Home TVEpisódio Crítica | Star Trek: Discovery – 2X11: Perpetual Infinity

Crítica | Star Trek: Discovery – 2X11: Perpetual Infinity

por Giba Hoffmann
86 views (a partir de agosto de 2020)

– Contém spoilers do episódio. Leia nossas críticas dos filmes e séries de Star Trekaqui.

Dando sequência aos eventos de The Red Angel, o episódio desta semana de Trek continua a se apoiar pesadamente em sequências de diálogo expositivo para prosseguir com o encaminhamento da trama do Anjo Vermelho. Com várias das repostas aos principais mistérios da temporada já devidamente oferecidas, o que temos é o nosso antigo mistério de ficção científica transformado em uma saga complexa e multi-camadas envolvendo múltiplas viagens no tempo, retcon de origem de nossa protagonista e seres semi-onipotentes jogando um complexo xadrez de espionagem nas estrelas. Bom, para quem um dia reclamou da linearidade dos plots de guerra na 1ª temporada da série, acho que não fica muito legal dizer que a coisa está complicada demais, né?

Há muita coisa que funciona e que faz valer a pena a construção dos roteiros até aqui. Embora eu ache que a opção de centrar toda a trama do Anjo na figura da família Burnham sobrecarregue um personagem cuja história pessoal já funcionava muito bem no ponto que se encontrava, não deixa de ser uma opção válida e interessante para uma produção que abraçou esse estilo de protagonismo focado em personagem. Sonja Sohn foi uma escolha brilhante para interpretar Gabrielle Burnham, seu breve tempo de tela complementando muito bem a caracterização de Michael (Sonequa Martin-Green) e nos mostrando um pouco de onde ela puxou certas características. As cenas envolvendo a dinâmica familiar de nossa protagonista são algumas das mais interessantes do capítulo: é inegável sua química com Spock (Ethan Peck), Georgiou (Michelle Yeoh) e Gabrielle, e os nuances são muito bem pontuados na interpretação de Martin-Green.

Se o desenvolvimento e exploração dramática de personagens continua indo bem, por outro lado o roteiro a essas alturas já se emaranha nos próprios tentáculos narrativos. A trama do Anjo Vermelho merece elogios pela ambição e continua a ser muito interessante, mas acredito ter sido melhor servida pelo ritmo mais compassado e pontual da primeira metade da temporada do que no ritmo atual de desfecho. O tempo todo, é difícil evitar a sensação de que temos muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, parece que algum detalhe do enredo sempre está escapando e dando lugar à dinâmica atual das coisas, o que não é sempre uma coisa muito boa.

Particularmente, em tramas que lidam com paradoxos temporais e viagens cíclicas no tempo, a atenção aos detalhes parece ser essencial para garantir o devido efeito de verosimilhança que nos explode a cabeça ao tentar resolver a questão de forma simples. Aqui, o roteiro se desmembra em frentes em profunda relação entre si e, ao mesmo tempo, parece ter que forçar a mão na narrativa expositiva apressada para costurar esses elementos.

São diversos os exemplos. Tomando o principal: quando supúnhamos que o Anjo Vermelho era um ser futurista com tecnologia transdimensional completamente além de nossa compreensão, suas ações na linha do tempo pareciam ter um “chão narrativo” que as justificasse, mesmo que ele nos escapasse totalmente. Agora que sabemos se tratar de uma humana viajando com tecnologia de nossa época atual (que, diga-se de passagem, é uma das mais antigas já mostradas na linha do tempo da franquia), a coisa fica um pouco mais complicada. A absurda conveniência de termos, no tempo de um único episódio, um diário filmado com mais de 800 entradas sobre as viagens temporais de Gabrielle e introduzirmos casualmente o fato de que ela aparentemente sabe muito sobre o passado, presente e futuro de nossos personagens (sinalizando, inclusive, a respeito do futuro trágico do Capitão Pike (Anson Mount)!) mostra que nosso foco daqui para frente não será tanto no “como”, mas sim no desenvolvimento linear da trama no sentido de resolvê-la. Da perspectiva de uma única humana com tecnologia experimental desenvolvida no presente, as ações de Gabrielle acabam precisando de muita concessão imaginária offscreen para funcionar e, nesse sentido, a revelação vem ser um tanto anticlimática em termos de possibilidades para o desfecho do arco em termos de enredo.

