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Crítica | Star Trek: Academia da Frota Estelar – 1X06: Vem, Vamos Partir

Finalmente, consequências.

por Kevin Rick
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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios da série e, aqui, de todo nosso material sobre Star Trek.

Se o episódio anterior funcionava como carta de amor à memória e à nostalgia, o novo capítulo de Star Trek: Academia da Frota Estelar é, em contraste direto, um banho de realidade. A leveza ensaística dá lugar a um episódio de crises que testa a promessa implícita da série do que acontece quando esses jovens, treinados em debates morais e ritos juvenis, são jogados em uma situação de guerra real?

A escolha de ambientar boa parte do episódio a bordo da USS Miyazaki é eficiente desde o ponto de vista simbólico. Um casco abandonado, marcado por um experimento que matou toda a tripulação um século antes, não é apenas cenário; é aviso. A Academia vem operando como laboratório de futuros possíveis, mas aqui o passado falho da Frota literalmente retorna como espaço de treinamento. O drive de singularidade que desativou a nave ecoa aquela obsessão histórica de Star Trek por inovação tecnológica que sempre flerta com catástrofe. É um cenário clássico da franquia: tecnologia avançada, orgulho institucional e consequências não resolvidas.

A invasão das Fúrias rompe com a estrutura relativamente confortável da série até aqui. Diferente de vilões episódicos caricatos ou conflitos simbólicos, há aqui algo razoavelmente mais denso e isso muda o peso dramático. Algumas mortes não são tratadas com exploração melodramática excessiva, mas tampouco são banalizadas. Pela primeira vez, a Academia deixa de parecer apenas um drama teen espacial e assume que a formação de oficiais envolve risco real.

No entanto, o coração do capítulo está menos na batalha em si e mais na manipulação que a cerca. Nus Braka retorna não como antagonista barulhento (gostei bem mais de Paul Giamatti agora), mas como estrategista. A revelação de que todo o ataque à Miyazaki foi arquitetado para afastar a USS Sargasso de uma base experimental e permitir o saque é um golpe narrativo bem executado. Não porque seja surpreendente demais — a série já vinha posicionando Braka com um twist —, mas porque desloca o conflito de “ameaça alienígena” para algo mais clássico de Star Trek: intriga política, cálculo frio e exploração de falhas institucionais, além de consequências reais para os próximos capítulos.

Também gostei da participação de Tarima na trama. Depois de um arco recente centrado em pertencimento, a série a coloca no centro de um ato de violência telepática extrema. Ao se conectar com Caleb e, através desse vínculo, eliminar as Fúrias, Tarima ultrapassa uma linha que a série vinha cuidadosamente contornando com o uso de poder psíquico. Mesmo entre algumas pieguices e cafonices, gostei bastante das metáforas, das alegorias e da leve tensão que o texto encorpou na dinâmica do casal, que vinha sendo tratado com certa leveza romântica.

Tecnicamente, o episódio também assume uma escala maior. A batalha espacial, a desativação da Sargasso e o clima de emergência permanente dão à série uma energia diferente, menos “campus” e mais “fronteira”. Ainda assim, há momentos em que a montagem acelera demais decisões estratégicas, algumas coreografias são bem ruins e a montagem nem sempre acerta (notem o vai e vem mal encaixado das duas naves, sempre aliviando a pressão da história).

O encerramento, com Braka enviando uma mensagem provocativa a Ake, recoloca o conflito em escala pessoal e cria uma certa linha narrativa principal para o restante da temporada, mesmo dentro da proposta mais episódica e procedural. Este episódio é sobre o preço de representar uma instituição em tempos de guerra. Academia da Frota Estelar dá aqui um passo importante na história de formação desses personagens, no que é o melhor capítulo até aqui. É risco, é erro e, às vezes, é luto. A série continua irregular em certos diálogos expositivos e atalhos dramáticos, mas demonstra maturidade ao aceitar que, no universo de Star Trek, crescer significa inevitavelmente encarar perigos maiores e consequências devastadoras.

Star Trek: Academia da Frota Estelar (Star Trek: Starfleet Academy) – 1X06: Série Aclimatação Mil (Come, Let’s Away) | EUA, 12 de fevereiro de 2026
Desenvolvimento: Gaia Violo, Noga Landau, Alex Kurtzman (baseado em personagens criados por Gene Roddenberry)
Direção: Larry Teng
Roteiro: Kenneth Lin, Kiley Rossetter
Elenco: Holly Hunter, Sandro Rosta, Karim Diané, Kerrice Brooks, George Hawkins, Bella Shepard, Zoë Steiner, Robert Picardo, Tig Notaro, Oded Fehr, Paul Giamatti
Duração: 58 min.

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