegar o caminho certo e virar a outra face?
À luz disso, a restrição de Cavill em não machucar fisicamente seu babaca caminhoneiro é ainda mais notável.

Responder
Davi Lima 16 de março de 2021 - 13:54

É porque são duas proposta de filmes diferentes. A ideia de vingança, ao meu ver, não conceitua essa cena de Superman II. A composição da cena soa como uma lição de moral feita por um farol de bondade, de um ser que teve a jornada de seu segundo filme quanto a ideia de não ter poderes por um momento.

Em Man of Steel, pensando em questões humanas, o fato dele não ter machucado o caminhoneiro é notável, mas estraçalhar o caminhão mostra que ele é humano, mostra que ele não se segura também, que ele dar o troco.

Você focou muito na questão física em composições de filmes distintos quanto ao realismo e humanismo. A ideia de dano corporal no Man of Steel tem muito mais impacto, não é a toa que o Superman parece o Goku no filme. No filme de 1980, como você mesmo citou, soa até engraçado, porque dentro do filme a consequência física é como uma lição de moral. Dentro do filme mostrou que o Clark tinha sido espancado pelo caminhoneiro.

Compreendo que a ideia do Clark voltar e o cara sair machucado soa como vingança, mas a maneira como o Clark machuca o caminhoneiro, ou melhor, como o filme incita a nós vermos a construção da cena como heroísmo, o ser moralmente bom que dar a lição final do filme. Já a cena do caminhoneiro em Man of Steel é no começo do filme, e é para representar que ele é humano, que tem defeitos, mesmo que tendo a virtude de não machucar o cara fisicamente, já que num filme realista isso seria assustador.

Enfim, eu entendo a comparação, até porque eu tenho quase certeza que a intenção do Zack Snyder era relacionar mesmo, em vista que o vilão de Man of Steel era o Zod também, etc etc. Referências. Mas é muito do que nós interpretamos da cena e qual contexto ela pertence ao filme. Acho mais justo ver assim. Embora, independente da proposta da cena, como o cinema é ambíguo, você pode interpretar a cena de Superman II como ato de vingança por n fatores legítimos, assim como eu vejo um fator gritante do caminhão do cara ser estraçalhado, na montagem da cena em Man of Steel, por enfatizar o ato de prejudicar, de maneira vingativa/humana, falha moral, como representação desse Clark em início de aprendizado do heroísmo.

Penso mais nos efeitos diferentes, mesmo que ambos atos sejam violentos, seja pela natureza física ,ou psicológica colérica. Mas taí, adorei esse teu comentário. São visões diferentes de Superman, acho ambas legais, porém gosto bem mais do Reeves.

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