A ameaça atual empolga e entrega momentos dramáticos convincentes, mas novamente se apoia sobretudo nos bons personagens e relações interpessoais já construídos do que no drama das situações em si. A premissa é até simples, para os padrões do gênero: uma viajante temporal encontra-se presa e pede pela ajuda de nossos tripulantes para voltar para suas tentativas de interferência, seu inimigo transtemporal tenta impedi-la infiltrando-se na frota e lançando dúvidas sobre sua improvável versão dos eventos. Leland (Alan Van Sprang) encarnando a nova versão de Control, que nos provoca com uma imagética reminiscente dos Borg de A Nova Geração (mais retcons bombásticos a caminho?) é sem dúvida um dos elementos mais interessantes da história, posicionando nosso vilão da temporada como uma ameaça bem localizada para causar muito dano.

Porém, por detrás dessa premissa plenamente aceitável, a sensação de termos muita coisa acontecendo ao mesmo tempo não deixa de incomodar. Pode ser que o problema esteja comigo, mas as pontuações frequentes de diálogos expositivos tentando sumarizar o estado atual das coisas mais me confundiram do que ajudaram a esclarecer a ordem atual dos eventos. Tanto nosso MacGuffin da vez, os dados coletados na misteriosa Esfera de An Obol for Charonquando a própria inteligência artificial Control ainda soam como elementos exógenos ao desenvolvimento orgânico da trama, e a centralidade que obtiveram nessa reta final (às custas de uma explicação mais bem feita das ações do Anjo) acabaram tornando a coisa toda um tanto mal equilibrada para os lados do roteirismo.

Ainda assim, Perpetual Infinity consegue empolgar com um show de ação e sequências de uma trama insana e complexa, ao mesmo tempo em que nos encaminha para um desfecho com um senso forte de urgência e de imprevisibilidade. Quem sabe amarrando bem as pontinhas e aparando bem as arestas ao longo dos próximos três episódios, possamos ter um final de temporada mais satisfatório do que o da temporada inaugural?

Star Trek: Discovery – 2X11: Perpetual Infinity (EUA, 28 de março de 2019)
Direção: Maja Vrvilo
Roteiro: Alan B. McElroy, Brandon Schultz
Elenco: Sonequa Martin-Green, Doug Jones, Anthony Rapp, Mary Wiseman, Anson Mount, Shazad Latif, Michelle Yeoh, Ethan Peck, Rachael Ancheril, Hannah Cheesman, Alan Van Sprang, Emily Coutts, Sara Mitich, Patrick Kwok-Choon, Oyin Oladejo, Sonja Sohn, Arista Arhin
Duração: 53 min.

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19 comentários

MxlBR 3 de abril de 2019 - 14:44

Sou fã da série, mas não vejo química entre Michel e Tyler. O sujeito é muito insosso.

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Limão 3 de abril de 2019 - 13:23

Essa segunda temporada está melhor que a primeira, mas mesmo assim não consigo gostar desse estilo de ação da serie. Outra coisa que me irrita é que as cenas sempre são tão ensolaradas, não é possível que no futuro não consigamos criar uma película para os vidros…
Estou preferindo assistir the orville, que parece muito mais star Trek do que a Discovery

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Jefferson Viana 1 de abril de 2019 - 16:10

Concordo com essa sensação de correria desse episódio, mas eu achei que refletia a urgência deles em resolver o problema de manter Gabrielle no presente, já que eles tinham se não me engano 2 horas de energia apenas. Eu fiquei apostando até no episodio passado que a imperatriz tava armando um golpe usando o sentimento de Burnham por ela, foi interessante ver ela se desesperando quando spock barra todos na porta pra Burnham morrer.

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Iridilson Silva 1 de abril de 2019 - 16:02

Cadê à 2 temporada Netflix de “AFTER TREK”? Assistir à primeira e fiquei mais trekiano, uma excelente resenha dos capítulos…

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Edson Ostemberg Benites 7 de abril de 2019 - 15:22

Realmente, After Trek faz falta

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Jan Mozol 1 de abril de 2019 - 07:58

Virou ‘O exterminador das estrelas’.

