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Crítica | Star Trek #1 a 3 (Marvel – 1980)

por Guilherme Coral
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estrelas 2

Em 1977, a Marvel Comics adquiriu os direitos para publicar quadrinhos baseados no universo de Star Wars, o que deu início a uma série que não somente adaptou os, até então, três filmes da franquia, como nos trouxe inúmeras histórias inéditas. Não contente, porém, a editora decidiu tomar posse de outro pilar da ficção científica, Star Trek (ou Jornada nas Estrelas, como era mais conhecido na época aqui no Brasil), em 1980 e de imediato decidiu levar para as páginas coloridas o primeiro longa-metragem da obra criada por Gene Roddenberry.

Roteirizado por Marv Wolfman, a adaptação é uma cópia quase que idêntica de seu material de origem, o que por si só já traz grandes problemas, visto que Jornada nas Estrelas: O Filme fora inicialmente criado para ser o primeiro episódio de uma nova série da franquia, que traria o capitão Kirk, Spock e o restante da tripulação original da Enterprise em novas aventuras. Wolfman evidentemente contava com o potencial de eliminar todas as nítidas dilatações narrativas inseridas no longa-metragem, podendo nos proporcionar uma história que progredisse de forma mais fluida e dinâmica. O respeito à fonte, o pouco tempo que tivera disponível para adaptar a obra ou talvez até medo de fugir demasiadamente dela, acabou, contudo, nos entregando quase que um storyboard do filme de 1979.

star-trek-marvel-1-3-capaO primeiro elemento que nos chama a atenção negativamente nessas três primeiras edições de Star Trek é justamente a necessidade de Wolfman em traduzir absolutamente tudo do audiovisual para as páginas dos quadrinhos. Há um excesso indescritível de balões, tanto de fala, quanto de narração que visivelmente prejudicam o ritmo da leitura, tornando esta uma experiência tão cansativa quanto o filme em si. Parece que a intenção era trazer até mesmo a lentidão da fonte, o que é uma verdadeira pena, visto que Jornada nas Estrelas conta com muito mais potencial que isso – a própria série clássica é muito fácil de ser assistida, com episódios cuja narrativa é infinitamente superior ao do longa-metragem e, por consequência, de sua adaptação.

O traço de Dave Cockrum também não nos ajuda muito. Ao tentar transpor com exatidão cada um dos atores principais, o artista acaba criando personagens sem traços muito distintos e muitas vezes causa uma certa confusão no leitor, visto que esse precisa se apoiar nos balões de fala para saber quem está em quadro. O excesso de fidelidade também se estende para alguns efeitos, como a aparição da sonda de V’Ger, que se traduz nas páginas coloridas como uma verdadeira bagunça, que apenas consegue nos perder totalmente. Ler alguns trechos dessa obra, sem antes ter assistido o filme original deve ser realmente uma considerável provação, visto que muitas vezes precisamos nos apoiar nele para não ficarmos totalmente desamparados dentro dessa história.

A fidelidade do roteiro também peca ao não tentar trazer um pouco mais de emoção aos momentos finais desse primeiro arco e acaba nos trazendo um clímax tão insosso quanto o do longa, ainda que todo o questionamento acerca do criador seja realmente fascinante. Além disso, a revelação de que V’Ger é, de fato, a sonda espacial Voyager é praticamente tratado como uma nota de rodapé, tamanha a correria nas páginas finais. Pior ainda, o sacrifício de Decker praticamente não surte nenhum efeito em nós, visto que muitas das nuances das interações do filme não são transpostas com clareza aqui, dificultando uma aproximação maior do leitor com o personagem, além disso, há uma desconfortável frieza de Kirk em relação a ele após a sua morte, algo que não vemos na obra original.

Desnecessário dizer, portanto, que essas três primeiras edições de Star Trek são inteiramente desnecessárias para quem já assistiu o filme, visto que, além de não acrescentarem absolutamente nada, elas conseguem piorar alguns aspectos do longa-metragem, que, por si só, já não é nenhuma maravilha da sétima arte. A Marvel definitivamente começou com o pé esquerdo em suas publicações do universo criado por Gene Roddenberry – definitivamente muito menos do que a franquia merecia, espelhando, ironicamente, a entrada de Jornada nas Estrelas nas telas grandes. Ainda assim, contudo, temos uma história aqui com bastante potencial e que certamente poderia ter nos trazido um ótimo início de uma nova série televisiva.

Star Trek #1 a 3 (Marvel – 1980)
Roteiro: Marv Wolfman (baseado no roteiro de Harold Livingston)
Arte: Dave Cockrum
Arte-final: Klaus Janson
Cores: Marie Severin
Capas: Steve Leialoha
Letras: John Costanza
Editora nos EUA: Marvel Comics
Data original de publicação: abril de 1980
Editora no Brasil: Editora Abril
Páginas: 54

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4 comentários

Herbie: O Único 6 de setembro de 2016 - 23:13

acho que pra hqs que contam histórias sobre os filmes deveriam ser os própios escritores do filme a serem contratados pra escrever a hq.com uma hq de mad max chamaram o george miller pra escrever,apesar que tem alguns casos como por exemplo as hqs de star wars atuais da marvel pegaram escritores de destaque na editora e deu certo.

Responder
Guilherme Coral 7 de setembro de 2016 - 15:04

O negócio mesmo é o autor saber se desvencilhar da obra original quando preciso, afinal são duas linguagens totalmente diferentes.

Responder
Guilherme Coral 7 de setembro de 2016 - 15:04

O negócio mesmo é o autor saber se desvencilhar da obra original quando preciso, afinal são duas linguagens totalmente diferentes.

Responder
Herbie: O Único 6 de setembro de 2016 - 23:13

acho que pra hqs que contam histórias sobre os filmes deveriam ser os própios escritores do filme a serem contratados pra escrever a hq.com uma hq de mad max chamaram o george miller pra escrever,apesar que tem alguns casos como por exemplo as hqs de star wars atuais da marvel pegaram escritores de destaque na editora e deu certo.

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