Home TVEpisódio Crítica | Star Trek: Discovery – 2X05: Saints of Imperfection

Crítica | Star Trek: Discovery – 2X05: Saints of Imperfection

por Ritter Fan
78 views (a partir de agosto de 2020)

  • Contém spoilers do episódio. Leia, aqui, nossas críticas dos demais episódios e de todo nosso material sobre Star Trek.

Ok, vou dizer logo de cara que, se era para reviver alguém da primeira temporada, teria sido muito mais interessante que fosse Lorca. O retorno do Dr. Hugh Culber (Wilson Cruz) desfaz um momento fortíssimo e chocante da trama, retirando, de quebra, parte da “nuvem” sombria que pairava sobre seu assassino. Isso, junto com a volta dos cabelos dos Klingons e a perda dos gânglios de medo de Saru, ameaça retirar de Discovery aquilo que faz dessa série um Star Trek refrescante e ousado, mas, claro, ainda é cedo para fazer esse julgamento.

Mesmo que as tecno-explicações dessa volta de Hugh cansem um pouco e façam sentido apenas com muito boa vontade e algumas reviradas de olhos, isso não quer dizer que a construção da história em Saints of Imperfection seja ruim. Muito ao contrário, na verdade. E a grande razão da narrativa funcionar melhor aqui do que no episódio anterior é uma só: foco. No lugar de três tramas paralelas, temos uma história só que parece encerrar a sub-trama da rede micelial pelo momento e que é introduzida por intermédio do já esperado preâmbulo enquadrador sobre a interminável procura por Spock que é particularmente funcional, já que serve, de uma tacada só, para trazer a ex-Imperadora de volta para a temporada depois de sua missão em Point of Light, resultando em ótimos momentos de farpas e faíscas entre ela e Michael, com um capitão Pike quase comicamente estupefato e perdido no meio, além de também funcionar como desculpa para integrar Ash/Voq à Discovery e, de quebra, aproximar a Seção 31 de toda a narrativa, graças ao epílogo com a almirante Katrina Cornwell (Jayne Brook de volta em micro-ponta) como mediadora das pazes entre Pike e Leland (Alan van Sprang).

No recheio da moldura trazida pela temática sobre Spock, é revelado, para surpresa de absolutamente ninguém, que Tilly está viva dentro da rede micelial graças ao teletransportador biológico que sua amiga-cogumelo criara. Lá, finalmente descobrimos o porquê de Amy ter atravessado dimensões e possuído a cadete: sua espécie está sendo dizimada pela presença de um “monstro” imparável e Tilly é sua última esperança de livrar-se dele. Claro que Stamets bola um jeito de transformar a Discovery em uma espécie de ponte entre universos e, como todo episódio precisa reiterar detalhada e heroicamente, com direito a discurso edificante, que ninguém será deixado para trás mesmo que todo mundo possa morrer no processo, o plano é executado com um “meio-pulo” que literalmente coloca a nave encravada entre uma dimensão e outra.

Lá em Pando…, digo rede micelial, Tilly e Amy, depois de estabelecerem laços mais fortes, vão ao encontro da Discovery, com Stamets e Michael, os únicos que podem transitar entre um lado e outro graças à cápsula que permite o pulo e serve de buffer, fazendo o caminho inverso. Logo eles se encontram e os quatro esbarram em Hugh como um mendigo interdimensional. O que segue é um trabalho bem feito de construção de tensão por parte da direção de David Barrett, que sabe trabalhar a montagem de forma a equilibrar os dois lados da história (em nosso universo e no universo micelial), com o roteiro de Kirsten Beyer costurando muito bem a Seção 31 nessa estrutura.

Apesar de obviamente sabermos que nenhuma tragédia se abaterá à Discovery ou aos seus tripulantes – pelo menos não na escala que se avizinha – o passo narrativo apertado e o trabalho inquieto de câmera na mão de Barrett para representar o lado fosforescente, com uma ótima direção de arte, consegue emprestar um clima de urgência e perigo ao que vemos passar na telinha. Mesmo que a narrativa tenha que literalmente parar para que as tentativas de explicação dos “comos” e dos “porquês” sobre Hugh sejam expostas de maneira lenta e sem ritmo, o drama na ponte da Discovery com ajuda da nave da Seção 31 (que se disfarça de asteroide como se a navegação espacial fosse visual…) compensa os problemas e torna tudo mais interessante, ainda que longe de excepcional.