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joca alves 31 de março de 2019 - 21:48

chatoooo esse seriado , mulherada feminista que não convence e enche o saco

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Edson Ostemberg Benites 31 de março de 2019 - 20:18

Posso estar iniciando uma discussão. Não é a intenção. Mas eu vou expor minha opinião.
Acho dispensáveis alguns personagens:
Tilly e Culber em Discovery.
Neelix em Voyager.
Deanna Troy em New Generation.
E Jake Sisko em Deep Space Nine.

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Barbara Rosa 31 de março de 2019 - 22:51

Consigo entender esse ponto de vista, mas tenho algumas ressalvas. Gosto da Tilly, acho ela um alivio cômico necessário ante a tanta auto importância que todos personagens de Discovery tem ou pensam ter. Quanto ao Culber, ele tinha mais peso emocional morto… Concordo que sua volta foi desnecessária. Neelix apesar de ter começado chato, serviu para causar reações no Tuvok. Só ele com toda sua inconveniência para fazer um Vulcano fantasiar um estrangulamento! Rsrsrs Mas acho que ele cresceu ao longo da série, e merece manter seu lugar. Ja Harry Kim era totalmente dispensável, pois se a ideia era fazer dele o novo Wesley Crusher, um menino prodígio, para a capitã Janeway ser tutora, falhou muito. Seven cumpre muito melhor esse papel e é bem mais interessante e bem escrita. Deana, concordo que começou sem sal, mas aprendi a gostar dela… Jake era apenas um complemento de Benjamim Sisko, uma ferramenta. Afinal, como manter o peso do luto por 7 temporadas? Um filho por criar é um laço com a esposa morta. Acho que teve sim alguns bons momentos, o episódio onde ele abandonou Dr Bashir nas trincheiras foi bastante revelador, mas prefiro o Nog…

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Vedek Pedro 1 de abril de 2019 - 14:25

Eu não acho o jake tão ruim. Pelos mesmos motivos que vc expôs eu gosto dele. Principalmente por ser um cidadão da federação criado em outro mundo, não fazendo e não querendo fazer parte da frota, etc. A amizade dele com o Nog. Ele é um personagem secundário, até por isso aparece menos, mas nenhuma aparição dele é desnecessária quanto de alguns personagens em discovery, a exemplo do peso morto do Voq/Tyler

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Barbara Rosa 4 de abril de 2019 - 15:08

Então, Discovery tem essa mania, o personagem já estava com o ciclo encerrado, aí trazem ele de volta. Tyler podia ter ficado onde estava, não acrescentou quase nada, qualquer membro da seção 31 seria tratado de forma igualmente suspeita. Voltando ao Jake, não acho ele ruim, acho funcional. Mas por questões de gostar de personagens esquisitos, gosto mais do Nog. Que sozinho provavelmente não teria se encantado com a Federação e não teria entrado para a Frota Estelar, provavelmente estaria limpando mesas para o tio até hoje.

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sathuurn 1 de abril de 2019 - 00:04

Eu só trocaria a Deanna pelo Wesley Crusher…
Se bem que ambos são melhores do que os personagens da discovery…

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maul1961 1 de abril de 2019 - 13:41

Eu ainda não consegui entender o papel da Tilly, uma aspirante a oficial da frota que se comporta como adolescente engraçadinha é muito desagradável e dispensável.

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Pedrinho Rude Boy 1 de abril de 2019 - 15:53

Tilly e Culber são absolutamente insuportáveis.

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Iridilson Silva 31 de março de 2019 - 20:18

Porquê quando pergunta a Bhurman(Mãe), sobre os 7 sinais, ela fica esturpefata e responde não saber de nada, se ela é o Red Angel? Mistériosssssss…

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Cristóvão Hochmüller 1 de abril de 2019 - 03:29

Pode ser que como o traje volte pra uma epoca no passado onde não ha tecnologia, a Discovery encontre o traje escondido no presente e Bhurman(Filha) use o traje para fazer os 7 sinais.

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Iridilson Silva 1 de abril de 2019 - 15:54

Mais isso é sua especulação, vamos ver se os roteiristas tem um explicação mais plausível.

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Julio Alvarez 1 de abril de 2019 - 13:09

porque quem montou os 7 sinais foi o Spock, que por ser disléxico (coitado do Leonard Nimoy…) interpretou o espaço tempo do Red Angel. Isso é explicando no episódio.

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Iridilson Silva 1 de abril de 2019 - 15:53

Muito vago sua resposta? Spock também procura os sinais, como todos na Discovery…

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