Se Saints of Imperfection marcar um ponto de virada, em que a narrativa da terra dos cogumelos ganha um fechamento mesmo que temporário e a Federação passa, de maneira conjunta – com o lado da luz e o lado sombrio trabalhando juntos, mesmo que tenhamos que ver a Philippa do mal tornar-se boazinha – a correr atrás de Spock e do mistério dos sete sinais e do anjo vermelho, então ele terá tido mais valor ainda, já que a temporada está precisando encontrar sua identidade e seu passo. Afinal, se aquilo que muitos consideram como “pecados do passado” começarem a ser expiados, Discovery pode perder seu diferencial e tornar-se mais do mesmo. Existe um ponto de equilíbrio e é mais importante encontrá-lo do que o próprio Spock.

Star Trek: Discovery – 2X05: Saints of Imperfection (EUA, 14 de fevereiro de 2019)
Direção: David Barrett
Roteiro:  Kirsten Beyer
Elenco: Sonequa Martin-Green, Doug Jones, Anthony Rapp, Mary Wiseman, Shazad Latif, Anson Mount, Michelle Yeoh, Mia Kirshner, Mary Chieffo, Kenneth Mitchell, Bahia Watson, Emily Coutts, Patrick Kwok-Choon, Tig Notaro, Rebecca Romijn, Wilson Cruz, Jayne Brook, Alan van Sprang
Duração: 52 min.

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30 comentários

Pedrinho Rude Boy 20 de fevereiro de 2019 - 17:39

Caraca, trouxeram o Hugh “from hell”. Na minha opinião o pior episódio das 2 temporadas. Tilly, Stamets e Hugh juntos em cena é muito cansável, é chato e bem maçante.

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planocritico 20 de fevereiro de 2019 - 19:26

Não achei o pior não. O próprio episódio anterior, para mim, foi mais fraco que esse.

Abs,
Ritter.

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Anônimo 18 de fevereiro de 2019 - 22:34
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planocritico 19 de fevereiro de 2019 - 10:19

Sorvete de chocolate?

– Ritter.

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Caio Vinícius 18 de fevereiro de 2019 - 09:23

Mas gente… Pra que trazer o abigo de volta? Tão mais interessante ver o sofrimento do Stamets… Mas acho que vão fazer algo com isso, não sei o que. Mas algo vai sair daí. Talvez o Hugh não seja mais o mesmo e isso cause alguns conflitos na Discovery. Espero que assim seja.

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planocritico 18 de fevereiro de 2019 - 14:46

Tomara que a volta dele tenha mesmo uma função maior…

Abs,
Ritter.

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Caíssa 17 de fevereiro de 2019 - 23:41

Talvez a ressurreição do Hugh não ficasse tão forçada se não tivesse vindo logo depois de um episódio em que o Saru se salvou milagrosamente… Estão com medo de tomar decisões difíceis? E por mais que o personagem da Philllippa seja interessante, não vale a pena a ter de volta junto com o semi Klingon chato.

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planocritico 18 de fevereiro de 2019 - 00:27

Vejo sim um receio de manter a série sombria como ela começou. Sobre Philippa, ela vale a pena com ou sem o semi-Klingon!

Abs,
Ritter.

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Pedro Franco 17 de fevereiro de 2019 - 20:29

Aposto 2 reais que uma das versões do Lorca aparece antes que o Spok na série. Suru ia morrer não morre, médico volta do além, tá fedendo mto a drama teen já.

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planocritico 17 de fevereiro de 2019 - 20:57

Eu queria muito que o Lorca voltasse!

Abs,
Ritter.

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ivan junior 27 de fevereiro de 2019 - 15:27

Particularmente não vejo necessidade de trazer Lorca de volta. Seu arco foi muito bem resolvido. Da mesma forma que a ressurreição do doutor tão, para mim, foi desnecessário. Parece-me que falta coragem a certas produções de irem mais à fundo em suas estorias e personagens. Mas em um todo a serie é muito boa.

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planocritico 27 de fevereiro de 2019 - 20:56

Necessidade mesmo não há, mas o personagem era fascinante e foi mal-aproveitado.

Abs,
Ritter.

Responder
Caíssa 17 de fevereiro de 2019 - 23:41

Talvez a ressurreição do Hugh não ficasse tão forçada se não tivesse vindo logo depois de um episódio em que o Saru se salvou milagrosamente… Estão com medo de tomar decisões difíceis? E por mais que o personagem da Philllippa seja interessante, não vale a pena a ter de volta junto com o semi Klingon chato.

Responder
Leonardo Vargas 17 de fevereiro de 2019 - 16:29

Abandonei no minuto em que usaram ano-luz como medida de tempo.

Responder
planocritico 17 de fevereiro de 2019 - 16:44

Abandonou Star Wars também quando eles usaram parsec como medida de tempo?

– Ritter.

Responder
Leonardo Vargas 18 de fevereiro de 2019 - 00:58

Sim

Responder
planocritico 18 de fevereiro de 2019 - 14:46

Ok…

– Ritter.

Responder
Edson Ostemberg Benites 17 de fevereiro de 2019 - 15:18

A nova chefe e segurança e muito parecida com a primeira: Rekha Sharma. Estou delirando ou é ele mesmo?
Tomara que a volta do Wilson Cruz não transforme a série em uma apologia ao homossexualismo. Já basta a Tig Norato (ou seria Tom Cruise)?

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planocritico 17 de fevereiro de 2019 - 16:21

“Apologia ao homossexualismo”? Sério isso? E o que raios a Tig Norato tem a ver com isso???

E não, a primeira chefe de segurança era outra personagem e outra atriz. Era a Ellen Landry vivendo Sharma e, agora, é a Comandante Nham, vivida por Rachael Ancheril.

– Ritter.

Responder
bre.ribeiro 17 de fevereiro de 2019 - 20:08

Vai virar sim e todo mundo que assistir vai virar homossexual imediatamente, sinto muito…

Dito isso, achei uma bosta, não pelos mesmos motivos que a senhora acima…

Temos crítica de little drummer girl? Precisamos.

Responder
planocritico 17 de fevereiro de 2019 - 20:57

Está na minha lista, mas não tenho como estabelecer uma data!

E você achou o episódio todo ruim ou só a volta do Hugh?

Abs,
Ritter.

Responder
bre.ribeiro 18 de fevereiro de 2019 - 00:22

So a volta do Hugh… Aconteceu algo mais? rsrsrs

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eder ferreira 18 de fevereiro de 2019 - 01:36

Também achei ruim só a volta do hugh, não por causa da homossexualidade dele, mas por achar que o mesmo não está a altura para ser médico chefe de uma nave stelar, para mim não tem o brilhantismo e talento excepcional que os outros medicos das outras séries tinham, ele é um médico muito fraco.

planocritico 18 de fevereiro de 2019 - 14:46

Para mim, não é esse o problema. A volta do Hugh desfaz o drama de Stamets e de Ash, torna tudo mais “light” e banaliza a morte.

Abs,
Ritter.

ANTÔNIO SOARES 17 de fevereiro de 2019 - 14:46

Particularmente achei muito forçosa essa “ressurreição”. Inicialmente tinha descontado alguns créditos dessa excelente série. Mas depois lembrei da ressureição do Spock no filme clássico e talvez esse fato venha a se justificar pela lambança da morte do Doutor na primeira temporada… Mas a série realmente ainda não se encontrou nesta segunda temporada. No geral não estou gostando o quanto imaginava que gostaria, pelo que foi a primeira temporada. Algo está mais artificial e não flui tão bem como antes. Espero que os rumos sejam encontrados em breve!!!

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planocritico 17 de fevereiro de 2019 - 16:13

@disqus_yFXIjQ9Qs1:disqus , acho bem diferente as ressurreições de Hugh e de Spock. No caso do vulcano, sua volta foi preparada desde a sua morte. Aqui, a volta de Hugh me pareceu aleatória e desfaz um momento excelente da 1ª temporada, que é violenta morte dele e que tinha um peso.

Abs,
Ritter.

Responder
Herberti Pedroso 17 de fevereiro de 2019 - 08:37

Concordo com praticamente tudo. Star Trek Discovery de fato precisa decidir se será uma série de ficção científica raiz temperada na medida certa com dramas humanos, ou se será aquela chatíssima masturbação relacional tipo “Grey’s Anatomy”, usando o espaço só como pano de fundo.

Responder
planocritico 17 de fevereiro de 2019 - 11:26

Putz, dá até calafrios pensar em Discovery como Grey’s Anatomy, HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA.

Abs,
Ritter.

Responder
Vitor Guerra 17 de fevereiro de 2019 - 02:06

Ritter aconteceu alguma coisa com o Giba? ele parou de postar criticas de Flash e voce assumiu as criticas de Star Treek. aconteceu alguma coisa?

Responder
planocritico 17 de fevereiro de 2019 - 11:19

Ele saiu de férias. Ele volta essa semana e já vai pegar os episódios passados de The Flash e The Orville para escrever e volta a assumir Discovery no domingo que vem!

Abs,
Ritter.

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